Treinadores se unem para defender classe e criam federação



Treinadores do primeiro escalão do futebol brasileiro, com apoio dos sindicatos da categoria, fundaram nesta segunda-feira, em um hotel em São Paulo,  a Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol. A entidade foi criada para defender os interesses trabalhistas da classe profissional, alarmada pela alta quantidade de demissões de técnicos no futebol brasileiro.

A ideia de criar o órgão surgiu de uma conversa entre os treinadores Wagner Mancini, atualmente no Atlético-PR, e Caio Júnior,  do Vitória-BA:

– Eu e o Caio nos encontramos nas férias, em um supermercado em Orlando (EUA), onde conversamos sobre o assunto. Depois voltamos, e a ideia foi ganhando corpo. Em março, na reunião da Abex (Associação Brasileira dos Executivos de Futebol), demos o pontapé inicial – conta Mancini.

As conversas e reuniões para o lançamento do projeto duraram seis meses. A lei determina que, para que seja criada uma federação, são necessárias as assinaturas de, pelo menos cinco sindicados ta categoria.

O treinador da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, esteve no anúncio e demonstrou apoio à iniciativa:

– Esse é só o primeiro passo, muitos outros ainda serão dados. Mas para que cheguemos lá, é preciso dar o primeiro. Talvez não em uma semana, em um mês, ou mesmo em um ano, mas vamos avançar para que tenhamos respeito. O treinador precisa ser respeitado. Essa entidade era o sonho de todo técnico, todo mundo queria isso – disse Felipão.

Primeiro vice-presidente da entidade, Wagner Mancini falou sobre a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos treinadores, citando algumas das propostas da FBTF para combater o alto índice de demissões de treinadores no Brasil e melhorar o nível dos profissionais:

– As trocas de comando geram gastos para os técnicos e para os clubes. Uma das propostas é a obrigatoriedade de pagamento integral do contrato em casos de demissão. Também queremos investir em capacitação, com cursos de federações – afirmou.

Dorival Júnior, técnico do Vasco, mostrou muita insatisfação com a situação atual dos treinadores brasileiros:

– Treinador no Brasil não tem respeito. Nem sei mais por que assinamos contratos anuais, se são semanais. Precisamos de estabilidade para trabalhar, em 15 rodadas do Brasileiro, temos dez treinadores demitidos.  Isso faz o futebol cair, e hoje, talvez, seja o pior momento do futebol brasileiro, tecnicamente – argumentou.

O objetivo da adesão de treinadores de ponta é, principalmente, ganhar força para conseguir benefícios para para os treinadores iniciantes e de equipes menores, nas Séries B, C e D. Além de Felipão, Mancini e Dorival, estiveram no evento outros treiandores como Gilson Kleina, Pintado, Emerson Leão, Paulo Roberto Falcão, Caio Júnior, Silas, dentre outros.

A ata da fundação foi assinada no local, onde realizou-se a primeira reunião. A diretoria da entidade foi composta por treinadores e membros de sindicatos da categoria:

Presidente: José Mario de Almeira Barros (Zé Mario)

Vice-presidentes: Wagner Mancini, Dorival Júnior, Falcão, Caio Júnior

Secretário Geral: Alfredo Sampaio (treinador e presidente do Sindicato dos Atletas do Rio de Janeiro)

Scolari será membro do Conselho Consultivo, e Emerson Leão do Conselho de Ética.

 



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