São Paulo jogou tudo o que não jogou no ano



Foto: Rubens Chiri

O placar de 2 x 1 sobre o Ituano é “mentiroso”. O São Paulo poderia ter sacramentado uma ampla vitória no Morumbi com 3, 4, 5 gols. E não fosse um vacilo imperdoável do sistema defensivo tricolor no gol do Ituano, seria de zero. A mudança teve interferência direta de Mancini, que alterou a formação, escalou um time com moleques da base, deixou o time mais leve, alterou posições e proporcionou que a equipe jogasse bola, trocasse passes, construísse jogadas, buscasse o objetivo maior, o gol. Assim, quando todo mundo esperava um novo fiasco, o São Paulo jogou tudo o que não havia jogado no ano.

Foi um espetáculo? Evidente que não cabe o exagero, no entanto, para quem viu os jogos contra Ferroviária, Red Bull e São Caetano, o São Paulo passou da Idade da Pedra para a Era do Metal.

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Mancini trocou um time pesado e sem criatividade no meio-campo, escalando o São Paulo com: Volpi, Hudson (na lateral-direita), Bruno Alves, Anderson Martins e Reinaldo. No meio, o setor que mudou o eixo dinâmico, com Luan, Liziero e Igor Gomes. No ataque, o endiabrado Antony pela ponta direita, Pablo na meia-lua e Everton Felipe que, pasmem, ressuscitou na ponta esquerda.

A equipe conseguiu jogar com intensidade do início ao final da partida. Hudson bloqueou a avenida na lateral-direita, Luan foi incansável na marcação no círculo central, Liziero foi um volante-armador, compondo com Luan e articulando as jogadas com Igor Gomes, avançando, abrindo nas pontas.

O São Paulo jogava bola e se impunha dentro do Morumbi. O gol surgiu aos 32/1T, depois de boa troca de passes, Reinaldo cruzou, Igor Gomes infiltrou-se no meio da zaga do Ituano, bateu de primeira e fez um golaço.

Amassando o adversário, o Tricolor martelou o primeiro tempo inteiro, com Antony infernizando com “dibres” a defesa adversária, partindo para cima, sendo uma síntese do que os bons devem fazer em campo e é a verdadeira marca do futebol brasileiro.

Na segunda etapa, contrariando a lógica burra que contamina o futebol brasileiro, Mancini não recuou a equipe. Cobrou a mesma intensidade dos primeiros 45 minutos.

Com isso, o Tricolor seguiu em busca do gol, intenso, aos 15/2T, depois de vacilo na saída de bola do Ituano, a bola sobra para Antony, que abriu para Everton Felipe bater e, no rebote, Igor Gomes fazer o segundo.

O São Paulo jogava fácil, jogava bem. Três minutos depois, aos 18/2T, Hudson, jogando na lateral direita, mas apoiando fechando pelo meio, enfiou o pé e viu a bola explodir no travessão.

Aos 23/2T, Mancini, para preservar, sacou Liziero e colocou Léo, que foi para a esquerda, enquanto Reinaldo foi deslocado para o meio. E o São Paulo seguiu mantendo o ritmo forte, a ponto de Reinaldo, no meio, chutar de direita e ver a bola encontrar a trave.

Mancini, aos 29, tirou Igor Gomes para entrada de Everton.

Nesta altura da partida, não seria estranho afirmar que o placar poderia estar em 4 a 0 para o Tricolor. Mas foi num vacilo geral o sistema defensivo, bem depois de uma defesaça de Volpi que o São Paulo levou o gol…

38 minutos da etapa final. Cobrança de escanteio, Volpi não saiu, a defesa não marcou e o baixinho Morato meteu a cabeça para diminuir o placar.

Em busca de um placar mais elástico, Mancini, aos 40/2T, mudou a substituição: em vez de William Farias, chamou Brenner e sacou Everton Felipe, que ressuscitou contra o time de Itu.

Não havia muito tempo. O jogo terminou em 2 x 1, mas o São Paulo jogou tudo o que não havia jogado em 2019.

Mancini, que já mostrara segurança em meio ao caos, com uma posição muito lúcida sobre os problemas no São Paulo na coletiva depois do jogo contra o São Caetano, manteve a mesma postura e ousou na escalação na partida de hoje.

Foi uma partida boa do São Paulo, com o ano batendo as portas de abril e do Brasileirão, o desafio agora é manter o nível.



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