São Paulo vence o Flu e o improvável



São Paulo virou pra cima do Fluminense em uma noite em que Sobrenatural de Almeida entrou em campo (foto Chiri)

Quem viu apenas o resultado final não tem a dimensão do sofrimento que foi a vitória do São Paulo, por 2 a 1, contra o Fluminense, lá no Rio. Em ritmo de procissão, as duas equipes carregavam um andor pesado, não jogaram nada, mas encontraram dois gols a partir de falhas.

O São Paulo, antes colado ao inferno do rebaixamento, conseguiu um milagre, como diz a música de Gilberto Gil: “Olha lá vai passando a procissão / Se arrastando que nem cobra pelo chão / As pessoas que nela vão passando acreditam nas coisas lá do céu.”

Arrastada, os jogadores caminharam até os 30 minutos do primeiro tempo sem praticamente sem se ameaçarem. Era uma partida com um fardo pesado para os olhos.

Mas, aos 30/1T, eis a primeira quebra na ladainha do jogo. Wellington, do Flu, pela esquerda, pegou a bola atrás da linha do meio de campo, saiu em disparada, conduziu a bola livre até a grande área, quando encontrou Rodrigo Caio, João Schmidt e Maicon. O atacante passou no meio dos três, entraria com bola e tudo, mas foi parado com pênalti por Denis. Wellington cobrou e abriu o placar.

O São Paulo se abateu. Não jogando nada e ainda mais abatido com o gol, tudo indicava que não levaria três pontos para São Paulo. Mesmo assim o Tricolor ainda encontrou Cueva, aos 38/1T, dentro da área do Flu, que recebeu, bateu cruzado e a bola caprichosamente tocou a trave e saiu para fora.

Foi só isso. Nada mais. Depois arrastou correntes até o final do primeiro tempo. O clima era desolador, desesperador, angustiante. Com a anemia do São Paulo, a derrota parecia certeira.

E veio a segunda etapa. Logo aos 7/2T, Gustavo Scarpa cobrou falta e balançou o travessão de Denis, reafirmando a derrota e aumento a desconfiança nos corações dos são-paulinos.

Porém, quando tudo parecia indicar um só caminho, aconteceu aquelas coisas que só acontecem no futebol. Aos 15/2T, Ricardo Gomes sacou Robson e promoveu a estreia de David Neres, garoto-craque-promessa da base Tricolor paulista, que entrou e mudou completamente a dinâmica da equipe em campo.

O jovem deu movimentação, fez boas jogadas de linha de fundo, como aos 23/2T, quando fintou pela de fundo na direita, cruzou, a bola atravessou toda área e Thiago Mendes perdeu um gol incrível. Depois da bola na trave de Cueva, no primeiro tempo, foi o segundo suspiro do time.

Três minutos depois, aos 26/2T, foi a vez do Fluminense dar o seu dízimo ao São Paulo. Em jogada de bate-rebate, a bola sobrou dentro da área no pé do zagueiro Gum, que tentou afastar, tocou no companheiro Marquinhos e a bola sobrou na medida para Thiago Mendes enfiar o pé par o gol. Gum, em duplo desastre, ainda desviou a bola que matou completamente o goleiro. Gol do São Paulo, gol do improvável, gol que a lógica não previa.

Ricardo Gomes mudou novamente. Tirou Chavez e colocou outro jovem, Pedro, que também deu mais movimentação à equipe.

O Tricolor paulista acelerou o ritmo. Aos 31/2T, o mesmo Thiago Mendes, criticado, disperso e que errou muitos passes durante o primeiro tempo, ainda colocou um balaço no travessão. A partida, inexplicavelmente, mudara.

De um time morto, aos 36/2T, depois de cobrança de escanteio, a virada do improvável aconteceu. A bola voou na área, Rodrigo Caio veio de trás, subiu um absurdo, enfio a cabeça e fez o segundo do São Paulo.

Depois disso, foi segurar o placar até os 49 minutos mais longos, numa partida procissão interminável. O juiz apitou, dando início à catarse na comemoração são-paulina.

O São Paulo, que não vencia fora de seus domínios desde 7 de agosto na vitória contra o Santa Cruz, em Recife, venceu a partida contra o Flu e, diante do futebol apresentado em maior parte do jogo, venceu o improvável, que um dia o ilustre Tricolor Carioca Nelson Rodrigues denominou de “Sobrenatural de Almeida”.

Com a vitória, o São Paulo subiu para 39 pontos, na 12ª posição. Na próxima rodada enfrentará a Ponte Preta, no Morumbi, sem Buffarini e Maicon suspensos por cartão amarelo. E, no dia do inusitado, Lugano, que poderia substituir na zaga, tomou amarelo no banco de reservas e também ficará de fora.



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