Gerente de grupo que acusou fraude eleitoral aprovou ‘sócios-fantasmas’ em 2013



Sócios 'fantasmas' como Al Capone e Alezandre Nardoni foram apresentados pela Terceira Via

Sócios ‘fantasmas’ como o ditador Augusto Pinochet e o assassino Alexandre Nardoni foram revelados pela Terceira Via para barrar o voto à distância

A atual gerente administrativa da chapa de oposição Terceira Via Santista, Paula Madeira, era a Coordenadora da Secretaria Social do clube –  trabalho que envolvia o cadastramento de novos associados do programa Sócio Rei –  quando carteirinhas de “sócios-fantasmas” foram aceitas no sistema do clube, em 26 de dezembro de 2013.

As carteirinhas fantasmas – todas em nome de personagens curiosos, como o do ditador Augusto Pinochet –  foram reveleladas por Orlando Rollo, conselheiro da chapa oposicionista Terceira Via, para provar que o sistema eleitoral do Santos não era à prova de manipulação.

Com a divulgação do caso  no dia anterior a votação do voto pela internet no Conselho Deliberativo santista, a proposta foi barrada por 85 votos a 80, uma derrota histórica para a diretoria – que ostentava apoio de dois terços do plenário em votações anteriores.

A diretoria contra-atacou em duas ocasiões. Primeiro, disse já estar ciente de cadastros com problemas  desde que a Serasa foi contratada para auditar a base de dados de sócios do Santos. Cerca de cinco mil carteirinhas, incluindo as seis da denúncia, já estariam enquadradas pela auditoria.

Nesta terça-feira, 29, o próprio presidente Odílio Rodrigues veio à público apresentar um dossiê, no qual aponta que as seis carteiras apresentadas foram solicitadas e aprovadas no dia 26 de novembro. Além disso, todas teriam sido enviadas a endereços ligados a membros da Terceira Via.

Em resposta, Rollo classificou de “ridícula” a tentativa de a diretoria associar os sócios-fantasmas à Terceira Via, já que não haveria condições de o grupo influenciar um processo interno  do Santos.

Em resposta à reportagem, Paula Madeira argumentou que, durante o tempo em que ocupou a coordenadoria da Secretaria Social do clube, ela não tinha acesso à base de dados do programa de sócios-torcedores e nem o poder de aprovar ou reprovar novos associados.

No entanto, o artigo 9 do estatuto do Santos  diz que novos associados serão aprovados após o uso das informações da Secretaria Social do clube, submetidas ao crivo da Divisão de Investigação e Sindicância do Departamento Jurídico.

RELAÇÕES POLÍTICAS

Paula Madeira tornou-se funcionária do Santos no fim de 2009,  após  a eleição do presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, o LAOR, do qual fez parte do esforço de campanha na chapa Resgate Santista.

Com a saída de LAOR e a entrada de Odílio Rodrigues – mais ligado à chapa Eu Sou Santos – Paula e mais dois colegas,  ligados à Resgate Santista, foram demitidos no dia 6 de janeiro de 2014.

Na ocasião, o próprio Orlando Rollo publicou uma mensagem de apoio para  Paula, atribuindo sua demissão a motivações políticas.

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Em 2 de abril, Paula anunciou em seu perfil no Facebook que seria a nova gerente administrativa da Terceira Via, quando também aproveitou para destacar sua “grande amizade” com os fundadores do grupo de oposição.
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Em resposta à reportagem, Paula afirmou que é amiga de Rollo desde 2009, quando o oposicionista ocupava a vice-presidência do Conselho Deliberativo do Santos.

VIAS LEGAIS

Já corre desde terça-feira, 29, na Comissão de Inquérito e Sindicância do Santos uma investigação acerca da confecção das seis carteirinhas de “sócios-fantasmas” apresentadas pela Terceira Via Santista.

Orlando Rollo e mais dois membros da Terceira Via Santista, incluindo o presidente Claudio Kobayashi, podem sofrer sanções que vão desde a advertência verbal à exclusão dos investigados do quadro de associados do clube.

A Comissão tem prazo de 70 dias para concluir a investigação.



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