‘Temos que reconstruir o significado da Conmebol’, avalia diretor comercial



Um brasileiro trabalha diretamente para tentar mudar a imagem negativa da Conmebol após os escândalos de corrupção que chacoalharam o futebol do continente. Trata-se de Marcos Senna, que assumiu o comando do departamento comercial da entidade. Tarefa árdua.

– Temos que reconstruir o significado da Conmebol – admite ele.

Senna, com experiência em multinacionais e no Comitê Rio-2016, é quem capitaneia o processo de aquisições de patrocínios para as reformuladas competições de clubes da “nova Conmebol”. Em entrevista à De Prima, ele detalha as estratégias e revela os planos que envolvem também a Copa América-2019, que será em solo brasileiro.

Que mudanças na política de trabalho implementou desde que chegou à Conmebol?
A principal mudança foi a realização de novas parcerias comerciais e no modelo de trabalho da Conmebol com estes parceiros. Foram contratadas, através de concorrência, as empresas IMG, para representar a Conmebol na busca de patrocinadores para a Libertadores; e Synergy, para a Sul-Americana. Elas não compraram direitos da Conmebol para revendê-los ao mercado. Apenas buscam empresas que assinam contratos diretamente com a Conmebol, que então os remunerará de acordo com taxas pré-estabelecidas em nos respectivos contratos de parceria. Nada errado com nenhum modelo em particular, apenas nós na Conmebol acreditamos que este novo modelo auxilia nossa política de contas claras e transparência, símbolo da nova administração.

Essa parceria com a IMG e com a Synergy Sports é só para os dois próximos anos?
Só até o fim de 2018. Estamos trabalhando para em breve termos uma concorrência para uma agência que nos ajude na comercialização dos direitos, incluindo os de transmissão, para o período 2019-2022. Nosso objetivo é para ainda este ano, tão logo tenhamos selecionada a agência que mencionei.

A reboque dessas mudanças implantadas na imagem e gestão da Conmebol, qual o recado que o presidente Alejandro Domínguez te deu quando chegou e que tipo de exigências ele faz?
Tudo começou com o meu próprio processo de contratação, conduzida por uma empresa de RH em São Paulo, da forma mais padronizada para a contratação de um executivo na iniciativa privada. Eu não venho do meio do futebol e não conhecia ninguém na Conmebol. Este para mim já foi um primeiro sinal de profissionalismo. Quando cheguei ouvi do presidente Alejandro que o seu projeto de vida neste momento é a gestão profissional da Conmebol. E que o futebol é o centro de tudo, o dinheiro apenas um meio, e não o contrário. Este foi o recado, direto e com todas estas palavras. E as exigências foram muito simples: total comprometimento com as metas comerciais e com este novo modelo de ética e transparência que foi implantado na Conmebol desde 2016.

Alejandro Domínguez é o presidente da Conmebol (Foto: Divulgação/Conmebol)

Qual a estratégia para convencer as empresas a se associarem a uma Conmebol com um histórico tão negativo?
Esse tem sido realmente um desafio, escutamos isso do mercado em todas as reuniões que fazemos pelo mundo. As empresas são muito claras quando falam dos cuidados que têm para associarem suas marcas. E são rápidas e atentas também, e por isso têm nos recebido e ouvido com todos os detalhes quais são nossas mudanças, como as estamos realizando e onde pretendemos chegar. Desde 2016 implementamos diversas auditorias, aprovamos um novo estatuto e alteramos processos internos. Em abril, realizamos uma Congresso aberto à imprensa e com todas as informações financeiras e de gestão publicadas. Estamos agora executando uma administração profissional. E pretendemos chegar no futuro próximo em um estágio de maior valorização dos nossos produtos, o que nos trará mais recursos, que hoje já são 100% reinvestidos no futebol (quase 90% diretamente em repasse às federações e aos clubes que participam dos nossos torneios). Em resumo, nós somos uma entidade sem fins de lucro e com um único objetivo: o desenvolvimento do futebol na América do Sul. Tudo que fazemos temos que ter em mente este objetivo final. E, para isso, temos que reconstruir o significado da Conmebol. Temos que ser uma marca que proporcione uma conexão entre os aficionados de futebol e a sociedade. Queremos contribuir com a sociedade através do futebol, ser uma inspiração para toda a América do Sul. Temos que convidar a todos a acreditar sempre.

