‘Eu não posso chamar de Arena Palmeiras um estádio que se chama Allianz Parque’, diz executivo do Esporte Interativo



Diretor de direitos do Esporte Interativo, Bernardo Ramalho fala nesta entrevista à coluna sobre a concorrência com a Globo pelos direitos de transmissão no futebol brasileiro, a polêmica em relação ao pagamento de luvas na parceria com os clubes e a importância do acordo fechado com o atual campeão brasileiro, o Palmeiras, cujo contrato prevê que o nome Allianz Parque seja falado durante as transmissões.
Como avalia a presença do Esporte Interativo no futebol brasileiro?
Temos uma história ainda recente, mas muito intensa. As nossas transmissões partem do princípio de que futebol é paixão e emoção e é isso que queremos levar aos apaixonados por esportes no Brasil. Iniciamos também a mídia completamente misturada ao conteúdo, foi um processo que começou lá atrás, de muito teste, muito aprendizado, que continua até hoje. Acho que os outros canais deram passos nessa direção também e isso é ótimo. Essa mudança dá opção para as pessoas que querem ver uma transmissão. Por isso é muito bom que exista mais de um player no mercado brasileiro fazendo transmissões. Isso vai incentivar outros canais a se interessarem pelo futebol brasileiro, assim como se interessam e participam dos processos de licitação para a compra de direitos internacionais para o Brasil. Acreditamos que num mercado com concorrência perfeita, os valores dos diretos sobem e o futebol brasileiro terá chance de competir em pé de igualdade com outros mercados.

Acredita que o processo no Cade que apura possível monopólio da Globo irá interferir nas negociações de direitos de transmissão?
A atuação do CADE em 2011 garantiu que os contratos para direitos de transmissão fossem separados por plataformas de mídia e que fossem proibidos direitos de preferência nesses mesmos contratos. Se não fossem essas condições a compra dos direitos do Brasileirão não seria possível. Todo acordo de direitos elaborado ou aditivado a partir dessa data, deveria ser feito dessa forma – plataforma por plataforma e sem preferência.

Sobre o pagamento de luvas aos clubes para os contratos de TV. Isso é praxe no mercado como um todo ou ocorre apenas no futebol
Pagamento de luvas em contratos de transmissão de TV de futebol e outros esportes acontece com frequência aqui e na Europa.

Como o Esporte Interativo vê isso? Teve que pagar para fechar os contratos?
É uma praxe do mercado e pagamos sim para a assinatura dos contratos. Nossa visão, é que só não pode ser usada para reduzir o pagamento de valores futuros e com isso garantir a assinatura dos contratos. Os donos de direitos precisam fazer a conta para saber o valor real pelo qual estão vendendo seus direitos mais valiosos.

Há quem aponte que esse dinheiro fere o Profut pois é um adiantamento da receita da gestão posterior. Como vê isso?
Acho que toda discussão é válida, se a ideia é melhorar o futebol brasileiro. O que posso dizer é que todos os nossos contratos estão de acordo com a legislação vigente.

No Nordeste o EI só não tem contrato com os estaduais da Bahia e Pernambuco. Tem negociado também para os estaduais das regiões Sul e Sudeste?
A maioria desses contratos ainda carregam cláusulas de preferência. E isso impede a entrada de outros competidores. Assim como ocorre também com a Copa do Brasil.

O canal fechou contrato com 16 clubes para a TV fechada entre 2019 e 2024. A meta foi atingida?
Sim, são 16 clubes o que para a gente já faz com que o projeto se torne viável. Esse era o objetivo.

O último time a fechar foi o Palmeiras, logo depois do título brasileiro. Qual a importância desse acordo para o canal?
A entrada do Palmeiras foi muito relevante. Pelo tamanho da torcida e pelos títulos recentes, com certeza isso somou muito para o Grupo. E esse acordo também validou uma série de premissas do nosso projeto. Eu não posso chamar de Arena Palmeiras um estádio que se chama Allianz Parque. E isso está no contrato entre outros pontos. Nós também nos comprometemos a ceder os jogos para utilização dos clubes após o encerramento dos mesmos, assim como os grandes clubes da Europa têm e, com isso, conseguem gerar valor para os seus canais de clubes. Nós também nos comprometemos a incentivar os programas de sócio-torcedor dos clubes com mídia no digital e na TV para garantir que vamos ajudar os clubes nessa linha tão importante de geração de receita.



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