São Paulo morre no primeiro mata



"Dois jogadores" do São Paulo marcaram para o Cruzeiro: Hudson, emprestado, e Pratto, contra.

"Dois jogadores" do São Paulo marcaram para o Cruzeiro: Hudson, emprestado, e Pratto, contra.

 

No primeiro duelo pela Copa do Brasil, no Morumbi, diante de 43.500 tricolores, o São Paulo enfrentou o Cruzeiro e deixou o gramado com um complicado 2 a 0 dentro de suas fronteiras, em gols de Pratto, em dia de Oséas, fez contra, e Hudson, em vacilo de marcação da zaga. Agora, para avançar na competição, terá de reverter o quadro lá nas Minas Gerais.

Quem não assistiu à partida deve estar pensando que o Cruzeiro dominou. Não é verdade. A história é bem outra: foi o São Paulo quem dominou o jogo. Terminou com mais de 60% de posse de bola, correu muito, buscou o gol, tentou de todo jeito, mas não conseguiu furar o bloqueio de Mano Menezes que, à la Conte, concedeu a posse de bola para o Tricolor e ficou à espreita de uma oportunidade.

Estrategicamente, o Cruzeiro entrou todo recuado. Muito bem postado em seu quadrante, o time mineiro criou uma ilusão no volume de jogo do o São Paulo, que ficou girando em torno de si, numa constante inútil onde se passava, tocava, girava, passava, tocava, girava, passava, girava, tocava… mas que não se chegava a lugar algum.

Tanto foi ilusório o volume de jogo do São Paulo que em todo primeiro tempo, o time conseguiu chegar ao gol do Cruzeiro apenas uma única vez, aos 19/1T, quando Jucilei partiu com a bola do meio de campo, avançou no meio de uma massa cruzeirense e próximo da meia-lua encontrou Luiz Araújo na esquerda. O garoto bateu para defesa de Rafael.

Os primeiros 45 minutos terminaram em 0 x 0, com o São Paulo controlando a bola, mas com o Cruzeiro controlando o jogo. Essa foi a grande diferença das equipes.

Dois problemas ficaram evidentes no Tricolor: Sem Cueva, a missão de articular a criação no meio-campo fica por conta de Thiago Mendes e Cícero que, bem marcados, pouco fizeram. O São Paulo depende muito do peruano.

Mano Menezes voltou para o segundo tempo com a mesma postura no Cruzeiro. Controlar o jogo, deixar a posse com o São Paulo, esperar um momento de contra-atacar ou um vacilo. E eles vieram.

Quinze minutos se passaram. E nada. A mesma toada. Então Rogério Ceni resolveu tirar Nem, horroroso na partida, tropeçando na bola, para dar lugar a Thomaz, meia, buscando injetar criatividade na equipe.

Mas, como sempre tem uma conjunção adversativa na vida, nem deu para analisar como ficaria a equipe nessa composição, porque um minuto depois de Thomaz entrar, o Cruzeiro abriu o placar com ajuda do inexplicável. Falta na direta, lançamento na área, Pratto subiu mais que todo mundo, deu uma linda cabeçada, no ângulo de Renan.

Se com zero 0 Cruzeiro já dominava a partida, com 1 no placar, até o roupeiro foi para defesa. O São Paulo sentiu o gol, desorganizou-se por alguns minutos, e foi justamente nesse intervalo em que se tentar compreender um gol contra, que o Tricolor levou o segundo e provavelmente fatal para as pretensões na Copa do Brasil.

Como se não bastasse o gol contra do seu artilheiro, craque e centroavante, o segundo veio de Hudson, jogador do São Paulo que está no Cruzeiro graças a uma troca temporária com Neilton. Cruzamento do cruzeirense Thiago Neves na esquerda para a área, Hudson, aos 24/1T, subiu livre e cabeceou no canto direito de Renan.

Assim como no primeiro tempo, no segundo, o São Paulo praticamente só chegou uma vez ao gol de Rafael, numa cabeçada – agora por lado certo – de Pratto. No mais, muito barulho por nada.

Sendo o futebol a arte da contradição, se alguém perguntar: – o São Paulo jogo mal? Não, mas quem marcou foi o Cruzeiro. De positivo: Maicon voltou a jogar muito. Júnior Tavares, de aposta, já é realidade na ala esquerda.

A única certeza é que os 2 a 0 do Cruzeiro, no Morumbi, ampliaram – e muito – o grau de dificuldade para o São Paulo avançar na Copa do Brasil, onde a vaga para a próxima fase será decidida dia 19 de abril, às 19h30, em Belo Horizonte.

A paciência de parte da torcida se esgotou, com vaias e gritos de olé quando a posse era do Cruzeiro. Como desafio pouco é bobagem, o São Paulo ainda terá de juntar os cacos os mais rápido possível, pois terá pela frente, ninguém menos que o arquirrival Corinthians, pela semifinal do Paulista.



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