São Paulo faz lição de casa contra o ABC



Na escola da bola, Luiz Araújo rasgou a cartilha do ABC e completou o abecedário, escrevendo uma bela história com os pés.  (foto Chiri)

Na escola da bola, Luiz Araújo rasgou a cartilha do ABC e completou o abecedário, escrevendo uma bela história com os pés. (foto Chiri)

O São Paulo sobrou em campo na primeira partida contra o ABC, no Morumbi, pela Copa do Brasil. 3 a 1 ficou barato para o time potiguar. O Tricolor pressionou o tempo todo, jogou com intensidade, apresentou um volume monstruoso e inúmeras oportunidades. Não fossem os muitos, mas muitos, gols perdidos e o gol sofrido, em mais uma falha da zaga, seria uma noite perfeita.

Com apenas 6 minutos, o zagueiro do ABC já salvara uma bola praticamente embaixo da meta. Muita pressão. Dois minutos depois, aos 8/1T, Júnior Tavares e Luiz Araújo fizeram a primeira de muitas investidas ao longo do jogo. Aos 9/1T, Luiz Araújo bateu escanteio, quase fez, no rebote, quase fez novamente, mas o goleiro defendeu.

O ABC não teve tempo nem para fazer uma leitura inicial da partida, enquanto o São Paulo já estava na página 10 da cartilha do futebol. Para o ABC, o caminho do ABC não estava nada suave.

Sem conseguir fazer a leitura do jogo do São Paulo, o ABC batia desmesuradamente. O volante Jardel, que já havia batido em Cueva com apenas 2 minutos, deu outra entrada, aos 12/1T, que poderia até ter sido expulso, não se livrasse do cartão no comecinho do jogo. Tanto que, aos 19/1T, Geninho, prevendo a expulsão do garoto, o saca do time.

Depois da enxadada de Jardel em Cueva, a equipe do São Paulo perdeu um pouco a intensidade, entrando um pouco no jogo mais truncado que o ABC se propunha. Foram poucos minutos que o São Paulo perdeu o foco até retomar o ritmo sufocante.

Ao contrário das outras partidas, em que Thiago Mendes e Cícero avançavam muito, nesta partida, Ceni segurou Cícero no círculo central, protegendo mais a João Schmidt e, consequentemente, a zaga, evitando o corredor que se formava no meio nas outras partidas.

O Tricolor retomou a eletricidade. Aos 25/1T, bola na trave: Thiago Mendes, que se multiplicou em campo, jogando de meia-armador, ponta-direita, ajudando na marcação, lançou Luiz Araújo na esquerda, que bateu cruzado e a bola explodiu no pé da trave.

A bola na trave era o prenúncio do gol, que chegaria aos 27/1T, com Luiz Araújo. A jogada nasceu toda dos pés de Cícero, no meio, que lançou e encontrou Cueva dentro da área, mas Luiz Araújo, muito veloz, até tirou a bola do peruano e fez o gol com a perna direita.

O São Paulo rompeu o as linhas truncadas do ABC.

Depois de abrir o placar, o São Paulo retomou o ritmo alucinante dos 10 minutos iniciais. Era jogada sobre jogada, ataque sobre ataque. Luiz Araújo não se explica. Ele apareceu nas mais diversas situações: marcando no meio-campo, correndo vertiginosamente em direção ao ataque, marcando gol, lançando Cueva, passando no meio de três adversários.

O que impressionou no São Paulo de Ceni-Beale é como a equipe, do meio para frente, não apresentava posição fixa. Ainda que Cícero estivesse pouco mais recuado, Thiago Mendes, Cueva e Pratto movimentaram-se por todos os lados do quadrante do setor do adversário.

O segundo tempo do Tricolor começou no mesmo ritmo insano que os minutos iniciais da primeira etapa. O ABC nem bem decorou o que Geninho disse no vestiário.  Endiabrado, elétrico, aos 4/2T, faz um golaço, Luiz Araújo recebeu um longo lançamento, no meio de dois zagueiros, mas dispara na base do “quero ver pegar”, dominou já tirando o goleiro, avançou, bateu cruzado e a bola morre no canto direito de Edson. Golaço. Não só de Luiz Araújo, mas também pela jogada que se construiu de trás, como acontecera no primeiro tento Tricolor.

Tudo estava perfeito. Mas, aos 7/2T, novamente o fantasma do 2 a 0 apareceu na defesa Tricolor. Escanteio, a bola chegou à cabeça de Márcio Passos, entre Cícero e Breno, cabeceou e diminuiu. A falha, ainda que ainda seja um desafio para Ceni, não diminui a Vitória.

Mas não deu tempo para o ABC tentar escrever uma história no Morumbi. Se a defesa falha, o ataque não perdoa.

Três minutos depois, aos 10/2T, o São Paulo amplia para três no placar com Pratto. Passe longo do meio para Thiago Mendes (que jogou um absurdo), como um verdadeiro ponta-direita, avançou, cruzou na cabeça de Pratto, que tirou do goleiro.

Mesmo com dois de vantagem o São Paulo partia para cima e perdia muitos gols. Cueva, que sentiu uma contusão, aos 21/2T, deu lugar a Wellington Nem. Com a entrada do atacante, Thiago Mendes “saiu das pontas” e recuou para o meio.

O ritmo só foi diminuir aos 27/2T, quando Ceni tirou Luiz Araújo para dar lugar a Neilton, e colocou Wellington no lugar de João Schmidt para evitar surpresas.

Depois das substituições, o São Paulo, ainda que tente domar seu DNA ofensivo, administrou melhor o cronômetro. Leu a partida mais pausadamente contra o ABC para levar a vantagem de 3 a 1 para Natal.

Na escola da bola, Luiz Araújo rasgou a cartilha do ABC e completou o abecedário, escrevendo uma bela história com os pés.



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