Entende que os acordos recentes de patrocínios para a Libertadores têm ligação com a mudança na fórmula?
A mudança na fórmula da competição a torna muito mais atraente para as transmissões e, consequentemente, maior visibilidade para as marcas ao longo de todo o ano. Mas as mudanças não seriam suficientes se não estivessem acompanhadas pela transformação da Conmebol, que está sendo muito bem percebida pelo mercado. O volume de acordos está dentro das expectativas no início do ano. Mas temos expectativas maiores para os próximos anos.

O quanto os traços de selvageria do futebol sul-americano atrapalham os negócios? Digo em relação à briga Palmeiras x Peñarol, por exemplo…
Todas as mudanças que estamos realizando no nosso modelo de gestão temos também que passar para toda a comunidade do futebol em nosso continente. Nós estamos cientes de que credibilidade se constrói de forma árdua e longa, e pode ser perdida rapidamente. Este tipo de episódio, por exemplo, não ajuda a ninguém.

O presidente que, além da Fox, há mais interessados nos direitos da Libertadores…
Temos recebidos sondagens normais dos principais players do mercado. E todos ouvem da Conmebol que estamos trabalhando para selecionarmos uma agência que nos ajudará a conduzir o processo de comercialização dos direitos, de patrocínio e de transmissão, para o período 2019-2022. E o acordo com esta agência será dentro do nosso novo modelo que mencionei acima, ou seja, não haverá por parte dela, seja quem ela for, compra dos direitos da Conmebol para revenda posterior.

Clubes se reuniram com a Conmebol na semana passada (Foto: Divulgação/Conmebol)

Já começaram a planejar estratégias para a Copa América-2019 ou isso vai depender da montagem do COL?

As duas coisas. Iniciamos o planejamento, temos o aval do Conselho para as conversas com a CBF e montagem do Comitê Organizador Local. E estamos fazendo isso. Nossa projeção de arrecadação não tem uma referência direta com a Copa Centenário, pois ela foi nos EUA, outro mercado, ou com a Copa-2014 e Rio-2016, até porque a Copa América será em 2019. Não parece tanto tempo depois, mas o mercado está evoluindo rápido. Nossas projeções são bem definidas no mercado brasileiro e também terão foco no mercado exterior.

Na CBF, há um recente crescimento de valorização do envelope das competições, como protocolo de jogo, um crescente interesse para implantar feed único… O que passa nas “cabeças” da Conmebol nesse sentido?
Uma evolução similar. Algumas novidades teremos em um futuro mais imediato, outras mais à médio prazo. Mas nunca podemos parar de acompanhar os mercados, as tecnologias e os modelos de negócio.

Que impressão teve da recente reunião ocorrida na CBF com os clubes?
A reunião foi uma ótima oportunidade para mostrar aos clubes presentes um pouco do que temos mostrado ao mercado e ao público de forma geral: a nossa transformação. Achamos que é importante estarmos próximos, porque não vamos fazer nada sozinhos. Em maio, por exemplo, realizamos um evento com mais de 50 personalidades da América do Sul para falar de futebol e gerar idéias para o desenvolvimento não apenas do futebol, mas da sociedade através do futebol. Outro exemplo foi um workshop que realizamos na última semana com os 16 clubes que classificaram às oitavas de final da Libertadores. Esta foi a primeira reunião da Subcomissão de Clubes, montada com o objetivo de escutar ideias e trabalharmos em conjunto para implementá-las. Nesta reunião se falou, entre outros assuntos, da VAR (Video Assistant Referee), uma inovação tecnológica já para um futuro próximo.



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