Chefe da arbitragem põe novato na Fifa



Chefe da arbitragem nacional promove árbitro assistente duas vezes em três meses e o leva para o quadro da Fifa, mesmo poucos jogos no currículo; antecessor no cargo ficou no cargo nacional antes de ganhar escudo.

O presidente da comissão de arbitragem da CBF, o carioca Aristeu Tavares, indicou para o quadro da Fifa um árbitro assistente do seu estado que em 2012 não havia trabalhado em nenhuma partida na Série A como assistente número 1, o principal da dupla de bandeirinhas, aquele que corre do lado do mesário e dos bancos de reservas. Ele sempre exerceu a função de n 2, normalmente destinada ao menos qualificado.
O carioca Rodrigo Figueiredo teve uma ascensão meteórica bancada por Tavares. Depois que assumiu o comando da arbitragem nacional, em agosto de 2012, Tavares já o promoveu duas vezes. Colegas seus não lembram de outra pessoa promovida mais de uma vez por ano. Figueiredo subiu dois degraus na carreira em apenas três meses. Rodrigo Figueiredo terminou 2011 no quadro mais baixo da CBF, o CBF-2. Em janeiro, foi promovido pelo então comandante da arbitragem nacional,  Sergio Correa, para a categoria acima, CBF-1. No início de setembro, logo depois de assumir, Tavares alterou os quadros da entidade e promoveu Figueiredo para Aspirante Fifa. E, dias depois, em 17 de setembro, enviou para a
Fifa a lista do Brasil para o quadro internacional de 2013. Nela já estava o assistente.
É da tradição da arbitragem que árbitros e assistentes passem alguns anos no quadro de aspirantes, antes de disputarem uma posição no quadro internacional. Figueiredo não. Ele chegou à Fifa após três anos no quadro nacional (dois anos como CBF-2, oito meses e meio como CBF-1 e três meses e meio como Aspirante). Seu antecessor, Dibert Pedrosa, por exemplo, só ganhou o escudo da Fifa depois de 11 temporadas apitando jogos do Brasileiro.
Em toda a carreira, Figueiredo trabalhou só em 29 jogos na Série A: 11 em 2011 e 18 em 2012. Desses, 23 foram como assistente 2 e seis como assistente 1. Em 2012, segundo a CBF, foi o 14 bandeirinha que mais atuou, somando Série A e Copa do Brasil. Dos 18 jogos de 2012, foi escalado 13 vezes por Aristeu, que assumiu na virada de turno.
O LANCE! procurou Figueiredo, mas não conseguiu contato.

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“Troca visa as Copas de 2018 e 2022”, diz Tavares

LANCE – Por que você fez as substituições entre os assistentes?
Aristeu Tavares – Estamos renovando o quadro da Fifa para Copas de 2018 e 2022. Temos que começar já. Em 2015, já começa a escolha para 2018. Os que saíram não têm mais chances de ir a esses Mundiais.

LANCE – Mas o Altemir Hausmann é mais velho e não saiu. Por quê?
Tavares – Ele é um assistente muito respeitado na Conmebol. Apita muito lá.

LANCE – Mas o Dibert apitou bastante em 2012 e saiu…
Tavares – O Dibert não era escalado em torneio de seleções. Apitava só Libertadores e Sul-Americana. O que conta para a Fifa são os torneios.

LANCE – Por que escolheu o Rodrigo Figueredo, que só tinha oito meses como CBF-1?
Tavares – Eu o observei e vi que ele é um talento, erra muito pouco e tem condicionamento físico excelente. E quero deixar claro que não o conheço pessoalmente, só profissionalmente.

LANCE – Você não acha que três trocas foi muito?
Tavares – Ao contrário, eu só troquei três porque tinha acabado de assumir a Conaf. Se tivesse mais tempo, teria trocado mais.

