Vitória 1 x 2 SPFC: muito mais que três pontos



O peruano Cueva entrou e alterou a dinâmica do SPFC

Toda vitória vale três pontos, no entanto, a do São Paulo contra o Vitória, pela 24ª rodada, lá na Bahia, frente à luta da equipe para sair da zona de rebaixamento, o placar de 2 a 1, sob um contexto de crise e pressão, parece valer muito mais. Os gols de Militão e Cueva garantiram segunda vitória do Tricolor fora de casa no campeonato, a garantia por dias mais tranquilos e uma dose de confiança ao time, que enfrentará ninguém menos que o líder e arquirrival Corinthians, em um Morumbi que, segundo a torcida, estará entupido de gente.

Com as suspensões por cartão de Edimar e Jucilei, Dorival escalou o São Paulo com Sidão, Arboleda, Rodrigo Caio, Junior Tavares e Militão. À frente da zaga, Petros. Na linha de quatro, Hernanes, Jonatan Gomez, Marcos Guilherme e Lucas Fernandes. Isolado, Pratto, no ataque.

O primeiro tempo, de ambas as equipes, foi uma lástima. Apenas duas jogadas merecem destaque: uma cabeçada de Militão, em bola que veio de escanteio, e passou ao lado do gol.

Do lado do Vitória, um lance perigoso, que poderia ter mudado o panorama do jogo. Falta aos 45 da primeira etapa, bola rolada para William Correa, que bateu e a bola explodiu no pé da trave de Sidão. Por muito pouco o Vitória não vira o tempo à frente do placar.

Um destaque negativo foi a participação de Jonatan Gomez, que durante os 45 minutos que jogou, praticamente não acertou um passe, perdeu muitas bolas, proporcionando contra-ataques para Vitória e não conseguiu articular uma jogada. Mal, muito mal.

Dorival corrigiu o erro no segundo tempo. Sacou Gomez e colocou Cueva. O peruano, quando está disposto a jogar, sem dúvida, faz a diferença. Jogou mais recuado, muitas vezes ao lado de Petros, proporcionando mais qualidade na interligação entre o meio e o ataque, problema crônico ao longo da temporada do São Paulo.

Com Cueva, o futebol do São Paulo cresceu: Marcos Guilherme começou a aparecer, Pratto já não voltou tanto, Lucas Fernandes e Hernanes formaram um meio mais bem postado.

Se o Tricolor encerrou o primeiro tempo com uma bola na trave, com apenas 7/2ºT, escanteio, bola na área, Militão subiu, desviou de cabeça para abrir o placar. Era tudo o que o São Paulo precisava.

Depois do gol o São Paulo melhorou ainda mais. Não só pela tranquilidade do placar, mas também porque o Vitória, também na luta para não cair, abriu o jogo, mas não chegava com perigo à meta de Sidão, que repetiu contra os baianos a boa atuação contra a Ponte Preta.

Aos 26/2T, Dorival tirou Lucas Fernandes, que fez uma boa partida, para dar lugar a Thomaz, descansado e que perdeu algumas boas oportunidades.

Quando tudo caminhava para 1 a 0, eis que Cueva, aos 36/2ºT foi cobrar um escanteio. Com o cronômetro avançado, o peruano queria ganhar mais tempo. 1 a 0 era goleada. Assim, enrolou, tirou a bola da marca do escanteio, o árbitro foi conferir, ajeitou de novo, deu passos para trás, puxou os fios, e, mesmo com todo esse mise-en-scène, percebeu um buraco no primeiro pau do Vitória, bateu fechado, a bola resvalou em Fillipe Soutto, no goleiro Fernando Miguel, e entrou. Gol olímpico!

O segundo gol do São Paulo fez o Vitória partir para o tudo ou nada. A partida ficou ainda mais aberta.

Como muita gente insistia com Dorival, principalmente depois da partida contra a Ponte, em que o Tricolor estava vencendo por 2 a 0, mas cedeu o empate, o técnico fechou a casinha. Aos 41/2T, tirou o atacante Marcos Guilherme e meteu outro zagueiro, Bruno Alves. Nunca os três pontos foram tão importantes para o Tricolor.

Mas como a temporada do São Paulo vem proporcionando fortes emoções, o Vitória partiu para cima. Aos 43/2T, uma ótima chance que Sidão espalmou, e, na sequência, aos 44/2T, gol dos baianos: cruzamento da esquerda, cabeçada, a bola foi para pequena área, Cleiton Xavier se jogou, bateu na bola, que explodiu no travessão e no rebote Trellez colocou para dentro. O Vitória descontava, para desespero dos são-paulinos.

Os quatro minutos de acréscimo duraram uma eternidade para o Tricolor, mas, mesmo com Vitória partindo ao ataque até com goleiro, o São Paulo conseguiu segurar, com a licença do trocadilho, a Vitória.

Com isso, agora soma 27 pontos, saltou da 19ª para a 17ª colocação, é o primeiro da zona de rebaixamento, mas colado no Bahia, com 27 , Chapecoense, 27, Ponte Preta e Chapecoense com 28, Sport e Avaí com 29.

Dependendo dos resultados, ainda pode terminar a 24ª rodada fora da zona de rebaixamento, porém, fato é que os três pontos no Barradão foram mais que fundamentais nesse momento do campeonato.

Agora a equipe de Dorival terá a semana cheia para se preparar para enfrentar o arquirrival Corinthians, no Morumbi, com promessa da torcida de colocar quase 70 mil pessoas para empurrar o time.

Ao final, todo elenco do São Paulo dirigiu-se ao setor da arquibancada, onde os tricolores compareceram em bom número, para agradecer o o novo apoio e deixar muito claro que a reunião com a torcida só serviu para fortalecer, ainda mais reforçado pela declaração de Pratto: “Desde que seja uma cobrança positiva, seja de quem for, é bem-vindo”.



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