‘A CBF era um carro popular e hoje é uma Ferrari’, diz presidente da Federação Pernambucana



Presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) há três anos, Evando Carvalho não economiza nas palavras para ressaltar os benefícios para o clubes do formato que adotou para o Estadual, cuja primeira fase conta apenas com times menores e começa no final do ano anterior. “É a solução para salvar os estaduais e será copiado pelas outras federações”, diz ele nesta entrevista à coluna, onde também faz elogios e críticas à CBF, que segundo ele precisa distribuir melhor o que chama de “mensalinho” entre as entidades.

Você esteve em Brasília, na semana passada. Foi para debater a Lei do Futebol?
Vou a Brasília quase que semanalmente para falar com deputados e ministros sobre questões que envolvem o futebol. A Lei do Futebol esteve entre os assuntos sim. O relatório foi entregue no final do ano passado e há a necessidade desse projeto andar. O problema é que será instalada outra Comissão do Esporte na semana que vem e isso pode atrapalhar, pois o trabalho vinha sendo realizado por um grupo e agora entrará outro. É um contrassenso. Há questões importantes incluídas no documento como direitos trabalhistas dos jogadores e dos clubes formadores de atletas que precisam ser resolvidas com a revisão das leis atuais. Mas agora vai começar outra Comissão e espero que deem sequência ao que já foi feito.

Uma das iniciativas suas à frente da FPF foi mudar o formato do Estadual. Qual o resultado das mudanças?
É um modelo novo, que começou há três anos com o início do torneio em dezembro com as equipes médias e pequenas, onde os melhores se juntam aos principais times na outra fase. Além disso, as classificações estão diretamente ligadas aos clubes do Estado que vão disputar os torneios nacionais e Copa do Nordeste. Dessa forma, conseguimos fazer com que todos os clubes joguem pelo menos seis meses. Com exceção de São Paulo, que tem o torneio mais forte e rico do país, todos os outros devem copiar esse modelo, tanto que o Rio de Janeiro já adotou esse ano e no Maranhão também. É o único jeito para salvar os Estaduais e esse ano pretendo antecipar o início para outubro, juntando os clubes das Séries B e os menores da A nesta primeira fase.

Quais os benefícios desse modelo?
Além de aumentar os jogos para os clubes menores, diminuiu o número de partidas dos grandes e o Estadual não ficou tão deficitário, com muitas viagens e jogos sem atratividade. O modelo antigo, com todo mundo jogando contra todo mundo não dá mais, o calendário já está muito apertado. Além de ter menor jogos, os grandes também passaram a atuar em estádios melhores, pois aumentaram as opções para realizar o jogo.

Houve rejeição para adotar esse formato para o Estadual?
No começo sim pois todo mundo reclamou falando que dezembro é um mês de férias e não de jogos. Mas os clubes menores param de jogar no meio do ano, por que precisa de férias em dezembro? Mas logo entenderam que era melhor. E também tive que ter o aval do Ministério do Esporte para antecipar o início para o ano anterior e fazer essas partidas no final do ano.

O que achou das regras de licenciamento dos clubes divulgadas pela CBF?
A ideia é boa e tem normas ali que são positivas para o futebol brasileiro. O único problema é que precisa ter um período maior de adaptação para os clubes. Além disso, seria preciso criar níveis com normas para cada tipo de clube. Aqui não é o Canadá, não é a Suíça… há muita desigualdade entre os clubes de futebol. Com as dimensões continentais do Brasil, um clube do interior da Paraíba não tem as mesmas condições de investimento e adaptação que os clubes grandes do Sul e Sudeste. É preciso ter essa diferenciação.

Qual a avaliação que você faz da CBF atualmente?
Não há como negar que houve uma evolução na gestão da CBF, o desenvolvimento do futebol brasileiro deu um salto em relação à época do Ricardo Teixeira e de José Maria Marin. Antes a CBF era um carro popular e hoje é uma Ferrari e há muito mérito das federações e clubes nessa mudança pois foram lá cobrar. Mas está longe de ser o suficiente. Para melhorar mais precisa primeiro resolver essa questão política, enquanto o Marco Polo Del Nero não resolver a sua situação no Caso Fifa as dúvidas em relação a ele vão continuar.

Que outras questões a CBF precisa melhorar?
Em relação às federações, a CBF precisa proporcionalizar melhor o “mensalinho”, que é como a imprensa chama o dinheiro repassado todo mês de cerca de R$ 70 mil. Uma federação pequena, que gasta apenas R$ 30 mil, deve gostar. Mas e eu que tenho uma despesa de R$ 180 mil? Para conseguir o restante no mercado atual, de crise, é muito complicado. A CBF precisa criar uma linha de crédito para bancar os projetos sérios que são apresentados pelas federações, e não repassar um valor igual para todas. Se alguma entidade não merecer, não dá nada. Mas tem que ajudar quem tem um projeto sério e bom para o futebol. Essa é uma falha da CBF e espero que resolva isso um dia.

E quem deve ocupar a cadeira de vice-presidente de Delfim Peixoto, que faleceu na tragédia da Chapecoense?
Ter cinco vice-presidentes é uma bobagem, tinha que ser apenas um. Colocaram cinco representando as regiões apenas para enfraquecer as federações. Cinco e nada é a mesma coisa. Com apenas um vice executivo o cargo seria valorizado e quem ocupar iria dar importância à sua representatividade política. Creio que na próxima reforma do estatuto da CBF vão propor essa mudança.



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