Pacto de clubes barra da Copa SP revelação “roubada”



Há quase um ano, quando estava acabando a Copa São Paulo-2012, muitos técnicos e dirigentes apostavam que o vascaíno Thiago Rodrigues da Silva, o Mosquito, seria um dos favoritos a astro na edição-2013 do torneio, que começa amanhã. Afinal, atacante vinha de ser o artilheiro disparado do Sul-Americano sub-15 (veja abaixo).

Mas Mosquito nem entrará em campo. Seus direitos federativos viraram uma disputa entre Vasco, seus agentes e o Atlético-PR. O Furacão sentiu a novidade desta Copa São Paulo. Os clubes fizeram um pacto de ética contra o tradicional “rouba-rouba” de jogadores abaixo de 16 anos. E impuseram como condição para o time paranaense participar que Mosquito não fosse inscrito na competição.

Essa é uma das mudanças mais importantes da história da base do futebol brasileiro. Em abril, na Granja Comary, o então técnico das categorias de base da Seleção, Ney Franco, convocou um encontro com os gerentes da base dos principais clubes. Foram representantes de 38 dos 40 concorrentes das Séries A e B do Brasileiro.

O pacto foi firmado em maio, sem a participação de presidentes da CBF, federações ou clubes. Já que os cartolas não se importavam, os profissionais resolveram agir. E o caso de Mosquito foi o primeiro a ser tratado. Na volta do Sul-Americano, os representantes do jogador começaram a pedir alto para firmar contrato. Os valores passavam de R$ 20 mil por mês para um garoto de 16 anos. O Vasco não topou. Os agentes do jogador se recusaram a fechar o primeiro contrato e a briga começou.

Os signatários do acordo se recusaram a acolher Mosquito no seu clube. O jogador foi oferecido para São Paulo, Flamengo e Inter, pelo menos. No São Paulo, o então diretor da base Renê Simões, hoje no Vasco, teve de jogar duro para impedir o clube de registrar o atacante.

– Eu não aceitei o jogador. Nós temos um pacto. Isso precisa acabar. Todos os clubes se prejudicam – disse Simões em dezembro, ainda antes de acertar com o Vasco.

Em setembro, o Atlético-PR finalmente o pegou. Pegou, mas não levou. Os demais clubes passaram a tratar o Furacão como um excluído no futebol nacional.  Em dezembro o clube foi desconvidado de duas competições nacionais, a Copa Avaí, de caráter amador, e o Brasileiro Sub-17.

Na Copinha, o Atlético-PR aceitou deixar Mosquito em casa. O clube fala agora em “problemas de documentação”. Mas em dezembro tentou levá-lo ao Brasileiro Sub-17 (hoje diz que desistiu por vontade própria, mas em dezembro, o LANCE! procurou o diretor-executivo do Atlético, Dagoberto dos Santos, e quando lhe disse que o clube estava fora do Brasileiro, ele ficou surpreso e encerrou a entrevista).

O pacto provocou tanta repercussão nas categorias de base que a Associação Brasileira de Executivos de Futebol (Abex) criou uma diretoria específica. E quem a ocupa é Carlos Brasil, do Flamengo.

– O código de ética veio para ficar. Vai valer para jogadores de clubes grandes ou pequenos – disse.

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Mosquito foi goleador do Sul-Americano há um ano

Thiago Rodrigues da Silva, o Mosquito, fazia sucesso desde que chegara às categorias de base do Vasco. Fazia pouco mais de um mês que vencera seu primeiro título internacional, o Sul-Americano Sub-15, pela Seleção Brasileira. Foi disparado o artilheiro e encantou quem acompanhou a competição. Marcou 12 gols em sete partidas. Após um empate em 0x0, o Brasil venceu todas, sempre com gols de Mosquito.

Alto, forte, técnico e com um poder de finalização que chamava a atenção, Mosquito se destacava entre os colegas. Chegava a provocar comentários de que era um gato, jogador registrado com idade inferior à real, mas isso nunca ultrapassou os rumores. No Rio chamou a atenção e virou matérias em sites e jornal antes da confusão.

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Reunião no dia 10 vai definir situação

O coordenador das categorias de base do Vasco, Mauro Galvão, evitou falar do assunto, para não prejudicar a solução. Mas deixou claro que é a esperança do Vasco está na união do Vasco em torno do pacto de ética.

LANCE! – Como está a situação do Mosquito? O Vasco vai buscar os direitos para  ter o atleta de volta?
Mauro Galvão – No momento estamos em férias, não gostaria de comentar sobre esse assunto para não prejudicar. O que tinha que ser feito foi feito. Foi a providência que tomamos com o apoio dos clubes não só do Rio que estão nessa aliança para procurar mais ética. Algumas leis podem dar brecha, mas é a questão ética que nós estamos procurando seguir. No dia 10 de janeiro temos uma reunião em São Paulo (os coordenadores da base). Vamos tratar de tudo. Esse caso (do Mosquito) será tratado.

LANCE! – Como está essa situação? Por que o Atlético-PR não vai colocar o Mosquito na Copa São Paulo?
Galvão – O Atlético ficou impedido de disputar duas competições. Não sei dizer se ele está fora da Copa São Paulo, uma competição que é a parte.  A gente tem trabalhado dessa forma, unidos, para fazer com que esse processo possa ser revertido, principalmente fazer com que todos os clubes possam cumprir o código de ética.

LANCE! – O que está sendo feito para o Vasco não ser prejudicado?
Galvão – Não entramos na Justiça. Tudo foi questão da união das clubes. Nós estamos procurando fazer com que todos tenham a mesma conduta. Se isso vai funcionar, é difícil saber. Estamos procurando ter uma postura dentro daquilo que foi conversado.

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Lei deixou brecha para “roubos”

A palavra “roubo”, exagerada, é o termo usado pelos clubes quando um rival fica com um jogador adolescente de outro contra vontade deste. Os “roubos” aumentaram no Brasil desde a criação da Lei Pelé. A lei pôs os atletas menores de 16 anos sob a proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente, deixando-os livres para mudar de clubes, mas não criaram proteção aos clubes. Somente em meados de 2011 surgiu a Lei do Atleta Formador, nome dado à última mudança na Lei Pelé. Mas os mecanismos só entrarão em vigor com a regulamentação da lei, o que não aconteceu até agora.

(Colaborou Bruno Braga)



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