Caso Jacareí: federação de vôlei ‘lava as mãos’



Salários atrasados, falta de patrocínio, técnico demitido, acusação de fraude e denúncias de oferta de dinheiro ‘sujo’ para quitar dívidas. Poucas coisas podem acontecer no time de vôlei de Jacareí para a situação ficar pior. Diante do cenário, que ainda não tem uma solução à vista, o presidente da federação paulista da modalidade, Renato Pera, se isentou de qualquer responsabilidade sobre o caso e disse que só vai tomar alguma atitude em relação ao ex-treinador da equipe, Robson Guerreiro, – pivô de toda a confusão – se houver uma solicitação por parte do clube, a Associação de Professores de Educação Física.

LANCE! – Como foi a chegada desse novo time de Jacareí?
Renato Pera – O campeão da Segunda divisão no ano passado foi o Bradesco, ele teria direito de ir para a série especial neste ano, mas abriu mão. O segundo também abriu mão. Pelo porte do time que foi formado, pegando uma atleta olímpica e atletas de nível, nós convidamos para a divisão especial e Superliga.

L! – É preciso registrar o time, não é? Como isso foi feito?
RP – Esse clube já era filiado, jogou o ano passado com a categoria masculina.

L! – Mas tanto faz a categoria?
RP – Ele mudou de categoria e foi para o feminino.

L! – Mas para eu entrar no campeonato, basta eu te ligar e te falar que quero jogar e quem tem no meu time, é isso?
RP – Não, a gente vê o portfólio do time, quem vai jogar e tal. As outras equipes que têm direito se julgam não estar habilitadas e vão continuar na Segunda divisão.

L! – Mas a federação não exige do time alguma documentação?
RP – A federação não tem ingerência na relação patrocinador e clube. A responsabilidade da federação é perante o clube. E o clube é filiado à federação há 5 ou 6 anos e nunca tivemos problemas.

L! – E quem tratava sobre o time com a federação?
RP – O Robinho e depois veio o presidente. A gente tem que acreditar na pessoa.

L! – Mas nenhuma atleta tinha contrato com o clube…
RP – Todas elas têm registro na federação.

L! – Mas elas não têm com o clube…
RP – A federação cuida do vínculo esportivo das atletas. Como não é legalizada a profissão de atleta de voleibol, a gente não questiona se tem ou não tem.

L! – Então, não é um cuidado que a federação tem?
RP – A federação cuida do vínculo desportivo da atleta. O vínculo empregatício é com o clube. Até uma semana atrás a gente não tinha conhecimento desses problemas.

L! – O que a gente entendeu até agora é que todo mundo foi enganado. A federação não tinha como se prevenir exigindo documentação do clube?
RP – Só participa do campeonato quem está com toda a documentação em dia e com o registro de atletas em dia. Na parte profissional, de vínculo empregatício, não nos compete.

L! – Amanhã vai Ter o congresso técnico da Superliga…
RP – Sim, eu sei. O clube pagou a taxa.

L! – O presidente falou para o L! que não pagou…
RP – Então depende da CBV. No que nos diz respeito, eles saíram da Copa São Paulo, mas estão no Paulista. E o congresso técnico vai ser em setembro.

L! – Diante de todos esses problemas, vocês vão tomar alguma medida em relação ao caso?
RP – O objetivo da federação é que tenha o maior número de clubes possível no campeonato. Quanto mais melhor. A responsabilidade da federação é incentivar os clubes. Em virtude da situação, a gente atendeu a um pedido da representante do grupo para não disputar a Copa São Paulo. E elas estão se organizando para disputar o Paulista.

L! – O senhor conhecia o Robinho?
RP – Conheço.

L! – Conhecia de antes?
RP – De quase dez anos de voleibol.

L! – E você soube quando do projeto?
RP – Ele veio, falou que tinha o patrocinador e que estava acertando com o Jacareí. Divulgou o nome dos Correios e todo mundo, até então, imaginava que era isso. Mas desde Quinta-feira ele sumiu. No momento, a nossa preocupação é ajudar as meninas a se organizarem. A prefeitura já falou que vai ajudar, buscar um patrocinador na cidade, que tem um grande pólo industrial, e vai tentar viabilizar isso.

L! – A federação vai tomar alguma medida punitiva, em relação ao técnico ou ao clube?
RP – A gente acha que todo mundo direito de processar e fazer o que quiser. O que pode demorar muito tempo ou não. Nós tivemos um problema com o Tênis Clube de São José dos Campos, na Superliga de 2002, que agora está se finalizando o processo cível que nós movemos contra o clube. A Justiça brasileira é meio lenta. As atletas têm direito de irem contra o clube e contra o Robinho. O clube também. Mas a Justiça demora. Eu acho melhor, nesse caso, um acordo. A maior preocupação é que as meninas tenham uma atividade, principalmente uma campeã olímpica. Por enquanto, só tomamos conhecimento disso pela imprensa. Podemos tomar alguma atitude se o clube pedir, o que até agora não aconteceu, e perante a Justiça Desportiva, para ver se isso é legal ou não.



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