Técnico campeão com a sub-17 fica no cargo e não se surpreende com Vinícius Júnior



Carlos Amadeu é cumprimentado por Edu Gaspar (Foto: Lucas Figueiredo)

Carlos Amadeu é cumprimentado por Edu Gaspar (Foto: Lucas Figueiredo)

Carlos Amadeu, técnico da Seleção Brasileira sub-17 que, com muito êxito e de forma invicta, conseguiu a conquista do título do Sul-Americano da categoria. Depois da incerteza que viveu ao ver as demissões do coordenador Erasmo Damiano e de Rogério Micale, que comandava a sub-20, Amadeu agora já ganhou uma garantia de permanência no cargo. Ele conversou com Edu Gaspar sobre o projeto para a base e vai preparar o time para a disputa do Mundial.

Um trunfo para o sucesso foi o desempenho de Vinícius Júnior, atacante do Flamengo e considerado uma joia entre os garotos do Brasil. Surpresa com o quanto jogou o rapaz? Nenhuma.

Qual o tamanho do alívio por ter vencido o sul-americano do jeito que foi, sobretudo pelo que aconteceu com o Micale, demitido pelo insucesso na mesma competição?
O que posso responder é a respeito do tamanho da alegria e da satisfação pela sensação de dever cumprido com a classificação para o Mundial, a conquista do título, e pela forma como tudo foi construído. Todo esse trabalho, desde o professor Guilherme Dalla Déa até hoje, foi de forma muito positiva. Uma geração que conquistou o Sul-Americano Sub-15 de fome invicta, conquistou agora o Sul-Americano Sub-17, também de forma Invicta, e como eles estão, a cada dia que passa, mais comprometidos, mais dedicados com a camisa da Seleção Brasileira, com seu país e com o futebol brasileiro. O que a gente fica alegre é por isso. Consegue dimensionar a alegria, o prazer de ter feito o melhor trabalho pela minha Seleção e pelo meu país.

Como foi a conversa com Edu Gaspar? Você permanece no cargo? Chegou a pensar em sair ou que seria demitido?
A conversa com o Edu foi muito boa e continuo sim, é o trabalho que eu venho desenvolvendo frente à Seleção Sub-17. Eu já tenho muitos anos no futebol. Entrei como atleta em 1983, depois comecei a trabalhar como treinador em 1991, então eu já vi de tudo no futebol. Acho que a essa altura entendemos que faz parte de um contexto, que é o que nós vivemos. Temos de nos adaptar às situações e continuar nosso trabalho.

Você se surpreendeu com o nível do futebol do garotos, especialmente o Vinicius Júnior?
Não, não me surpreende de jeito nenhum pelo que vínhamos apresentando. Todo esse nível desde que o professor Guilherme começou o trabalho na Sub-15 e foi campeão Sul-Americano. A gente vinha também de alguns torneios bem sucedidos e com um bom nível de jogo. Ano passado essa equipe fez 16 jogos internacionais, venceu 12, empatou 3, perdendo apenas uma partida. Esse ano fizemos três jogos-treinos com equipes sub-20 do Rio de Janeiro e vencemos todas as três. Nos treinamentos vínhamos desempenhado um nível muito interessante. Lógico que tivemos algumas dificuldades na primeira fase, sobretudo pelo campo com gramado irregular, que soltava as placas, mas quando a gente veio para uma sede com campo melhor, a gente pôde explorar todo o nível dessa equipe. Então acho que a força do coletivo desta equipe é muito grande e esperamos manter esse nível até o Mundial.

Por que o time deu tanta “liga”? Como manter os garotos com os pés no chão à medida em que o time passou a “voar” em campo?
O trabalho vem sendo feito ao longo dos dos anos, ele não é feito na véspera de uma competição, vem sendo construído. O time não deu liga agora que imprensa acompanhou. Agora que os jogos passaram ao vivo, diferentemente do Sub-15 e dos amistosos, todos passaram a conhecer essa geração, conhecer a forma de jogar dessa equipe. Mas ela está, na realidade, dando liga há tempos, ela vem crescendo, ela vem melhorando a cada torneio, a cada competição, e isso é muito positivo. Com relação a estas outras questões, também é um trabalho de longo prazo, ele vem acontecendo,ao longo dos anos. Todas essas questões de euforia, da derrota também, do momento difícil, da superação. Isso reflete com tranquilidade na competição. Vai ter o momento que nós vamos perder, como nós passamos a dificuldade contra o Paraguai, e dentro da própria competição a gente superou com muita tranquilidade.

Qual a característica da competição te chamou atenção, seja no aspecto técnico ou outro?
O que me chama atenção não só nesse torneio sul-americano, que nós participamos diretamente, mas ao longo dos anos a gente vem observando o futebol no mundo e ele vem crescendo, o equilíbrio cada vez está mais presente. Então é isso o que me chama atenção. Não que surpreenda, de jeito nenhum, mas chama a atenção, porque você pode tanto ser campeão no torneio, como pode ficar no meio do caminho e até mesmo não classificar. A gente tem que trabalhar muito e de forma correta para manter a nossa hegemonia na América do Sul.

O que espera do projeto da CBF para a base a partir de agora? O que projeta para o Mundial? E se o título não vier?
A gente espera que nessa sequência se aproveite tudo o que foi feito de positivo até o presente momento e que acrescente também. O importante é que a gente continue a crescer, que o futebol brasileiro continue a fomentar a formação dos treinadores de base no Brasil, como tem sido feito, e que melhore mais ainda as condições de trabalho a cada dia, independentemente de quem esteja à frente. Hoje somos nós, amanhã são outros profissionais e que a gente tem que continuar torcendo para que trabalho continue sendo bem feito. A perspectiva para o Mundial é que a gente vai continuar trabalhando com foco muito firme nesse nesse objetivo. Esperamos fazer a melhor campanha possível. O Brasil, quando entra numa competição, sempre espera-se que brigue pelo título, mas nem sempre é possível e a gente encara um campeonato mundial como uma competição extremamente difícil. O Brasil sempre é um dos favoritos, mas nós temos grandes equipes que podem disputar essa essa competição, há muito equilíbrio e ainda tem muita coisa para acontecer até lá. Vamos trabalhar bastante para chegarmos prontos.



  • Zé Jagunço

    A imprensa quer fazer o nome de garoto de qualquer jeito. Parece matéria comprada.

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