Liberta16 | SPFC perde no apito para o Atlético, mas morre atirando na Liberta



Árbitro não marcou o pênalti em Hudson: lance mudou o eixo da partida

O São Paulo já entrou no estádio Atanasio Girardot com 2 a 0 de sobrepeso na bagagem. O time estava remendado e desconfigurado taticamente com as ausências de Maicon, Kelvin e Ganso. Mesmo diante de tantas dificuldades, o Tricolor lutou com as armas que possuía nas mãos. Perdeu por 2 a 1, com interferência direta do árbitro. Em resumo, o Tricolor morreu atirando.

Pilhado, o São Paulo entrou pegando os calcanhares. Logo aos 4 minutos Hudson chegou firme e tomou amarelo. Sem bola e entrosamento para competir com os colombianos, o Tricolor tentou povoar o meio-campo que, sem Ganso para fazer a articulação do ataque, partia para cima do Atlético, na-base-do-jeito-que-dava.

Numa dessas investidas mal costuradas, aos 8/1T, Michel Bastos recebeu uma bola pela esquerda, enfiou o pé em direção à área. A bola, resvalada, tirou o tempo do zagueiro colombiano e deu brecha para que Calleri – guerreiro e matador – subisse como nunca, metesse a cabeça na bola, no contrapé do goleiro Armani e abrisse o placar. Nem o mais otimista Tricolor pensaria em um gol aos 8 do primeiro tempo.

Mas a vantagem do São Paulo durou apenas 7 minutos. Aos 15/1T, uma bola perdida no meio-campo sobrou nos pés do bom Berrio, que, rapidamente, viu a defesa Tricolor desorganizada, meteu um lançamento perfeito para Borja, entre Bruno e Lugano, o atacante saiu na cara do gol, em velocidade, bateu forte, cruzado, empatando a partida.

Com uma garra que há tempos não se via, o São Paulo não se entregou. O jogo estava aberto, franco. Três minutos depois do empate colombiano, aos 18/1T, Mena cruzou da esquerda em direção à área, bola foi tocado e sobrou para novamente Calleri tocar de cabeça, tirar de Armani, que foi salvo pela trave. Grande chance para o Tricolor.

Aos 26/1T, um incansável São Paulo tenta de novo. Centurión, no meio, abriu para Michel Bastos, que cruzou para a área. A bola, rasteira, atravessou toda a meta colombiana, mas Calleri chegou atrasado diante de um gol escancarado.

O Atlético, jogando em casa, inverteu a pressão, principalmente com jogadas via linha lateral esquerda Tricolor, onde Mena muito avançava e não conseguia recompor o sistema defensivo. Com isso, o atacante Moreno perdeu também dois gols feitos.

O jogo era bom, aberto, um duelo. E quando todo mundo já tomava fôlego para encarar o segundo tempo, aos 47 minutos, Michel Bastos recebeu uma bola na meia-lua, tocou na medida para Hudson que, na cara do gol, foi empurrado e tocado por Bocanegra. Pênalti escandaloso, com direito à expulsão do defensor colombiano. O árbitro chileno, que não merece ter o nome citado, ignorou o lance que mudou todo o eixo da partida.

O São Paulo poderia voltar para o segundo tempo vencendo por 2 a 1, tendo a missão de fazer mais um gol para classificar-se à final da Libertadores. Não fosse o mal-intencionado árbitro, o que era quase impossível, ganharia 45 minutos para se materializar. Sem mi-mi-mi, a possibilidade seria real.

Revolta, indignação, sinal de que o pior estava por vir. E veio…

No segundo tempo, o São Paulo, como sempre acontece, caiu de rendimento. O Atlético cresceu e perdeu inúmeras oportunidades. Cansado e desequilibrado emocionalmente, o Tricolor destemperou aos 32, quando Carlinhos meteu a mão na bola, dentro da área. O justo pênalti para o Atlético fez emergir a lembrança do pênalti não dado em Hudson.

Era tudo o que o árbitro mal-intencionado queria. Um fato, que estava criado. Com as reclamações, mandou Lugano e Wesley para o vestiário. Mais revolta. O apitador atingiu seu objetivo, viu o Atlético marcar o segundo, virar a partida e, para ter a certeza absoluta de que o improvável não entraria em campo, expulsou dois jogadores. A partida acabara ali. Nem seria preciso jogar os minutos finais.

O São Paulo, perdeu na emoção. No Morumbi com a expulsão de Maicon e o vacilo do bom Bauza ao não recompor a defesa na primeira partida. Na Colômbia, foi assaltado de forma vergonhosa.

Para um time que enfrentou defenestração de presidente, corrupção, salários atrasados, turbulência política, apatia, má vontade, falta de comprometimento; sem dúvida, chegar à semifinal da Libertadores, que significa estar entre os 4 melhores da América, o São Paulo morreu atirando e saiu fortalecido para dar sequência ao projeto de reconstrução de um clube gigante.

Os jogadores, Bauza e a comissão técnica merecem o respeito da torcida, pois conduziram o São Paulo até onde ninguém imaginaria. O presidente Leco, quando chorou ao ver o Tricolor passar pelo Galo, no Independência, mostrou que realmente ama o Tricolor e tem o desejo de reconduzir o clube à sua grandeza. Agora é manter Bauza, contratar jogadores, reforçar a equipe e seguir a vida. Vida que segue.



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