São Paulo toma mais uma flechada em Chapecó



Depois de um empate catastrófico, no Morumbi, em 2 a 2 com Atlético-GO, lanterna do campeonato, com direito a gol de calcanhar do meio da grande área e frustração de 32 mil torcedores que acreditaram em uma reviravolta, o São Paulo partiu para o Sul para enfrentar a Chapecoense, adversária direto na luta contra o rebaixamento. E o resultado foi ainda pior: voltou com duas flechadas do índio Condá e os mesmos 12 pontos, que o mantém estagnado, após 14 rodadas, na complicada 17ª posição da tabela.

Contra a Chape, Dorival apostou em preservar praticamente o mesmo time que enfrentou o Dragão Goiano. Renan no gol. Sistema defensivo composto por Bruno na lateral direita, Junior Tavares na esquerda, e o miolo de zaga com Arboleda e Rodrigo Caio. No círculo central, Jucilei e Petros. Cueva à frente, e uma linha de três no ataque com Gomez pela esquerda, Pratto centralizado e Nem pela ponta direita.

Imersas em uma partida horrorosa, as duas equipes praticaram um futebol varzeano. Não se arriscavam. O jogo equilibrou-se pela mediocridade do futebol apresentado. Ainda assim surgiram alguns lances de perigo. Mais para a Chape, quando Seijas, em cobrança de falta meteu uma bola na trave com a ajuda do reflexo cego de Renan Ribeiro.

A síntese do descompasso do São Paulo no primeiro tempo se deu com Wellington Nem, em que a melhor jogada que fez foi ter tomado cartão amarelo. Colocasse Dorival, um saci, na ponta, seria mais eficiente. Do outro lado, Jonatan Gomez, também foi outro apagado, que parecia mais preocupado com o topete do que a partida.

O São Paulo teve apenas uma chance: cobrança de falta à área, Pratto deslocou-se, tocou no meio para a chegada de Gomez, que parou no goleiro. A Chape obteve a maiores oportunidades, principalmente com o lateral-direito Apodi, colocando todo o setor esquerdo tricolor, formado por Gomez, Tavares e Rodrigo Caio, em exposição.

Depois de 45 minutos desoladores, na segunda etapa, Dorival insistiu com a mesma equipe. Poderia ter sacado Nem e dado lugar à Marcinho e tirado Gomez para dar uma oportunidade ao garoto Lucas Fernandes.

Não poderia ser diferente. O São Paulo foi o mesmo time apático, pouco criativo e temeroso em campo. Mas o pior ainda estava por vir: aos 17 minutos, falta para a Chape na direita, cruzamento na área, mais uma pane na defesa e Tulio Melo entra sozinho de cabeça para afundar o São Paulo.

Depois do gol, o único padrão que o torcedor observou no São Paulo desde o início do ano: o descontrole, a falta do poder de reação diante de uma situação adversa. O time dilui-se, perde-se em si mesmo.

Com o placar negativo, Dorival tirou Petros e colocou Lucas Fernandes. Deveria ter sacado Gomez. Finalmente, sacou Nem para dar lugar a Marcinho, que foi para a esquerda, invertendo com Gomez e, mais estranho ainda, sacou Cueva para dar lugar a Denílson, que se tivesse ficado no banco seria a praticamente o mesmo time.

Não adiantou. O time entrou, como sempre, em colapso. Se no primeiro tempo a articulação entre as linhas já era difícil, no segundo, não havia mais um padrão mínimo, independente de bom ou ruim. Se há alguma coisa positiva para se apontar no São Paulo foi a atuação de Petros, formando uma bela dupla no meio campo Jucilei, e indícios de uma recuperação de Cueva.

Como castigo pouco é bobagem, já nos acréscimos, Tavares tentou avançar, perdeu bisonhamente a bola, a defesa estava desarrumada e o Índio Condá ainda deu a última flechada no São Paulo, aos 48 minutos, com Lucas Marques, batendo de fora da área.

A situação do São Paulo é preocupante. Em 14 rodadas somada 12 pontos, sendo apenas três vitórias e, na luta direta contra a maior derrocada da história do clube, a segundona. Empatou com Atlético-GO e perdeu para a Chape com um futebol altamente questionável.

Dorival não está errado em manter uma base fixa, em contrapartida, os 180 minutos já foram mais que suficientes para sacar Nem do time.

Restando 24 rodadas, considerando a nota de corte em 45 pontos para a permanência na elite do futebol brasileiro, o São Paulo precisa fazer o que ainda não fez em todo o ano, vencer 11 jogos.

Ou seja, a partir de agora, cada jogo tem de ser encarado como uma final. Os jogadores têm de se fechar com Dorival para evitar o maior vexame na história do clube e não ficarem marcados em suas carreiras. As insatisfações extracampo deverão ser deixadas de lado, pois, se há alguma possibilidade de evitar o rebaixamento, essa solução só será construída no vestiário, entre comissão técnica e jogadores.

O próximo jogo será contra o Vasco, quarta-feira, às 21h45, no Morumbi. Muito além do jardim de ganhar ou perder, que faz parte do futebol, e da vida, o que a torcida do São Paulo anseia é ver o time lutando até o segundo final, sem se dissolver em campo diante das adversidades.

Por fim, devido ao tempo ruim, o São Paulo perdeu o voo de volta a São Paulo e teve que seguir 13 horas de ônibus. Para muitos os torcedores, frente ao futebol apresentado, deveriam ter voltado a pé.



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