Sidão ou não Sidão, eis a questão…



A peça Hamlet, de Shakespeare, retrata a agonia, a obsessão e loucura do personagem homônimo à obra que, diante da tomada do trono por seu tio, após matar seu pai, tentar retomar o trono da Dinamarca. O torcedor são-paulino também vive seu martírio, com o time em busca de seu trono, perdido há praticamente 10 anos.

Como dizia o mestre Nelson Rodrigues, existe o drama, o épico e o mito em uma partida de futebol. Entre os atos dessa peça futebolística do São Paulo encontra-se o personagem Sidão, contratado em dezembro de 2016 e com acordo prolongado até o final de 2019.

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A contratação continha todas as credenciais para a posição, mas, com o desenrolar dos atos, Sidão oscilou nas atuações, cedendo o palco das áreas para Renan Ribeiro e Jean, até voltar a retomar os diálogos da bola.

Eis que no reino da Dinamarca do Morumbi, o ano de 2017 também não foi tempo de paz. Ainda que uma retomada no Brasileirão, com o São Paulo ocupando as primeiras posições, Sidão ainda vive seus dias de tensão.

O elenco estava avançando na tabela, mas, frente à primeira derrota ou gélido empate, o fantasma da titularidade voltava a rondar a área do arqueiro. Novamente o drama de Sidão confunde-se com o drama da plateia, confunde-se com o drama da equipe.

Os torcedores do são-paulino vivem atormentados, tentando se agarrar em uma razão existencial-matemática nas tabelas, no entanto, diante de qualquer imprevisto – que é normal em um campeonato de 38 rodadas e um time em formação – eis que o assombro dos últimos anos toma conta da cena.

O drama do protagonismo no gol Tricolor estende-se muito além dos diálogos das arquibancadas, parece preencher toda o cenário com um ambiente de insegurança, colocando em dúvida tudo e a todos, tornando ainda mais complicado o trabalho de qualquer técnico que passar pelo São Paulo, que tem de lutar para ensaiar uma equipe competitiva, lutar contra desmontes do elenco e construir uma obra vencedora.

Já com a peça sendo encenada, a diretoria do São Paulo foi buscar um novo arqueiro, Jean, que chegou do Bahia pelo valor de R$ 10 milhões. Mas nesse monólogo-interior, as dúvidas são:

– Se Sidão não era suficiente para a posição por que, então, contratar um goleiro por um alto valor para ficar na reserva? Não seria melhor ter direcionado essa verba para corrigir os problemas das laterais e outros pontos deficientes no elenco?

Alguns atos no São Paulo soam como tragédias previamente anunciadas, porém, o grande problema é que parte das medidas, ainda que com novo figurino, parecem reencenar os mesmos claudicantes erros. Se se reencenam os erros, os resultados poderão ser diferentes ao final da temporada?

Nesse drama das traves, Sidão e quem sabe outros que virão, lutarão para substituir um Mito.



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