‘A CBF entendeu que nossa intenção não é política’, diz CEO da Primeira Liga



CEO da Primeira Liga, o executivo José Sabino fala sobre os desafios para organizar a segunda edição do torneio por conta das mudanças no calendário do futebol brasileiro, a relação atual com a CBF e as receitas obtidas com patrocínios, que diz já ser o dobro da obtida no ano passado.

A poucos dias para o início do torneio, qual a avaliação que faz para essa 2ª edição da Copa da Primeira Liga?
A edição deste ano foi ampliada de uma forma geral, com mais clubes e estrutura. Pudemos organizar com mais calma pois a do ano passado foi feita na marra, com muita resistência de federações e da CBF. Hoje já há um entendimento de um avanço por ser um modelo inovador com os clubes tomando as rédeas dos negócios. Para este ano também sofremos muito com a questão do calendário, do momento do futebol brasileiro e do país como um todo, pois a crise atinge a todos. A Liga não está isolada com o que ocorre no país.

Como a Liga lidou com as mudanças no calendário do futebol brasileiro?
Dividimos a competição em duas etapas por conta dessas mudanças, fazendo a fase de grupos no início do ano e a fase final no segundo semestre. Tivemos que aproveitar as datas disponíveis e um domingo que não tiver futebol poderá ter jogos da Primeira Liga. Ficou um modelo interessante pois abre a oportunidade de ter um crescimento do produto ao longo do torneio, podendo fechar acordos para a fase final. Os percalços que surgiram, como as alterações nos calendários da Libertadores e da Copa do Brasil, fazem parte do jogo.

A Primeira Liga não apareceu no calendário da CBF. Acha que ainda há uma retaliação da entidade em relação à Primeira Liga?
A CBF já entende que a Copa da Primeira Liga é um produto importante, seja em receita ou exposição para os clubes, e não tem jogado contra. Eles entenderam que a intenção da Liga não é política e que não irá ferir o Brasileirão ou a Copa do Brasil. Posso falar que hoje já é um torneio mais consolidado e que tem gerado receita para os clubes. A CBF tem problemas no calendário pois também foi atropelada pelo calendário da Conmebol e está acertando o futebol brasileiro como um todo.

Há conversas com a CBF? Como é a relação da Liga com a entidade hoje?
Existe uma relação cordial com a CBF. Não temos uma relação estreita mas também não há uma batalha. Há discussões em certos momentos visando melhorias no futebol mais isso acaba ocorrendo diretamente com os clubes, que são filiados e as conversas ocorrem naturalmente.

Qual foi o impacto da saída do Atlético-PR e Coritiba da Liga após discordarem da divisão das cotas de TV?
A opção de não participar do torneio é um direito deles. Foi uma opção feita por eles pensando na melhor estratégia que eles têm no futebol brasileiro, não cabe a mim julgar. Mas havia uma diferença ideológica em pensar o futuro do futebol brasileiro e eles optaram por não participar. Mas nada impede que eles voltem a fazer parte da Liga no próximo ano, até porque são dois dos clubes fundadores e tiveram papel importante na fundação da Liga.

Naquele momento das discussões chegou a ter receio da Liga acabar?
Acabar não, isso não aconteceu. Mas teve situações complicadas para resolver como o calendário, que já estava todo montado e tivemos que discutir tudo novamente, principalmente depois das mudanças nas datas da Libertadores. Teve muito debate para mudar mas todos os clubes queriam fazer as alterações.

Como estão os acordos de patrocínio para a competição?
Hoje, antes de começar a competição, já temos um valor mais significativo que a edição do ano passado. É claro que o momento econômico atrapalha todo mundo e qualquer evento hoje, em qualquer área, tem dificuldade em fechar contratos de patrocínio. Mas o prazo que tivemos este ano nos deu mais tranquilidade para ter um produto pronto com um certo tempo de antecedência, diferente do ano passado.

Quanto já foi atingido em valores?
Há um acordo da Liga para não comentar valores. Mas a expectativa é que tenha um aumento significativo em relação ao ano passado. Hoje posso dizer que já é o dobro da edição de 2016 e no decorrer da competição deve ser ainda maior.

A Liga pretendia fazer uma licitação para a escolha dos canais que vão transmitir o torneio. Por que essa concorrência não ocorreu?
Para fazer uma licitação é preciso ter uma segurança no número de emissoras interessadas. Conversamos com todas as empresas do setor e por conta de uma série de indefinições não foi possível realizar essa concorrência. Entendemos que havia uma incerteza quanto ao interesse e nesse período surgiu a proposta da Globo para fechar por três anos até 2019. Até lá, o produto já estará mais consolidado para podermos partir para um novo modelo de negociação. E ter um acordo com a Globo, com a presença que ela tem no futebol, ajuda a atrair parceiros para o produto.

Qual o valor da premiação da Copa da Primeira Liga?
Em relação ao prêmio, houve uma decisão entre os clubes e colocamos um valor significativo para valorizar a competição. Vamos premiar por fases, com valores para os clubes que chegarem nas quartas-de-final, outro para as semifinais, para o finalista e o prêmio maior para o campeão. No total, a premiação chegará a mais de 25% do obtido com a cota de TV.



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