São Paulo joga muito, vence, mas Cruzeiro segue na Copa do Brasil



No Mineirão, São Paulo encarou de frente o Cruzeiro. Morato mostrou bola e personalidade.

No Mineirão, São Paulo encarou de frente o Cruzeiro. Morato mostrou bola e personalidade.

São Paulo jogou demais contra o Cruzeiro. Encarou de frente o forte adversário, ganhou por 2 a 1, mostrou bola e personalidade, teve chances de fazer outros mais, no entanto, em consequência da derrota na primeira partida, no Morumbi, caiu para a Raposa na Copa do Brasil.

Diante do futebol apresentado nas primeiras partidas contra Cruzeiro e Corinthians, em que o sistema de jogo do São Paulo emperrou frente à forte marcação dos adversários, Ceni precisava reinventar-se. E conseguiu.

Ceni ousou, arriscou e mudou o jeito de jogar do São Paulo.

Sob muitos olhares desconfiados, sacou Jucilei, extenuado com o ritmo dos torneios, e colocou o mais que questionado Wesley no meio-campo. Sacou Luiz Araújo e colocou o desconhecido Morato.

Enquanto para muitos a nova formação soou como o início do fim, no campo, Ceni demonstrou que estava certo.

O time deixou de ser a equipe que detinha a posse, mas que girava em torno do próprio rabo e não convertia os dados em superioridade numérica no placar, para uma equipe que também trabalhava a bola, porém, com velocidade nos passes, rapidez, chegando ao ataque e convertendo o percentual de posse em construção de jogadas e, consequentemente, em gols.

Wesley, que por muito tempo arrastou chinelo no Morumbi, jogou muito bem, deu até ares do jogador que um dia chegou à Seleção. Bem no meio e também na lateral.

O novato Morato merece um parágrafo inteiro: incisivo, alternando entre as duas pontas, cascudo, parecia até que jogava há tempos no São Paulo. Diante de uma dividida com Rafael Sóbis, que o tentou intimidar, peitou o cruzeirense, não afinou e mostrou que com ele não teria conversa. Caiu nas graças da torcida, não só pela bola jogada, mas pela personalidade, que tanto faltou no Tricolor dos últimos anos.

Marcando pressão, com a mesma pegada do início da temporada, onde 2 a 3 jogadores fechavam o jogador adversário em posse da bola, o São Paulo sufocou – e surpreendeu – o Cruzeiro.

Aos 10/1T, em jogada rápida, Pratto recebeu na área, tocou para Cueva, sozinho na área, de frente para o gol, mas o peruano chutou para fora. Chance clara de gol.

A pressão continuou. Pratto roubou uma bola na saída do Cruzeiro, a bola sobrou para Morato, na esquerda, cruzar para a área e, aos 14/1T, encontrar a cabeça letal do centroavante argentino, empurrar para o gol em meio a uma defesa bagunçada da Raposa. Era tudo o que o São Paulo precisava para ainda sonhar com a classificação.

Aos 20/1T, uma alteração que poderia acabar com a tática de Ceni. Bruno, que jogava no sacrifício, teve de sair. Ceni então colocou Jucilei, que foi para o meio, e deslocou Wesley para a lateral direita.

O time continuou consistente. Aos 30/1T, outro lance que poderia ter definido: Junior Tavares cobrou lateral no meio da área cruzeirense, bate-rebate, a bola sobrou para Pratto, que do jeito que dava, bateu para o gol, Rafael tocou e a bola ainda tocou caprichosamente na trave. Por muito pouco o 2 a 0 no primeiro tempo não se materializou.

O domínio Tricolor seguiu intenso, opressor, encurralando o Cruzeiro até os 35/1T, quando o time Mineiro saiu mais para o jogo e teve umas duas boas chances no contra-ataque.

Foi um primeiro tempo, contrariando todos os prognósticos, de encher os olhos.

A segunda etapa chegou com a expectativa do que Mano Menezes mudaria no Cruzeiro para conter a avalanche Tricolor. Do lado do São Paulo, se conseguiria manter o mesmo ritmo em busca da classificação.

Mano fechou mais o meio-campo, e buscou barrar os avanços pela sua ala esquerda. O São Paulo ainda voltou com força. Aos 9/2T, Morato jogou na área e Jucilei, na pequena área, quase marcou para o Tricolor.

Quando tudo indicava que o São Paulo faria o segundo, eis um lance que alterou e segurou o ímpeto Tricolor: aos 13/2T, bola no alto em direção à defesa do São Paulo, linha da grande área, Rodrigo Caio foi matar no peito, errou o tempo, a bola passou e sobrou nos pés do ligeiro Arrascaeta, que sairia na cara do gol. No desespero, Rodrigo Caio se jogou sobre o cruzeirense. Falta! Thiago Neves bateu, a bola desviou em Cueva e matou Renan Ribeiro.

O Cruzeiro cresceu. Equilibrou mais a partida. O São Paulo não esmoreceu. Aos 20/2T, acertadamente, Ceni tirou Cueva, muito mal na partida, para dar lugar a Thomaz, outro que entrou bem, criando várias jogadas entre o meio e a ponta esquerda.

O jogo ficou franco. Entre idas e vindas, aos 33/2T, lançamento, Rodrigo Caio escorou de cabeça em direção à pequena área, outro zagueiro Maicon, resvalou e a bola sobrou para Gilberto, enfiar o pé para as redes para fazer 2 a 1.

A um gol da classificação e com pouco tempo para o final da partida, o time lançou-se ainda mais à frente. Mais pressão de ambos os lados. Aos 40/2T, Renan, outro que fez uma grande partida, salvou o São Paulo.

O tempo escorreu, o terceiro gol não saiu. O São Paulo jogou sua melhor partida no ano, pelo que jogou, com as chances reais desperdiças, não é exagero afirmar que merecia voltar classificado o Morumbi.

A Ceni o que é de Ceni: alterou o time com precisão, não mudou completamente a forma de jogar, mas fez ajustes pontuais precisos, deixando o time ficou mais veloz, mais conectado, manteve a posse de bola, mas um domínio com objetividade, e abriu uma nova possibilidade de entrar em campo.

Diante do que se viu no Minerão, outra pergunta desdobra-se no pensamento: qual São Paulo entrará em campo no Itaquerão?



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