‘Serão 6,5 mil testes este ano’, diz presidente da comissão antidoping da CBF



Presidente da comissão de controle de doping da CBF, Fernando Solera fala sobre o descredenciamento do país pela Wada por conta da não conformidade na composição do recém-criado Tribunal de Justiça Antidoping (TJD-AD), a negociação para a CBF passar a realizar seus testes no laboratório do Rio ao invés de enviar para o exterior, e sua indicação pela Fifa para ser autoridade antidoping no país.

Você foi indicado pela Fifa como autoridade antidoping no país. Isso muda sua atuação?
É uma grande responsabilidade e isso deve ao trabalho que tenho realizado em conjunto com o Jorge Pagura, presidente da comissão de médicos da CBF, Com esse título, a responsabilidade é organizar todo o controle de doping no futebol, tanto masculino quanto feminino, que tem três pilares: Controle em Excelência, onde não pode ter nenhuma não-conformidade às regras da Fifa; Educação Continuada, que é garantir treinamento para os profissionais e clubes; e Presença nos Tribunais de Justiça, onde tenho que frequentar os tribunais quando tiver um caso de doping na pauta.

Como avalia o atual controle de doping?
Vou dar uma visão tendo como exemplo o Paulistão. Nos últimos três anos, o número de casos constatados aumentou mais de três vezes, passando de 4 casos em 2014 para 14 em 2016. Isso se deve ao maior rigor do controle mas a sua grande maioria são de casos involuntários, como tomar algum medicamento com substância proibida sem saber. Por isso estamos indo nos clubes e participando de eventos para educar e alertar os atletas sobre esse problema.

Qual a previsão de exames para este ano?
A previsão da CBF é de 6,5 mil testes neste ano. Fazemos mais que a Uefa e a Conmebol. O Comitê Olímpico Italiano, por exemplo, fez 3 mil.

Em relação aos estaduais, acha que o controle feito hoje é o ideal?
A Federação Paulista (FPF) aumentou em 30% o número de exames incluindo as séries A3 e B.

Mas a FPF não é uma exceção?
Isso é um fato. As outras federações têm que ter um programa de controle de doping mais rígido. A CBF sempre aconselha as federações a ter esse controle. Mas isso é feito com maior rigor apenas no Paulistão até porque é um torneio rico, nem todas as entidades conseguem ter um controle desse. Mas nos últimos cinco anos, o número tem aumentado ano a ano, nunca regrediu. De uma maneira geral, estamos avançando bem.

A CBF não poderia bancar esse controle?
Não sei se existe essa possibilidade. Sei que a CBF ajuda muito os torneios que ela organiza, mas em relação aos estaduais não sei se existe uma cláusula legal para isso ocorrer.

Como estão as negociações para a CBF deixar de mandar as amostras para o exterior e realizar os testes no Laboratório do Rio?
Eu e o Pagura fizemos três reuniões no Laboratório, no ano passado, e mais uma este ano. Estamos perto do que é viável para a CBF e para o Laboratório mas ainda não temos uma proposta final. Nos EUA o preço é de 130 dólares e precisa chegar perto disso. Eles estão fazendo estudos e estamos aguardando. O valor que esperamos é em torno de 150 dólares e o doutor Marco Polo (Del Nero, presidente da CBF) quer que faça no Rio. O Laboratório é um espetáculo, com aparelhos idênticos aos da Suiça. E o preço é elevado pois o controle dos equipamentos e os reagentes usados são de fora, pago em dólar.

O Brasil está descredenciado junto à Wada. Como vê essa situação?
O secretário Rogério Sampaio, da ABCD, tem trabalhado dia e noite para resolver essa situação. E um dos membros, o Luciano Hostins, que é o presidente do Tribunal, foi na Wada essa semana para mostrar que nosso órgão está 100% dentro das normas. Os membros não estão mais ligados às confederações e não haverá esse conflito de interesse, como aponta a Wada. Foi uma suspensão causada por uma dúvida e a expectativa é que isso se resolva logo.

Qual a avaliação que faz de Rogério Sampaio à frente da ABCD? Dá para fazer uma comparação com o antigo secretário, Marco Aurelio Klein?
O Klein pegou uma situação onde não existia nada e ele criou a ABCD. Tudo o que temos hoje foi ele quem criou o Laboratório no Rio deveria chamar “Laboratório Marco Aurelio Klein”. Por motivos que eu não sei quais foi substituído pelo Rogério Sampaio, um ex-atleta que consegue ver essa questão como alguém que já esteve do outro lado. Não tenho dúvidas que conseguirá recredenciar o Brasil junto à Wada.



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