SPFC: Jardine tem de ser cobrado, mas os jogadores também



Jardine não realiza um bom trabalho em 2019. Em realidade, o mau futebol se apresenta desde o final do ano passado, no entanto, vamos nos concentrar nas partidas deste ano. Quando todo mundo pensava que o São Paulo seria um time diferente, a realidade é que, atualmente, o Tricolor não é nem a retranca de Aguirre nem a promessa ofensiva de Jardine. Muito além do jardim das táticas, há um grave problema no São Paulo, que se traduz em falta de vontade de vencer. E isso passa diretamente pelos jogadores.

+ Acompanhe o Crônicas no Morumbi no Facebook
+ Leia também os blogs do Lance: Gol de Canela | Papo de Boleiro

Malabarismos retóricos e enxurradas estatísticas à parte (que a maioria da grande massa dos torcedores vê como aramaico arcaico), fato é que o time não está jogando nada.

Para os que leem com pedras nas mãos, façamos um exercício: puxem na memória uma partida em que o São Paulo deu indícios de um bom futebol…

Com boa intenção, e esforço, talvez o melhorzinho se viu foram em momentos do primeiro tempo contra o Talleres, onde se apresentou um time minimamente equilibrado. No mais, só descompasso.

Diante disso, a culpa é só de Jardine? Evidente que não.

Jardine tem que – e deve -ser cobrado. A pressão não é exclusividade dele, pois, inevitavelmente, será inerente a qualquer pessoa que ocupar o cargo de treinador de um gigante como o São Paulo, mesmo que combalido nos últimos anos.

Em contrapartida, causa estranhamento a torcida não cobrar os jogadores, mesmo com a realidade batendo na face, com muitos atletas arrastando-se em campo, formando uma impressão de displicência, que dominou grande parte dos elencos nas últimas temporadas.

O elenco do São Paulo não pode ser desprezado. Raí fez boas contratações, reforçou o plantel, porém, de nada adianta se os jogadores não forem comprometidos consigo e com o clube.

Futebol não é só tática. É, também, espírito vencedor. Não fosse assim, jamais o São Paulo de Lugano e Fabão venceriam a artilharia do Liverpool, em 2005, quando venceu o Mundial Interclubes na base da superação.

O groselhismo que tomou conta do futebol com a escalação de verbetes modernetes como externo, extremo, marcação alta, apoiado, reativo e outras milongas mais, que no fundo só servem para dar uma nova roupagem colorida a antigos conceitos, em muitas vezes, acabam ocultando questões essenciais, como a vontade de vencer, a garra, a disposição.

Nunca vi um time, mesmo sob a “melhor” tática do mundo, vencer uma partida sem que houvesse vontade, determinação, gana, vontade de vencer. Por outro lado, é muito comum vermos times inferiores técnica e taticamente, mas sobrando na vontade, vencerem adversários considerados mais fortes. Elemento que torna o futebol tão imprevisível e apaixonante.

Revendo algumas partidas, deparei-me (tem no Youtube) com a que o São Paulo, no Morumbi, venceu o Corinthians por 2 a 0 na fase de grupos da Libertadores 2015. Basta olhar para constatar que aquele time, que se comparado, não é melhor do que a equipe atual, porém, naquele jogo, entrou com vontade de vencer. E se impôs.

A partida de hoje, às 19 horas, contra a Ponte Preta, pouco vale no contexto Tricolor. O destino do São Paulo, na Libertadores, e também quanto à sua história, será definido contra o Talleres, dia 13, no Morumbi.

Jardine tem de melhorar, mas os jogadores também tem que serem cobrados: funções do técnico e da diretoria para evitar um novo fiasco, um novo vexame frente a outro pequeno da Argentina. Conversando com Kalef, diretor do São Paulo nos tempos de Telê, sobre como administrar um grupo de jogadores, ele disse: “com jogador de futebol, se você não o almoça… ele te janta”.

Se o São Paulo perder, além da desclassificação na pré-pré fase de grupos, não terá nem o direito de ingressar na Sul-Americana. Moralmente, seria o final da temporada antes da metade do mês de fevereiro…



MaisRecentes

Cuca: contra a decadência, o imediatismo e o delírio coletivo no São Paulo



Continue Lendo

Tabu desde 2014, São Paulo completa 10 jogos sem nunca vencer o Corinthians em Itaquera



Continue Lendo

Em Majestoso horroroso, Tricolor se afunda em Itaquera



Continue Lendo