SPFC: é hora de abandonar os experimentos



O São Paulo ainda não se encontrou na temporada 2019. Ainda que seja cedo, uma fase de testes, com várias formações, em contrapartida, com a Libertadores batendo nos portões no Morumbi, as atuações do Tricolor colocam uma Córdoba no pescoço do otimismo quando se analisa o futebol praticado.

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Na derrota contra o Santos, foi um vareio; contra o Guarani, um desnorteio. Os próximos dois jogos do Tricolor serão decisivos:

Contra o São Bento, às 17 horas do domingão, no Pacaembu, onde Jardine e a equipe precisam demonstrar um mínimo de entrosamento, capaz de reaquecer a esperança do torcedor, pois, na sequência, em 6 de fevereiro, aguarda a primeira partida contra o Talleres, pela pré-pré-Libertadores, digamos assim.

A grande dúvida se verticaliza a partir do ponto do futebol praticado. Com o que foi apresentado, haverá chances do São Paulo avançar na Libertadores?

Jardine, em sua oficina de construir táticas, segue em busca da partida perfeita, no entanto, até o momento só se ouvem ruídos.

É fato que a excursão à Flórida e não ter classificado entre os quatro no Brasileirão 2018, antecipando a Libertadores, reduziram o tempo para preparação da equipe. Se a Copa nos Estados Unidos foi ideia Tricolor, vale lembrar que a prematura estreia na Liberta é consequência dos péssimos resultados de Jardine, quando substituiu Aguirre nas últimas cinco partidas do Brasileirão do ano passado.

Certo ou errado, não há como brigar com o calendário, que já está colado na porta dos vestiários do Morumbi. Agora é encarar, e jogar.

Jardine, em 11 jogos, só amealhou 33% de aproveitamento.

Para a próxima partida, contra o São Bento, é momento de abandonar a fase experimental e colocar em campo o que considera de melhor, como uma prévia portenha.

Mesmo poucas, as primeiras partidas indicam alguns caminhos:

1) Helinho, menino da base, é bom, mas ainda demonstra estar preparado para grandes embates. Contra o Santos, diluiu-se em campo; contra os pequenos, muita pirotecnia nas pernas, e pouco efetividade.

2) Jardine poderia ceder a vaga de Helinho a Nenê, que atuara bem nas primeiras partidas e, contra o Novorizontino, jogou aberto nas pontas e foi bem também.

Poderão alegar: Nenê é veterano e não aguentará o ritmo intenso. Por outro lado, Jardine não poderia armar um esquema em que Bruno Peres fique mais fixo na marcação pela ala direita, deixando Nenê livre de correr tanto para recompor e proporcionar liberdade para o 10 jogar? O São Paulo, contra o Talleres, precisará de jogadores cascudos e, evidentes, bons de bola. Pelo que Nenê apresentou nas primeiras partidas, merece um espaço. Escalar Hernanes no meio e Nenê pela ponta, mas fechando ao centro, poderá ser uma alternativa ao Tricolor que vive em estado de inanição criativa.

3) É necessário definir uma dupla de zaga. Arboleda é unanimidade, agora resta saber se ao lado de Anderson Martins ou Bruno Alves. Somente a definição da dupla e a sequência de jogos é que proporcionarão o entrosamento necessário.

4) Os volantes representam outro problema para Jardine. Hudson e Jucilei tornam a equipe lentas, a transição fica comprometida, assim como a criação, pois não enconstam nos meias. É verdade que Liziero cumpre esse papel. Na partida contra o Guarani, em vários momentos avançou do círculo central para o meio-campo, tentando articulas jogadas com Pablo e Diego Souza. Também apareceu pela ponta esquerda, lembrando os tempos de bom lateral esquerdo na base.

O problema é que saiu contundido e ainda não se sabe quando retorno. Jucilei, que deveria sair, saiu por contusão, não por opção. Hudson, muito questionado, parece ser vítima do esquema de Jardine. No Cruzeiro de Mano, Hudson comeu a bola, foi destaque, a ponto de o São Paulo rejeitar oferta dos mineiros. O questionamento que fica sobre Hudson é: porque jogou muito no Cruzeiro e no São Paulo vem apresentando atuações meramente burocráticas?

Se Jucilei e Liziero não tiverem condições, é hora de definir  William Farias ou Araruna, já contra o São Bento.

5) Não dá para jogar com Diego Souza e Pablo. A grande contratação merece uma sequência no ataque, mas depende de articulação e armação, para que a bola chegue aos seus pés. Hernanes no meio e Nenê no lugar de Helinho, mas caindo pelo meio, poderiam criar ser a linha de transmissão aos pés de Pablo.

6) Everton, motorzinho do São Paulo no Brasileiro 2018, também sofre com a falta de armação/articulação, ficando isolado, vendo seu futebol definhar, porque não há conexão entre o meio e o ataque. O São Paulo exagera nas ligações diretas.

Um São Paulo possível para enfrentar o São Bento seria:

-Volpi

-Bruno Peres, recuado na marcação, uma vez que pouco cruza e precisaria cobrir Nenê na ala direita

– Arboleda

– Bruno Alves, mais rápido que Anderson Martins

– Reinaldo

– Hudson,centrado no meio-campo, liberando Liziero

– Liziero (se tiver condições de jogo), fazendo as funções de volante, caindo pela ponta esquerda, interligando com Everton e ora avançando ao meio-campo articulador, encostando em Hernanes

– Hernanes, para armar e chegar ao ataque

– Pablo como centroavante

– Everton pela esquerda

– Nenê pela direita, com liberdade para fechar pelo meio e tentar melhorar a articulação do São Paulo, que está uma clareira.

 

As dúvidas são muitas, o tempo, escasso.



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