Time de vôlei de medalhista em Londres busca patrocínio para não ser excluído da Superliga



Após voltar ao Brasil com o ouro das Olimpíadas de Londres, a levantadora Fernandinha jamais poderia imaginar que sua carreira no vôlei ganharia contornos dramáticos um ano depois. Ao lado de outras 12 atletas – entre elas nomes conhecidos Renatinha, Thaís Barbosa, Cibele e Soninha – ela corre o risco de ficar sem time e perder o ano sem jogar. Se até esta terça, dia 13, o Jacareí não mostrar que tem condições financeiras de disputar a Superliga, o time será excluído.

O Jacareí formalmente pertence à Associação dos Professores de Educação Física (Apef) da cidade. Mas, pelo que as jogadoras dizem, a Associação apenas dá fachada legal à equipe. As jogadores dizem que mal tiveram contato com a diretoria da associação e que foram contratadas pelo então técnico Robson Guerreiro, a quem apontam como criador do time.

Segunda elas, foi Guerreiro que as procurou, em abril, e quem as “contratou”. As aspas se justificam. Embora a apresentação do time tenha acontecido no dia 10 de junho, não há nenhum contrato assinado, nem nenhum pagamento até o momento. Se houver solução, Guerreiro não participará mais dela, pois foi demitido na última quarta-feira.

De acordo com as jogadoras, Guerrero, ex-preparador físico do Sollys (agora Molico) e ex-assistente técnico do São Bernardo Vôlei, disse no início do ano que o time havia conseguido o patrocínio dos Correios e que receberia R$ 1,8 milhão para jogar uma temporada com a marca do Sedex. Guerreiro, segunda elas, ainda teria um co-patrocinador, uma fornecedora de material esportivo e uma de tênis.

Mas os patrocinadores não apareceram e não há mais como esticar o prazo, pois o sorteio da Superliga acontecerá no dia 14, quarta-feira.

– Antes de ele ser demitido, na semana passada, disse que ia resolver o problema e me chamou junto com a Renatinha para um encontro com um possível patrocinador. Chegamos ao local combinado e ele disse que a pessoa já tinha ido embora. Foi quando veio mais uma das loucuras, disse que ia levar o time para Embu, que lá ele já tinha R$ 500 mil para nos pagar – contou Fernandinha.

Ainda segundo as jogadoras, Robinho, como é conhecido no meio, sempre dava alguma desculpa para o pagamento não ser transferido para a conta bancária delas.

– Ele sempre tinha uma solução para a próxima terça-feira que ia chegar, mas o dinheiro e o patrocinador nunca apareceram. Cada vez era uma coisa diferente. Ao mesmo tempo, era arrogante e prepotente. Dizia que quem não quisesse mais, poderia ir embora. Não pensou que tinham meninas sem dinheiro, pedindo ajuda para a família. – afirmou a ponteira Thaís Barbosa.

Já sem clima, Robson Guerreiro foi demitido pela diretoria da Apef na quarta-feira da semana passada. Junto com ele, o preparador físico, Caio Augustus Borges, e o responsável pela captação de recursos para o time também saíram.

Guerreiro dá outra versão para o episódio e nega que tenha responsabilidades.

– Eu também tive de mudar minha vida e fiquei sem receber. A culpa não foi minha. É difícil apontar os responsáveis. Mas se a empresa (Correios) desistiu de dar o dinheiro para a gente, eu não tenho culpa – afirmou o técnico.
Mesmo sem emprego, Guerreiro diz que não irá desistir.

– Eu continuo procurando os patrocínios e agora vou oferecer para outros times, já que eles me tiraram de lá sem nenhum motivo e não tiveram paciência de esperar para receber. – completou.

Até a publicação desta reportagem, o coordenador da Associação de Professores de Educação Física, Antônio Carlos Magalhães, o Tonhão, não havia retornado os telefonemas do LANCE!.

Sem plano B, jogadoras correm por conta própria

Embora esteja inscrita para jogar a Superliga, a equipe de Jacareí só vai disputar o campeonato se conseguir um patrocinador para custear o projeto até terça-feira, dia 13, à noite. O sorteio que divide os grupos e organiza a tabela está marcado pela CBV para o dia seguinte.

Se não conseguirem, as jogadoras não devem disputar o campeonato. Quase todas as outras equipes que vão disputar a Superliga estão com o elenco formado e não têm mais verbas para contratar.

Na busca por um parceiro que financie a equipe, amigos e familiares se transformaram em “diretores” de marketing do time. Apesar do curto prazo, as atletas ainda acreditam que um milagre possa acontecer.

– A gente quer jogar juntas e vamos fazer tudo que for possível para disputar essa Superliga. A gente se deu muito bem e não queremos nos separar. Eu acredito que possa ter um salvador até quarta-feira. Estamos fazendo de tudo. Está todo mundo nos ajudando. – disse Fernandinha.



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