SPFC 1 x 1 Palmeiras: dois tempos, dois tentos



Crédito: Chiri

O São Paulo começou a partida ligado no 220 volts. Pressionou o Palmeiras, fechou o meio-campo e no ataque e Antony infernizava pela direita. O volume inicial gerou resultado: logo aos 9’, Hernanes cruzou da direita, Pablo antecipou à zaga e bateu deslocando Weverton. O bom ritmo Tricolor durante os 45 minutos poderia gerado um placar maior, porém parou no arqueiro do Verdão. Já no segundo tempo, o São Paulo recuou, cedeu espaço e tomou um sufoco que poderia ser evitado, caso não abdicasse de jogar. Como castigo – e zica – numa bola vadia, Dudu bateu, a bola desviou em Reinaldo, bateu na trave, nas costas de Volpi e entrou. Sorte do Verdão, azar do São Paulo, e de Volpi, que fazia uma partida impecável.

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Cuca, que teve longos dias de preparação, escalou o São Paulo com Volpi, Hudson, Arboleda, Bruno Alves (que fez grande partida) e Reinaldo. No meio, Hernanes, Tchê Tchê (que marcou muito bem, foi rápido na transição, mas errou demasiadamente passes), Luan. No ataque, Pablo, Antony e Pato (muito abaixo do tom da partida).

Importante ressaltar que Volpi, mesmo falhando no gol, realizou uma grande partida, com grandes defesas. O Tricolor, que vive um drama depois da saída de Rogério Ceni, parece encontrar um goleiro seguro para a meta.

O São Paulo foi um time de dois tempos, em que o comportamento poderia ser explicado como o protagonista de “O Estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, o médico e o monstro. Depois de um primeiro tempo muito bom, o segundo tempo foi um desastre, com o time recuando e proporcionando todo espaço ao Palmeiras, que se lançou para cima, e martelou. O gol de empate nasceu de falha, no entanto, o Palmeiras manteve o Tricolor acuado em sua defesa o segundo tempo inteiro.

No São Paulo dos contrastes, outro chama muito a atenção: Antony x Pato. Enquanto o jovem correu o tempo todo, infernizou a defesa, partiu para cima, driblou, chutou de fora da área e, por diversos momentos, você o via na defesa, ajudando Hudson na ala direita; Pato era o oposto, apático, esperando a bola chegar ao pé, não dando combate na saída de bola do Palmeiras e, as raras vezes em que pegou na bola, chutava para o gol com um ar blasé. Tanto que cedeu lugar a Toró, que em poucos minutos, não fez chover, mas já proporcionou maior movimentação e chegadas ao ataque.

Em sua espiral de zicas, o São Paulo perdeu Pablo, que retornou após três meses, marcou, mas também se machucou. Se a gente puxar na memória, verdade é que o calendário já chegou à metade do mês de julho e Pablo praticamente não estreou no Tricolor.

Ao contrário do Santos, de Sampaoli, que tem um elenco muito inferior no papel, mas não abdica de jogar bola o tempo todo, o Tricolor, com seu futebol definhante nos segundos tempos, padrão dos últimos tempos, perdeu uma ótima oportunidade de vencer o “desfalcado” Palmeiras. Deixou escapar, muito mais que os três pontos, uma vitória que poderia proporcionar confiança nessa retomada depois da parada da Copa América.

O São Paulo voltará a campo em 22 de julho, segunda-feira, às 20 horas, pela 11ª rodada, quando enfrentará a Chapecoense, no Morumbi. Se quiser ainda sonhar com um título, não pode nem pensar em empatar.

Na roda vida do futebol, ainda que possa parecer cedo e alarmismo, nos bastidores do Morumbi, já há muitos olhos sobre o trabalho de Cuca, que não está 100% garantido no cargo. Além das quatro linhas e dos pontos na tabela, há muita coisa em jogo no tabuleiro político Tricolor.



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