Atletas do vôlei denunciam oferta de dinheiro ‘sujo’



A situação da nova equipe de vôlei de Jacareí está piorando a cada dia. As jogadoras, que não recebem salário desde que foram contratadas, há dois meses, afirmam que o ex-técnico Robson Guerreiro ofereceu pagar os atrasados com dinheiro que ele mesmo disse ser sujo, de origem política.

Por outro lado, o diretor da Associação de Professores de Educação Física (Apef) da cidade, Antônio Carlos Magalhães, também acusa Guerreiro de tê-lo enganado. Apesar de a Apef ser a dona formal da equipe, o diretor diz que Guerreiro é o criador do time de vôlei.

De acordo com Tonhão, como Magalhães é conhecido, foi por meio de um telefonema de Guerreiro que o projeto, que conta com a medalhista olímpica Fernandinha e outros nomes fortes do vôlei, começou a tomar corpo. Na primeira ligação, ainda de acordo com o diretor, o ex-técnico disse que tinha Correios/Sedex, Banco de Brasília, Rainha e Mizuno como patrocinadores, com contratos assinados.

– Ele me ligou e eu acreditei no projeto. Coisa de pilantra, mau caráter. Cada vez dava uma desculpa diferente para não pagar. Não havia contrato. Sei que sou responsável pelo time e não estou me escondendo de nada. Mas vou procurar a polícia e a Justiça para ele arcar com o que fez. – afirmou Tonhão.
As declarações das jogadoras do Jacareí apontam para uma situação ainda mais grave. Elas contam que depois de diversas desculpas para não pagar os salários, o então treinador reuniu a equipe e ofereceu “dinheiro sujo” para quitar as dívidas.

– Ele e o preparador físico chamaram a gente para uma conversa e disseram que haviam conseguido um dinheiro. Mas que eles não poderiam depositar na nossa conta, pois tratava-se de um dinheiro “sujo”, de origem política, segundo as palavras deles mesmos – afirmou Thaís Barbosa, ponteira da equipe.

– Eles falaram que estavam procurando um carro blindado para buscar o dinheiro. Eu levantei a mão e avisei que dinheiro sujo não íamos aceitar – completou Fernandinha.
As duas falaram ao LANCE!NET em nome de todo o grupo e a versão foi confirmada também por outras jogadoras da equipe. Na conversa, as 13 “contratadas” estavam presentes.

As atletas têm esperança. Elas têm até hoje para apresentarem um patrocinador e participarem da Superliga. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) realiza o congresso técnico do torneio amanhã e precisa ter garantias financeiras.

O LANCE!NET tentou, ontem, por diversas vezes, falar com Robson Guerreiro por telefone, mas não obteve sucesso.
Jogadora teve de pagar por cirurgia

Além dos salários, as atletas disseram que receberam do ex-técnico a promessa da contratação de um plano de saúde coletivo. Como esse compromisso também não foi cumprido, o convênio médico nunca apareceu e uma das jogadoras teve de pagar uma cirurgia com o dinheiro da família.

– Eu machuquei meu dedo durante um amistoso. Fui para a Santa Casa do município, que tem condições horrorosas. Fiz os exames e precisei fazer uma cirurgia na mão. Uma colega, que teve de passar pela mesma cirurgia, me disse que o valor era de cerca de R$ 20 mil. Eu consegui um amigo, que só me cobrou R$ 2 mil, só cobrou os gastos que teve. Mas nunca mais vou ver esse dinheiro – disse Renata Maggioni, meio de rede da nova equipe, que veio de Campinas.

Sobre o assunto, o diretor do time, Antônio Carlos Magalhães, lamentou e disse que foi mais um dos problemas deixado pelo ex-técnico da equipe, Robson Guerreiro.



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