SPFC 2 x 0 Botafogo-SP: placar que não explica a partida



O tempo na cidade de São Paulo confunde-se com o Tricolor Paulista. Depois de um sol de rachar mamona durante o dia, ao final da tarde, garoa e friaca no estádio do Morumbi. Nessa inversão de temperaturas também foram os dois tempos da vitória por 2 a 0 do São Paulo sobre o Botafogo-SP.

Dorival escalou o São Paulo com Sidão, Militão, Bruno Alves, Rodrigo Caio e Reinaldo. No meio Jucilei, Petros e Nenê. À frente, Marcos Guilherme, Diego Souza e Brenner.

Os minutos iniciais da partida foram intensos. Só que a intensidade, a pressão do Tricolor do Morumbi foi só vapor, pois logo aos dois minutos, depois de cobrança de falta do Botafogo, Sidão rebateu e a bola sobrou para o lateral direito Lucas Taylor chutar e a bola encontrar o travessão.

O São Paulo foi o mesmo time de sempre, tocando a bola entre a defesa e o meio-campo, mas sem a capacidade de invadir a área do Botafogo, que demonstrou um time muito bem armado.

Nenê, que nem treinou e já foi para a partida, fez o que pode para tentar articular uma jogada entre o meio e o ataque, no entanto, o time girava em torno de si.

Sem conseguir chegar, o São Paulo ainda assistiu ao Botafogo meter outra bola na trave, aos 25/1T, quando a jogada começou na direita, bola cruzada, que atravessou toda área e o sistema defensivo Tricolor do Morumbi até chegar aos pés de Dodô, na esquerda, bater cruzado, vencendo Sidão, mas não vencendo o pé-da-trave.

E não parou nisso. Aos 41/1T, Marcos Guilherme, na direita do São Paulo perdeu uma bola, proporcionou o contra-ataque do Bota, a redonda chegou aos pés de Bruno Moraes, de frente para o gol, o centroavante ajeitou, bateu, tentou tirar de Sidão, mas se lamentou ao ver a bola sair caprichosamente à direita da meta tricolor.

Aos 41 minutos do primeiro tempo, não fosse a ilógica do futebol, o placar do Morumbi era para apontar Botafogo 3, São Paulo 0. No primeiro tempo, o time errou muitos passes e os atacantes passaram frio no ataque.

Com o time jogando muito mal, Dorival, no intervalo, sacou o bom garoto Brenner para a redenção de Cueva. Com isso, o Tricolor do Morumbi passou a contar em campo com Cueva, Diego Souza e Nenê.

A entrada do peruano melhorou a equipe. O time passou a apresentar uma melhor linha de passes, ao contrário da fragmentação da primeira etapa. Logo aos 4/2T viu-se a melhora: Cueva faz jogada perto da área, toca para Petros, que bateu por cima. Já era mais que praticamente o primeiro tempo todo.

A virada do tempo chegou um minuto depois. Nenê deu um ótimo passe para Reinaldo que se projetou na ala, o lateral esquerdo chegou à linha de fundo, cruzou e Diego Souza empurrou para dentro. O São Paulo abriu o placar.

Porém, os sustos do primeiro tempo não cessaram. Cinco minutos depois do gol do São Paulo, aos 10/2T, Sidão salvou o São Paulo do empate: Wilian Oliveira invadiu pela esquerda, cruzou na área, Bruno Alves bateu à queima-roupa e Sidão fez uma extraordinária defesa.

A jogada explicita uma deficiência do São Paulo na ala direita. Militão é muito bom, porém, zagueiro de ofício. Na direita, improvisado, avança bem, chega bem ao ataque, mas em diversas partidas deixa brechas no setor defensivo. O São Paulo contratou bastante para a temporada 2018, mas ainda não conseguiu um lateral direito do ramo.

Ainda que melhorara um pouco na partida, conseguindo estabelecer uma sequência de passes e esboçar a construção de jogadas, não deixou de correr riscos de tomar um gol do Botafogo. Aos 22/2T, Sidão salvou de novo o Tricolor do Morumbi, depois de cobrança de escanteio em que o arqueiro defendeu a cabeçada de Naylhor. O Botafogo não desistiu de buscar o empate.

Aos 30/2T, Reinaldo, machucado cede lugar ao contestado Edimar. Kingnaldo saiu ovacionado pela torcida. Na sequência, aos 33/2T, Dorival poupa Nenê com a entrada de Shaylon, que é bom jogador, mas que precisa, gradativamente, entrar no profissional.

Quando a previsão da partida indicava que seria um placar magro de 1 a 0, aos 38/2T, o zagueiro do São Paulo, Bruno Alves, é segurado dentro da área. Pênalti. Cueva bateu rasteiro, no canto direito do goleiro para ampliar o placar e correr para a torcida, jogadores e comissão técnica com as mãos unidas, em gesto de redenção e perdão. Foi o suficiente para a torcida gritar o nome do peruano que, de fato, altera a movimentação do Tricolor.

Com poucos minutos do cronômetro, a partida terminou em 2 a 0 para o São Paulo, que jogou um futebol horrível, ainda pior que o apresentado contra o Madureira pela Copa do Brasil, mas melhorou no segundo tempo.

O time não tem conexões, não consegue uma sequência de passes, é muito vulnerável no sistema defensivo, o meio não articula com o ataque e já está na hora de Dorival, em busca de velocidade, testar a entrada de Hudson, no lugar de Jucilei, que não comprometeu, mas deixa o time mais pesadão. Hudson e Petros formariam uma dupla a ser testada no Tricolor.

Se quem vê cara não vê coração, no futebol, quem vê o placar não vê de fato o que foi a partida.



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