São Paulo precisa voltar a ser gente grande



Nos últimos oito anos, o São Paulo Futebol Clube acumulou mais técnicos e escândalos que títulos. O ápice do caos aconteceu em 2016, quando houve queda de presidente, time beirando o rebaixamento, contratações questionáveis, ausência de patrocínios, dívidas acumuladas próximas de R$ 300 milhões, e, para completar o ciclo de ruínas circulares, eis que surge “o caso da prancheta”, entre tantos outros problemas que, gradativamente, foram apequenando uma instituição que já conquistou seis vezes o Brasil, três vezes a América e três vezes o mundo. Não é pouco.

Ainda que o conceito Soberano siga traindo os torcedores, quando segue ressoando permanentemente na memória como um mantra capaz de amenizar as dores, fato é que o São Paulo precisa se reerguer em meios aos escombros. É tempo de planejar e estancar as picuinhas.

A missão de fazer o São Paulo voltar a ser gente grande está nas mãos do presidente Leco, oficializado no cargo máximo da entidade pelos próximos três anos e por sua diretoria. São eles quem têm a missão de reverter o quadro negativo no Morumbi, pois o gramado é extensão da política, em que pesam contratações, reforços e patrocínios e todo o gerenciamento da instituição.

Cobrar apoio da torcida também já não é aceitável, pois os tricolores,  mesmo convivendo com sucessivos fracassos, nunca abandonaram o time, demonstrando seu fervor e devoção com a estatística positiva das maiores médias de público no Brasil.

Em contrapartida, o torcedor precisa compreender (evidente que é quase impossível quando se envolve a emoção), que são pequenas as chances de o São Paulo conquistar o Brasileirão, único torneio que restou em 2017. Há muitos elementos a serem ajustados dentro e fora do campo, e tudo não se arrumará da noite para o dia. O futebol, assim como a vida, é determinado por um processo, em que a sucessão de atos positivos determinam o sucesso.

O momento é de reconstrução, mas isso não significa que o processo será tranquilo. Leco e seus diretores tem obrigação também de cobrar jogadores e comissão técnica por bons resultados, evitando que o São Paulo seja o “resort” que se tornou nos últimos anos para muitos jogadores, que arrastam imensos chinelos a custos estratosféricos, ainda mais para um clube tão combalido em seus cofres.

Importante não confundir cobranças com instauração de crises. Se não é possível mudar tudo, que também não haja margem para a apatia que assolou vários elencos tricolores em diversas temporadas.

O presidente Leco terá de mostrar pulso firme, encarar os microfones, elaborar um planejamento que compreenda, caso necessário, dispensas ou novas contratações, passando pelo corpo diretivo, comissão técnica, departamento médico, treinadores e, principalmente, jogadores, que possuem grande fator determinante nos resultados. Qualquer ação no sentido contrário seria perpetuar o fracasso.

Na tabela, estas mudanças já têm data marcada. Terão de começar a materializar-se na segunda-feira, dia 20 de maio, às 21 horas, quando a equipe receberá o Avaí, no Morumbi, pela segunda rodada do Brasileirão.



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