SPFC 0 x 1 Athletico-PR: outro vexame do São Paulo no Morumbi



Foto: Chiri

Na reta final do Brasileirão, 32ª rodada, no Morumbi, quando a intensidade deveria aumentar no sentido de seguir na luta pela vaga direta da Libertadores, o São Paulo perdeu para o Athletico-PR. Com isso, diante de 13.795 torcedores, contabilizou mais queda dentro de seus domínios, encontra-se estagnado em 52 pontos, vendo a classificação escorrer pelos dedos. O gol do Furacão surgiu aos 45 do segundo tempo, em chute de fora da área de Cirino, em que Volpi, salvador de vários jogos, engoliu um frangaço. Desfecho pior, impossível.

Diniz, realidade, escalou o São Paulo com três zagueiros. Compôs o time com Volpi, Daniel Alves, Arboleda, Jucilei, Bruno Alves e Reinaldo. No meio, Tchê Tchê, Igor Gomes. À frente, Antony, Vitor Bueno (que também compõe o meio sem a bola) e Pablo.

O Athletico entrou em campo com técnico interino e sem quatro titulares, com objetivo nítido de explorar os contra-ataques e também cozinhar a partida, tentando levar um ponto para Curitiba.

O São Paulo, com Igor Gomes sempre buscando verticalizar, até que foi um time com menos toquinhos de lado. Jucilei atuando como um terceiro zagueiro, líbero, uma vez que subia ao meio-campo, fez com que os laterais Daniel Alves e Reinaldo tivessem mais liberdade para avançar.

O Tricolor chegou várias vezes à meta do goleiro Santos. A melhor jogada aconteceu no início da partida, quando Reinaldo chutou, a bola desviou e o arqueiro do Furação, em puro reflexo, meteu para escanteio.

Se analisar o todo, o São Paulo criou várias oportunidades, mas nada substancial, algo que realmente representasse perigo. Foram inúmeros chutes à meta do Furacão, muitas, para bem longe das traves. Há um grave problema de finalizações no São Paulo desde os tempos de Cuca.

A pergunta que se deve estabelecer: – o relativo volume de jogo do Tricolor se deu pelo fato de estar jogando em casa, com necessidade da vitória, ou porque o Athletico se encolhia e, naturalmente, proporcionava mais espaço? Fico com a segunda opção.

No segundo tempo, Diniz promoveu três alterações: tirou Jucilei, que fez boa partida como líbero para dar lugar ao jovem Gabriel Sara, tirou Pablo para entrada de Raniel; e, já no finalzinho da partida, sacou Igor Gomes à entrada de Hernanes.

O Athletico-PR, dentro de sua proposta de jogo em contra-atacar, em diversos momentos ofereceu perigo. Em uma falha de cobertura de Reinaldo, que deixou a ala esquerda aberta, Lucho recebeu frente a Volpi, mas bateu mal.

Em muitos momentos da partida, assim como aconteceu na derrota para Fluminense, também no Morumbi, o São Paulo ficava assistindo ao Athletico-PR trocar passes sem fazer pressão. Em outros, com a posse, trocava passes como se a partida estivesse vencida.

Há uma questão antiga que assombra o Morumbi: ausência de volúpia e intensidade dos jogadores. Sentimentos que fazem os atletas, considerando a importância como uma partida decisiva como esta, desdobrem-se em busca da vitória. Ainda mais em casa.

Diniz, característico por sua intensidade, descabela-se à beira do campo diante de tamanha apatia. É um problema a ser resolvido pelo técnico, mas que também envolve cobranças do presidente Leco e Raí sobre o elenco.

Jogadores ganham 1milhão por mês e conduzem a partida como se em um jogo qualquer de final de semana. Muito além de tática e técnica, falta sangue nos olhos, vontade de vencer, como o São Paulo já teve nos tempos de Aguirre, em que havia um elenco infinitamente inferior, mas que chegou a liderar por oito rodadas o Brasileirão, na base da superação.

Não é o que se viu contra o Fluminense e Athletico-PR.

Para fechar mais um capítulo tenebroso do São Paulo, Volpi, detentor de defesa extraordinárias, aos 45/2T, levou um frangaço de fora da área, em chute de Marcelo Cirino. Na tarde fria e garoenta de São Paulo, foi o balde de água fria.

Agora o São Paulo descerá a Santos para enfrentar ninguém menos que o Santos, de Sampaoli, no primeiro movimento de uma luta que se tornou desesperadora para garantir uma vaga no G4.

Em outro texto, disse que Diniz precisa ser mais Diniz, no sentido de também ser aquele intenso, de cobranças, no sentido de reverter uma curva descendente no São Paulo. Muito além de técnica, tática e de psicologia, é momento de energia frente a um elenco que se arrasta em campo e parece encarar derrotas com uma absurda normalidade.

É momento para Diniz questionar jogadores até então considerados titulares absolutos como Tchê Tchê, Pablo (nessa retomada) e Antony. É momento para repensar o São Paulo, não para desmontar tudo, mas para repensar questões pontuais.



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