Ricardo Teixeira deu ‘carona’ a presos por corrupção em avião da CBF



Em fevereiro de 2009, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, esteve nos Estados Unidos onde adquiriu para uso da entidade um jato executivo modelo Citation Sovereign, fabricado pela Cessna Aircraft, em Wichita, no Kansas. O valor pago pela aeronave foi de US$ 17 milhões (o equivalente a R$ 40 milhões no câmbio à época) em contrato assinado pelo próprio Teixeira. O voo para trazer o avião ao Brasil, entretanto, revela a proximidade do ex-mandatário da CBF com dirigentes que estão presos por crimes envolvendo o futebol e também gerou um processo que corre até hoje na Justiça envolvendo os custos de importação do jato pela entidade.

Idealizado para viagens intercontinentais com autonomia de 5,3 mil quilômetros e capacidade para 9 passageiros, o jato teve autorização de voo internacional válido por mês com validade até março de 2009. No documento emitido pela Anac e que a coluna teve acesso, são oito passageiros autorizados para o voo. Além de Teixeira e sua família (a mulher Ana Carolina e a filha Antônia), também estão na lista os nomes de Sandro Rosell Feliu e Chuck Blazer, presos nos Estados Unidos e na Espanha por fraudes no futebol.

Rosell foi executivo da Nike no Brasil nos anos 90 e o responsável pelo contrato da empresa com a CBF. Em 2010, assumiu a presidência do Barcelona tendo que deixar o cargo após ser acusado de fraude fiscal na polêmica contratação de Neymar. Rosell foi preso na semana passada, na Espanha, por esquema de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo jogos da Seleção Brasileira durante o mandato de Teixeira à frente da entidade.

Já Chuck Blazer é ex-secretário-geral da Confederação da América do Norte, Central e Caribe de Futebol (Concacaf) e peça central nas investigações da Justiça dos EUA e Suíça que culminaram no maior escândalo de corrupção que envolveu a Fifa. No mesmo ano que a operação foi deflagrada, o dirigente americano foi banido do esporte pelo Comitê de Ética da entidade.

Na autorização de voo do jato da CBF também consta na lista de passageiros autorizados o nome de sua esposa, a atriz americana Mary Lynn Blazer.

CBF - Autorização-min (1)

Nos locais de escalas do plano de voo da aeronave, são citadas as siglas de sete aeroportos: Wichita (KICT), Boca Raton (KBCT) e New Jersey (KTEB), nos EUA; além de Macapá (SBMQ), Santos Dument (SBRJ), São José dos Campos (SBSJ) e Jundiaí (SBSJ) no Brasil. Por conta da autonomia do jato executivo, a entrada no Brasil é pelo aeroporto de Macapá, enquanto que o local citado para inspeção da Receita Federal é o centro aéreo de São José dos Campos.

Não é possível afirmar, entretanto, o destino dos dirigentes já que o documento de entrada do avião da CBF no Brasil cita apenas o número de tripulantes (2) e não o de passageiros. O controle de fiscalização do aeroporto de Macapá aponta pouso da aeronave no dia 18 de fevereiro de 2009. No dia seguinte foi feito o registro de chegada jato no sistema de comércio exterior da Receita Federal.

Já a entrada da nova aeronava da CBF no país deu origem a um processo na Justiça que está em andamento até hoje. Na ação, a entidade tenta se livrar a incidência do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) sob o argumento de que o jato é para uso próprio e não comercial (leia mais aqui). A cobrança corresponde a 10% do preço total do produto e que soma quase R$ 4,2 milhões.



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