‘A CBDA precisa de união’, diz interventor após eleição da entidade



Designado pela Justiça para administrar temporariamente a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) após a prisão do ex-presidente Coaracy Nunes, o advogado Gustavo Licks fala à coluna sobre o período em que esteve à frente da entidade e da possibilidade da Fina não reconhecer o processo eleitoral ocorrido na última sexta-feira que elegeu Miguel Cagnoni como novo presidente da Confederação.

Como avalia a eleição da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos vencida pelo presidente da Federação Aquática Paulista, Miguel Cagnoni, na última sexta?
Foi uma vitória da democracia pois o pleito ocorreu com três candidatos e todos tiveram as mesmas oportunidades. Foram ouvidos dentro do processo eleitoral e participaram de mesas-redondas em iniciativa dos atletas. Foi, na verdade, uma vitória para o esporte brasileiro pois tudo foi feito dentro dos princípios adotados em qualquer lugar do mundo.

Miguel Cagnoni é a melhor opção para assumir a entidade?
Isso só o futuro irá dizer e espero que ele faça uma boa gestão. Torço para que ele tenha a união de todos e que deixe de lado as diferenças políticas. O que a CBDA mais precisa nesse momento é de união de forças. Meu papel foi de manter distância dos candidatos e suas posições mas ao mesmo tempo ter as portas abertas para ouví-los.

Sobre o comunicado da Fina de que pode não reconhecer as eleições e até suspender a CBDA. Acredita que isso possa acontecer?
Todos nós ficamos preocupados. Tomamos ciência disso na última quinta apesar de terem enviado o comunicado antes. Deve ter ocorrido um extravio do documento pois não o encontramos. Mas até esta segunda, antes de passar o cargo ao novo presidente, vamos enviar a ata para a Fina e mostrar que tudo foi feito com os mesmos valores e princípios adotados em outros países. Teve participação dos clubes, atletas e não houve desrespeito ao estatuto da CBDA. Com uma maior comunicação entre as entidades isso pode ser superado. Espero que tenham bom senso pois tudo foi feito pensando no melhor para o esporte. Não foi feito nada escondido e ninguém se opôs às eleições. E o processo eleitoral não foi decidido por mim, eu apenas segui e respetei o estatuto e a lei.

Pelos vários anos de contato entre Coaracy Nunes e dirigentes da Fina, acredita que essa possível retaliação à eleição possa ter articulação do ex-presidente da CBDA?
Não faço ideia mas torço para que isso não tenha ocorrido. Seria uma humilhação para nosso país pois o atleta viraria moeda de troca. Seria um pesadelo para mim uma articulação como essa.

Você disse não ter recebido o comunicado da Fina. Nesse período que ficou à frente da CBDA, houve comunicação entre você e a Federação Internacional?
Sim, tivemos vários contatos nesse período. Eles acompanharam todos os processos e protocolos adotados, sabiam de tudo como foi feito. E houve outras correspondências como em relação ao Troféu Maria Lenk e ao fato da prisão dos dirigentes ligados à CBDA. Em casos importantes como esses houve comunicação com a Fina.

Qual foi o maior desafio nesse período em que esteve à frente da CBDA?
Se tivesse um pouco mais de união entre Confederação, COB e Ministério do Esporte as coisas teriam ocorrido de uma maneira mais fácil. Uma transição como essa da CBDA não é um simples. O mais importante é que todos os atletas poderão viajar e participar das competições pois conseguimos suprir os problemas com o mínimo necessário para dar essa condição a eles.

Qual a situação que você encontrou na CBDA? Havia muitas irregularidades?
Identificar irregularidades não foi a minha missão. Se alguém fez ou encontrou algo errado lá tem que pagar, mas meu objetivo não foi esse. Pode ser que seja no futuro mas eu não tinha essa competência nessa minha função nos últimos meses. Minha vocação foi para ajudar e fazer o processo eleitoral. É natural que cada pessoa tenha o seu modelo de gestão, adota aquilo que acha o mais correto assim como ocorre em grandes empresas. Torço para que mudanças como essa sejam sempre para melhor.

Como foi sua indicação pela Justiça para ser o interventor na CBDA?
Eu trabalho para o Poder Judiciário há duas décadas e me especializei em assuntos próximos a esta necessidade da CBDA, por isso lembraram de mim. Recebi esse pedido da juíza mas a escolha é igual definir o dentista que você vai. Você pesquisa, pede indicações a amigos e depois define a opção que achar melhor.



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