SPFC 4 x 0 Toluca: o inferno são os outros



O time com nome de santo parecia estar com o diabo no corpo

Morumbi e noite de disputa pela Libertadores são elementos que provocam a catarse da torcida do São Paulo. Enlouquecidos, 53.241 torcedores – novo recorde de público no Brasil em 2016 – cantaram e empurraram o time durante todos os segundos da partida. Se o Toluca é conhecido no México pelo apelido de Diablos Rojos, com certeza, assustaram-se com a intensidade do calor do inferno do Morumbi.

Há tempos uma partida não impôs uma predominância tão expressiva de um time sobre o outro. O São Paulo massacrou desde o primeiro minuto até os 15 do segundo tempo, quando passou a administrar o resultado. Para dimensionar a superioridade Tricolor, no primeiro tempo, a equipe obteve 78% de posse de bola, mas não de um percentual formado por passes laterais e recuos para o goleiro. Foram 78% incisivos, intensos, com mais de 20 finalizações para o Tricolor, sendo 10 de grandes chances de serem convertidas em gols.

Logo aos dois minutos o SPFC já mostrou a que veio. Maicon deu um chutão para o alto, isolando a bola da defesa para o meio-campo. Ganso disputou, brigou, roubou a bola e abriu na esquerda para Michel Bastos, que bateu forte e Talavera espalmou para escanteio.

Assim como na excelente partida do São Paulo contra o River, no Morumbi, o Tricolor construiu as principais jogadas avançando pelas laterais; ora na esquerda com as triangulações entre Mena, Thiago Mendes e Michel Bastos; ora na direita, com Bruno, Hudson e Kelvin. As triangulações ganharam uma nova geometria por alguns momentos, já que, Centurion, jogando no centro da grande área, deslocou-se para ambas as pontas, encostando nos jogadores que formavam as triangulações, sendo mais uma opção nessa geometria dos lados esquerdo e direito Tricolor.

Os Diablos Rojos do Toluca não suportaram a temperatura do inferno Tricolor, que borbulhava nas arquibancadas. O time mexicano, além de sentir os seis desfalques, sentiu a perna tremer diante de tamanha pressão fora e dentro de campo.

Atônitos depois de contínuo bombardeio, aos 26/1T, queimaram-se com a lava do volume de jogo Tricolor: Bruno, na direita, cobrou com força o lateral em direção à grande área, Kelvin subiu, não achou nada, a bola quicou, encobriu o zagueiro do Toluca e sobrou fácil para Michel Bastos enfiar o pé e abrir o placar.

O gol não esfriou o São Paulo. Dois minutos depois, aos 28/1T, Centurion recebeu a bola no meio campo, avançou em direção à área, abriu para Michel Bastos na esquerda, que entrou em diagonal à meta do Toluca, bateu forte, a bola veio quente e Talavera rebateu. O massacre não cessou em ritmo, bola e intensidade. Aos 29/1T, Kelvin fez um cruzamento da direita em direção ao gol, os mexicanos, perdidos, assistiram à bola cruzar toda a área e bater na trave. Na sequência de um filme de terror para os mexicanos, aos 34/1T, Ganso, na esquerda, deu um toque magistral para  Mena, que avançou na linha de fundo, cruzou para a área, a bola atravessa para o encontro de Kelvin, que chegou batendo de primeira a e bola explodiu no travessão. O Morumbi fervilhou nas arquibancadas.

Não fosse uma jogada do Toluca, não seria exagerado afirmar que o São Paulo dominou completamente o primeiro tempo. Aos 41/1T, escanteio para o Toluca, cobrança com curvas e quase gol olímpico, com a bola resvalando no travessão Tricolor. Além disso, nada.

A resposta do São Paulo veio três minutos depois. Aos 44/1T, Centurion, agora caindo pela esquerda, recebeu a bola no bico da grande área, avançou em diagonal, puxou para a perna direita, bateu e marcou um golaço, no ângulo esquerdo do arqueiro mexicano. Gol para virar o primeiro tempo com 2 a 0 zero no placar e para virar uma página na história pessoal no São Paulo.

O time todo do São Paulo jogou integrado, mas ainda merecem destaques Thiago Mendes, que marcou e, principalmente, voltou a ser o jogador de 2015, tabelando pela ala esquerda e chegando muito bem ao ataque, tanto que, aos 7/2T, pela construção da jogada, marcou um golaço. O volante avançou com a bola pela ponta esquerda, tocou para Ganso na entrada da grande área, que o presenteou com um toque de gênio, deixando-o na cara do gol. Aí, foi só tocar no canto direito e correr para a comemoração.

Hudson não chegou tanto quanto na partida contra o River, estando mais plantado no meio, mas em alguns momentos apareceu pelas laterais e avançando pelo meio. A participação dos volantes outra vez foi decisiva para estabilizar a equipe, ainda que as triangulações pelas alas obtiveram maior destaque contra o Toluca.

O time com nome de santo parecia estar com o diabo no corpo. Não diminuiu o ritmo e, aos 15/2T, Michel Bastos, na esquerda, cruzou para a área, Ganso e Centurion disputaram a bola no alto com os zagueiros, a bola atingiu o chão e sobrou para o argentino esticar a perna e colocar para dentro, marcando o quarto do Tricolor e o seu segundo gol na partida.

O São Paulo precisou de 60 minutos para mandar os Diablos de volta ao México. Desacelerou após o quarto gol e passou a administrar a partida. Ainda deu tempo para que Bauza trocasse três jogadores: aos 25/2T, Kelvin saiu para a entrada de Kardec; aos 32/2T, Centurion por Wesley; e, aos 36, Ganso por Lucas Fernandes.

Ganso, que desde o início do Paulista sob o comando de Bauza vem realizando boas partidas, atingiu sua glória na partida contra o Toluca. O camisa 10 justificou o apelido de Maestro. Comandou tecnicamente a equipe, deu passes primorosos e colocou Dunga, técnico da Seleção, agora diante de um grande dilema. Ganso, ainda mais nesses tempos de futebol burocrático no Brasil, merece uma chance da Seleção Brasileira.

Se Centurion, Michel Bastos e Thiago Mendes viviam um inferno astral, foi no inferno do Morumbi que se reencontraram. Para fechar a tampa, foras de si, os mexicanos ainda assistiram aos camisa 29, Vega, atingir a panturrilha de Rodrigo Caio, por trás, e ser expulso.

Sem dúvida,  os jogadores do Toluca saíram de campo com a constatação de que, mesmo sendo os Diablos Rojos, o inferno são os outros.



MaisRecentes

SPFC 1 x 0 Corinthians: Majestoso coroou quem buscou disputar a partida



Continue Lendo

São Paulo arranca três pontos do Leão de Fortaleza



Continue Lendo

São Paulo: um cavalo desembestado



Continue Lendo