Virada do Inter expõe um SPFC nem reativo, nem criativo, nem competitivo



Rubens Chiri

Em confronto direto na luta pelo título, o São Paulo foi ao Sul para enfrentar o Internacional e levou uma virada que mina as pretensões da equipe ao título Brasileiro 2018. Em dia de Damião, o Internacional virou por 3 a 1 sobre o Tricolor. Com a vitória, os Colorados subiram para vice-liderança, enquanto o Tricolor estaciona na quarta colocação, com 52 pontos.

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O São Paulo de Aguirre, característico por ser um time reativo, esse verbete que representa o túmulo da bola, encontrou um gol logo aos dois minutos. Edenílson perdeu no meio-campo, Jucilei abriu para Reinaldo na esquerda, que cruzou para a chegada de Liziero desviar e tocar no canto de Lomba.

O 1 a 0, no comecinho, é tudo o que o reativo São Paulo sempre sonhara nos desenhos das pranchetas.

Mas na prática, a teoria é outra. O Internacional, frente a 45 mil torcedores, não se abolou com o gol e foi para cima. Em ritmo intenso, aos 13/1T poderia ter empatado. Depois de bela troca de passes, Nico López fintou Jean e meteu para as redes, mas a bandeira marcou impedimento. Lance muito difícil que, com auxílio das câmeras, mostra que o gol foi legal, pois Hudson, na dividida, é quem tocou na bola.

Sem ser reativo, nem reativo, nem competitivo, o São Paulo passou quase todo o primeiro tempo acuado, pressionado e, com a bola nos pés, tentando gastar o tempo.

O que poderia ser um feito ter virado o primeiro tempo com a vantagem no placar virou água aos 45 minutos. Nico López pegou uma bola no meio-campo, avançou pela avenida esquerda do São Paulo, o atacante Colorado cruzou na área, Leandro Damião, livre entre dois zagueiros, colocou a cabeça para empatar a partida.

Vale lembrar que, minutos antes do empate, aos 41/1T, D´Alessandro, que mesmo aos 37 anos jogou uma enormidade, já metera uma bola na forquilha de Jean em cobrança de falta.

A primeira etapa acabou de forma justa.

Enganou-se que pensou que o São Paulo voltaria com outra atitude para o segundo tempo. Em contrapartida, o Inter voltou no mesmo ritmo intenso, buscando o jogo, articulando jogadas que, invariavelmente, passavam pelos pés de D´Alessandro.

Aos 6/2T, D´Alessandro cobrou falta na área, Victor Cuesta subiu e a bola sobrou para pequena área para Damião empurrar para o gol da virada Colorada.

O São Paulo, como acontecera em diversas partidas, como contra o Paraná, o Grêmio e o América-MG, quando saía à frente do placar, mas parece abdicar do jogo. Depois que toma o empate ou a virada é que parece esboçar uma tacanha reação.

Foi mais do mesmo. Aos 14/2T, Hudson teve uma grande oportunidade quando recebeu cruzamento de Rojas, mas a bola saiu à esquerda de Lomba.

Com o time emperrado em si mesmo, Aguirre, aos 20/2T, resolveu tirar dois de uma vez: saíram Nenê e Liziero para a entrada dos atacantes Carneiro e Tréllez. Com isso, Diego Souza foi recuado, mas apareceu o óbvio, com tantos atacantes, quem seria o responsável pela criação?

O Tricolor ainda chegou numa cabeçada de Diego Souza, mas seguiu a segunda etapa de forma insípida.

Quando o cronômetro já estava nos acréscimo da etapa final da partida, Damião recebeu uma bola e Anderson Martins cometeu pênalti e ainda foi expulso. Nico López bateu e consolidou a virada em 3 a 1 para os Colorados, que subiram à segunda posição, com 56 pontos, na tabela e reacendem a luta pelo título.

Na próxima rodada o São Paulo enfrentará o Atlético Paranaense, no Morumbi, com dois desfalques certos: Bruno Peres, que tomou um tolo terceiro amarelo aos 30/1T, por demora na cobrança de falta, e Anderson Martins, que foi expulso.

A rodada só não termina pior para o Tricolor, porque o Grêmio perdeu para o Palmeiras. Assim, o São Paulo permanece em quarto com 52 e o Grêmio, em quinto, com 51.

O Tricolor, com um elenco que joga no limite, sente a reta final do Brasileiro e também os pontos desperdiçados contra times menores. Se o título ficou distante, há que se lutar muito ainda para assegurar uma vaga entre os quatro primeiros colocados, condição que dá vaga direta na Libertadores.

Se se considerar que o São Paulo, em 2017, lutou para não cair. Uma vaga na Libertadores seria uma etapa importante para um clube que não vence nada expressivo há 6 anos, o Brasileirão há 9 e briga no espelho para se reerguer no cenário nacional.



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