‘Teremos uma contratação de impacto’, diz executivo da Chapecoense



Responsável por reconstruir o departamento de futebol da Chapecoense após o trágico acidente aéreo na Colômbia, o executivo Rui Costa fala à coluna sobre o desafios para montar o elenco e como os clubes têm ajudado a equipe catarinense.

Como foi sua contratação para trabalhar na Chapecoense e o que passou pela sua cabeça quando recebeu o convite?
No dia da final da Copa do Brasil, assisti a partida pois fiz parte do Grêmio por muito tempo e me emocionei com as homenagens feitas naquele dia à Chapecoense. Ali passou em minha cabeça como poder participar e ajudar a equipe de alguma forma. Por coincidência, no dia seguinte uma pessoa ligada ao clube me ligou perguntando se eu poderia ir até Chapecó. Era tanta a urgência que fui de carro de Porto Alegre para lá, e é uma viagem longa. Achei estranho pois a reunião foi na casa do novo presidente (Plínio David de Nês Filho), mas isso já mostrou que o clube é diferente, muito acolhedor e ligado à cidade. O patamar é diferente do que poderia ter em outro clube, mas aqui é um trabalho especial. A reunião durou uma hora e já fiquei por aqui com a roupa do corpo, nem voltei para Porto Alegre. O projeto é tão encantador e forte que não pensei duas vezes em aceitar e minha família também está vindo para fazer parte da comunidade de Chapecó.
Você tinha outras propostas?
Vinha negociando há um tempo com um clube e no mesmo dia da reunião um outro clube me contatou. Mas não podia poderia dizer não à Chapecoense.

Qual tem sido o maior desafio?
Estou tendo que reconstruir todo o departamento de futebol praticamente do zero. Mas o maior desafio para mim, no momento, é fazer com que as pessoas entendam que não viemos aqui para ocupar o lugar de quem nos deixou mas sim para dar continuação a um projeto muito bonito que estava sendo construído. Hoje, a Chape é um outro clube, com um potencial muito maior, e meu papel será o de encurtar esse caminho de atingir esse nível mais alto o quanto antes. Infelizmente, isso ocorreu por conta de uma tragédia e é preciso ter capacidade e sensibilidade para trabalhar.

Qual a situação do elenco hoje?
Passamos a 1 fase e hoje estamos em um patamar intermediário. Confesso que tinha receio em relação à data de hoje (a entrevista ocorreu na última sexta, dia de apresentação do elenco) pois o clima poderia ser de pessimismo e o que vimos foi semblantes sérios e comprometidos nos atletas. Estaremos conectados ao acidente durante todo o ano mas estamos prontos para lidar com essa situação.

Quantos jogadores ainda precisam ser contratados? Que posição mais preocupa?
Tinham 30 jogadores na apresentação com o Neto e muitos da base. Mas a ideia é trabalhar com 25 a 28 jogadores. Hoje, já temos um time para colocar em campo e estamos priorizando atletas que possam atuar em mais de uma posição. Talvez o gol ainda seja a posição mais carente. Temos dois goleiros mas estamos perto de trazer um jogador que muitos times gostariam de ter. A ideia é fazer mais 5 ou 6 contratações para ter um bom elenco. E queremos fazer uma contratação impactante, que dê mídia e reforce a marca do clube, mas isso é um 2 passo, antes precisamos ter a equipe estruturada.

Muitos clubes anunciaram ajuda após o acidente? Essa ajuda tem ocorrido?
Sempre que há comoção, há também uma manifestação exagerada. E se falaram muitas coisas exageradas, para o bem e para o mal. Um exemplo foi a que o Ronaldinho Gaúcho iria jogar na Chape. É claro que muitos clubes têm ajudado, como o Barcelona que enviou dinheiro, o Sport que doou a renda de um jogo, o Palmeiras que é o clube que mais tem ajudado. Mas não podemos deixar de ter o poder de escolha, pois quero ter quem pode agregar e não só por receber um atleta gratuitamente. Não posso fazer um trabalho profissional apenas com gratidão.

A Chape vai disputar muitos torneios em 2017. Isso não pode prejudicar a temporada de um time em reconstrução?
O número de jogos é uma decorrência de tudo o que aconteceu. Jogar a Libertadores é o sonho de qualquer clube sul-americano e não dá para recusar um convite do Barcelona para disputar o Troféu Joan Gramper. A Recopa também são dois jogos cujo título pode colocar a equipe em outro patamar. Serão quase 80 jogos e a construção do elenco está sendo feita considerando isso.



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