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“O Aristeu era meu ídolo”, diz Pedrosa

LANCE – Você recebeu alguma explicação da CBF para sua saída do quadro da Fifa?
Dibert Pedrosa (Assistente substituído por Figueiredo) – O Aristeu me ligou dizendo que a orientação da Fifa era ter no quadro só quem pudesse apitar em Copa do Mundo. Disse que, como eu estava fora da Copa de 2014 e não tinha idade para a Copa de 2018, eu fui substituído.

LANCE – Isso te convenceu? Você ficou satisfeito com a explicação?
Pedrosa – Não. Porque há alguns árbitros e assistentes com a minha idade, 41 anos, ou mais velhos que não foram trocados. Só dois saíram: eu e o Carlos Beckenbrock, de Santa Catarina, que tem 40 anos. (NR: o gaúcho Altemir Hausman, 44, e os árbitros Wilson Seneme (42, SP) e Marcelo Henrique (41, RJ) também se encaixariam no motivo para o corte e foram mantidos).

LANCE – Você já teve algum problema com o Aristeu?
Pedrosa – De jeito nenhum. O Aristeu foi para mim um ídolo. Eu tinha o maior orgulho de ter herdado dele o escudo da Fifa. E sei que, se fizessem com ele o que ele fez comigo, ficaria muito chateado, como eu estou.
(NR: seu pagamento será 10% menor e agora está fora dos jogos internacionais).

LANCE – Você pretende contestar a sua saída?
Pedrosa – De forma nenhuma. Eu acho que está errado, mas o que cabe a mim é acatar.

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Pedrosa tem prestígio na Conmebol

O carioca Dibert (a pronúncia é “Dáibert”) Pedrosa foi o quarto assistente brasileiro mais chamado para trabalhar em jogos internacionais em 2012, segundo estudo da CBF.
Para a comissão de arbitragem da Conmebol, ele só ficou atrás do paranaense Roberto Braatz, que se aposentou no fim do ano, do gaúcho Altemir Hausmann e do paulista Emerson Carvalho, aquele cujo erro num clássico em SP foi o estopim da queda do comando da arbitragem nacional, então comandada pelo paulista Sérgio Correa. Dibert manteve bom prestígio desde que entrou para o quadro da Fifa.

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Assistente casada com ex-vice da Conaf recebe mais escalas

A assistente Nadine Bastos, mulher do então vice-presidente da comissão de arbitragem da CBF, Dionisio Roberto Domingos, também recebeu um grande impulso na carreira depois da posse da nova comissão de arbitragem, em setembro do ano passado.
Nos oito primeiros meses de 2012, Nadine foi escalada para trabalhar em sete jogos masculinos, incluindo Brasileiro e Copa do Brasil. Nos últimos três meses e meio, no segundo turno do Brasileiro, Nadine foi escalada 12 vezes.
Essa concentração de escaladas fez com que ela fosse disparado a assistente mais vezes escalada em 2012, num total de 25 vezes. A assistente Katiusciua Mendonça (Fifa-ES), mais graduada do que Nadine, foi escalada apenas sete vezes no último ano.

* No início deste ano, Domingos trocou a comissão de arbitragem pela Escola Nacional de Arbitragem.



  • tá de sacanagem hein seu ARI, tu és um fanfarrão, um brincalhão e fechado com o RJ.

  • lupuz

    Arbitragem no Brasil é caso para:Policia Federal,Receita Federal e MP,se o proprio Presidente da CBF fala em ERRO DOLOSO,estão esperando o que ?

  • Ariovaldo Castanheira

    A culpa e’ nossa, pq amanha, ou depois de amanha, apos umas cervas, o que nos queremos e’ ver jogo.

    Somos nos, os brasileiros, os maiores culpados por deixar essa corrupcao corer solta.

    Somos uns bundas moles.

  • Ariovaldo Castanheira

    BRASIL-IL-IL

  • Luiz Marfetán

    Por isso e outras e que a arbitragem brasileira é o que é!

  • Carlos Alberto

    Entendo que se o Presidente reconheceu no rapaz um talento,por que esperar por uma burocracia infeliz que foi criada para satisfazer politicamente alguns diretores de Ceafs?Concordo com a ascensão dele e de outros posteriormente indicados.

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