SPFC 0 x 0 Sport: O último tango no Morumbi



No dia em que o mundo perdeu o extraordinário diretor de cinema Bernardo Bertolucci, o São Paulo dançou seu último tango no Morumbi pela temporada 2018, empatando em zero contra o Sport, perdendo a possibilidade de ocupar a quarta posição, já que o Grêmio empatara com o Vitória.

Para completar a noite trágica, Nenê, no segundo tempo, ainda perdeu um pênalti duplamente vergonhoso, porque não existiu e pela maneira em que foi cobrado.

Há mais ligações com cinema e futebol que se possa imaginar. Ambos são analisados se bons ou ruins quanto à narrativa dos fatos e a estética. Melancólicos são “O Último Tango em Paris” e o São Paulo, sem assegurar o quarto lugar, despedindo-se de sua torcida, de forma melancólica, ao som de Gato Barbieri.

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O elenco comandado por Jardine foi de Jean; Araruna, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo; Jucilei, Liziero e Nenê; Helinho, Diego Souza e Everton.

O clássico de Bertolucci é uma história densa, de um homem, Paul (Marlon Brando), em conflito frente ao destino, depois do suicídio da esposa, tentando encontrar-se. O São Paulo, em certo sentido, flerta com esse homem.

O São Paulo, em desencontro com si mesmo no segundo turno, dançou um tango no gramado do Morumbi. É fato que tentou ensaiar alguns passos, no entanto, o descompasso foi como nas últimas partidas. Na base do chuveiro, do desespero, no limite, no final da partida, Tréllez ainda conseguiu uma bola na trave.

Depois de liderar por oito rodadas o Brasileirão, viu a possibilidade do título escapar de suas mãos, perdeu-se no destino do segundo turno, deixando de ser o time aguerrido e combativo, para cair vertiginosamente, pelas baixas do elenco, na falta de repertório, nas frases-táticas repetidas, pelo ego e pela ânsia de retomar um protagonismo que se dilui ano após ano.

O elenco comandado por Jardine foi de Jean; Araruna, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo; Jucilei, Liziero e Nenê; Helinho, Diego Souza e Everton.

O São Paulo, há 10 anos com apenas um título lançado, precisa repensar o roteiro de sua História. Um novo diretor técnico já assumiu o elenco para a próxima temporada, será Jardine que terá a árdua missão de fazer esse elenco jogar bola?

O que se viu no estádio do Morumbi não foi um filme reflexivo, muito menos um filme com final feliz, mas sim um de terror. Ainda citando Bertolucci, o São Paulo, em sua descendente, de soberano está cada vez mais para “O Último Imperador”.



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