Estudo indica que Aidar acerta ao dizer que Juvenal ‘quebrou’ o São Paulo



Carlos Miguel Aidar criticou a gestão financeira de seu antecessor, Juvenal Juvêncio

O pivô da briga pública entre o presidente Carlos Miguel Aidar e seu antecessor e ex-aliado Juvenal Juvêncio foram as finanças do clube. Aidar disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que encontrou o clube ‘quebrado’ quando assumiu a presidência, em abril de 2014. Juvêncio, do outro lado, se defendeu dizendo que o Tricolor Paulista terminou 2013 com R$ 29 milhões de superávit.

Nenhuma das afirmações é falsa. No entanto, um estudo divulgado pelo Itau BBA sobre a situação econômica e financeira dos clubes brasileiros mostra que o atual mandatário tricolor tem mais razão do que seu antecessor quando o assunto é o caixa do clube.

Primeiro, ao apontar que o resultado financeiro 2013 foi ‘maquiado’ pela venda de jogadores, sobretudo pela negociação de Lucas com o Paris Saint Germain, que somaram R$ 148 milhões aos cofres do São Paulo. O valor é quase seis vezes maior do que a média da venda de jogadores em 2011-2012, de cerca de R$ 27 milhões anuais.

Por isso, os analistas do Itau BBA preferem calcular a evolução das finanças dos clubes sem levar em conta as receitas com a venda de jogadores. E nessa comparação,  o São Paulo da gestão Juvêncio teve, ao contrário do que afirma o cartola, uma receita R$ 30 milhões menor em 2013 do que a observada em 2012.

Além disso, o banco mostra que Juvenal Juvêncio comprometeu receitas futuras de TV a partir de 2012, abocanhando neste ano incríveis R$ 112 milhões de reais da Globo – valor superior ao auferido pela Flamengo neste ano, R$ 105 milhões. Por isso, em 2013 a participação da venda de direitos de TV na receita do São Paulo despencou de 45% do total em 2012 para apenas 25% em 2013.

Dessa forma, o banco aponta que a gestão de Juvêncio aumentou as despesas e custos do São Paulo em um ritmo maior do que o das receitas. Um dado que mostra esse fenômeno é o valor gasto em contratações em 2012 (R$ 67 milhões) e 2013 (R$ 22 milhões), totalizando R$ 89 milhões. Segundo o estudo, o clube assumiu um compromisso salarial para os próximos anos com base em um cenário de aumento contínuo das receitas do futebol brasileiro, cenário este que se deteriorou em 2013 e 2014. Agora, o clube tem dificuldade em diminuir essas despesas fixas.

E a situação em 2014 não é favorável. O departamento financeiro já trabalha com um déficit de R$ 30 milhões em 2014, caso não venda mais nenhum jogador. Além disso, o cenário econômico do futebol em geral não colabora.  A Consultoria Trevisan calculou que as receitas dos 14 maiores clubes devam sofrer uma retração de 7% em relação à 2013, e o mercado de patrocínio esportivo ainda não se recuperou do período de investimento na Copa do Mundo.

O presidente Carlos Miguel Aidar pode estar certo nas críticas a Juvenal Juvêncio, mas tem muito trabalho pela frente para tirar o clube do vermelho.

 

 

 



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