Big Brother: WTorre promete investir cerca de R$ 15 mi em sistema para identificar todos os torcedores na Arena



A WTorre pretende mudar o conceito de segurança nos estádios brasileiros. Com 64 câmeras em alta definição na Arena Palestra Itália, a construtora espera conseguir vigiar todos os passos dos torcedores durante os jogos. É a promessa de Rogério Dezembro, diretor de negócios da parceira do Palmeiras na reforma do estádio.

Os equipamentos são acompanhados de um software que monitora os movimentos das pessoas e faz reconhecimento facial. O programa é ensinado a aceitar determinados comportamentos naturais da torcida, como a comemoração de um gol e a movimentação dos braços. Ao detectar algo diferente, como uma briga ou alguém atirando objetos no campo, o software identifica, avisa o sistema e é capaz, inclusive, de localizar o setor do estádio do problema.

Usado também nos aeroportos da Europa, dos Estados Unidos e de Israel, o equipamento completo vai custar aproximadamente R$ 15 milhões para a construtora, que ainda não definiu se a solução que vai ser adotada virá do Japão ou de Israel.

Entre outros motivos, a WTorre decidiu fazer esse novo investimento, que não estava previsto anteriormente, por conta de uma pesquisa feita entre palmeirenses. De acordo com o estudo, realizado pela empresa que faz a gestão da Arena Palestra, os torcedores manifestaram a insegurança como um problema para frequentar os estádios. Além disso, o resultado da consulta revelou que as organizadas são reprovadas pelos torcedores comuns que costumam ir aos jogos.

De acordo com a WTorre, outra parte muito importante da tecnologia de reconhecimento facial é que ela é capaz de arquivar as imagens dos rostos dos torcedores, mesmo quem está de barba, bigode, boné ou óculos. Com câmeras também na entrada, o plano da construtora é, dessa forma, conseguir impedir que quem deu problema no passado possa entrar novamente no estádio. A obra está 65% concluída. A promessa é terminá-la até dezembro.

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Pacaembu já foi palco de teste

No Campeonato Paulista do ano passado, a mesma tecnologia que será usada na Arena Palestra Itália foi testada durante o clássico entre Corinthians e Palmeiras. Em parceria com a Federação Paulista de Futebol, três empresas apresentaram para a imprensa esse novo sistema de segurança, com reconhecimento facial.

De acordo com o diretor de novos negócios da WTorre, Rogério Dezembro, a experiência foi de sucesso e 50% do estádio foi mapeado, com aproximadamente 12 câmeras espalhadas.

– Tinha um cara com laser atrás de um outro torcedor, escondido, na torcida do Corinthians. Deu para a gente identificar. E olha que o cara estava atrás do outro. Imagine se fosse alguém na frente mesmo. É HD com alta definição – explicou.

Por essa experiência, a WTorre recusa a hipótese de o sistema inibir a liberdade dos torcedores dentro do estádio.

Bate-bola

Rogério Dezembro
Diretor de novos negócios da WTorre, construtora da arena

‘O torcedor que pisar na bola não vai entrar mais’

Preocupa a presença de membros de facções na nova arena?
Isso nos chama a atenção. O torcedor quer ir ao estádio para ter um momento de felicidade, de lazer. Não quer conviver com bandido, com gente que entra para brigar. A sociedade brasileira não quer mais esse tipo de coisa. Esse é o fim das organizadas? Acho que não. O contrário: é a chance de as organizadas remontarem suas origens. Vai ter de ter uma mudança de comportamento. A gente também vai ter reconhecimento facial em alta definição no estádio.

Como vai funcionar?
Se tiver uma briga, ou um comportamento diferente, alguém passar mal, por exemplo, o software identifica e começa a piscar. No caso de uma briga ele identifica a pessoa e dá uma foto em HD dela, entre os 45 mil torcedores. O torcedor que pisar na bola a primeira vez não vai entrar mais. Porque o software vai detectar e apitar. E vai mostrar que o cara não pode entrar. A segurança vai lá e recolhe o cara.

Vai ter um espaço diferente para as torcidas organizadas?
Não vai ter espaço separado. Vai ter o espaço para a torcida toda. Nós não vamos fazer distinção entre os torcedores, um e outro. Nem para o bem nem para o mal. A gente não vai dar tratamento diferenciado para eles, não. Todo torcedor será tratado com respeito e dignidade. A gente não pode recriminar, mas não pode privilegiar. Você tem de ter o mesmo comportamento que a gente vai cobrar do João ou do José das organizadas.

Essa postura é parte da pesquisa que vocês fizeram?
É parte da pesquisa, sim. E também do que a gente viu em outros lugares. Especialmente na Europa. Estádios de 60 anos atrás, que não têm gestão. Gera uma permissividade com torcida que tem de mudar no Brasil. E acho que com as novas arenas isso vai mudar. Teve a experiência no jogo do Grêmio. O torcedor não quer mais isso, eles xingam a organizada.



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