São Paulo é um time que se olha no espelho e não compreende o que vê



As análises das partidas de futebol consistem em tentar conceituar fragmentos de 90 minutos para se compreender o todo, em um exercício dialético entre o mundo físico e a metafísica.

Nessa luta incessante entre o mundo da razão, estabelecido pelas verdades matemáticas, onde orbitam as estatísticas no mundo das ideias, e os lances de dados do acaso, onde prevalece o imponderável, o São Paulo tornou-se um desafio para a crônica esportiva, uma vez que, a cada rodada, apresenta-se de forma diferente, distante de um padrão mínimo para a assimilação do seu jogo.

O São Paulo 2017 faz os conceitos se dissiparem no ar. Não se consegue projetar, minimamente, qual São Paulo apresentar-se-á na próxima partida.

Quando venceu Botafogo, no Rio, em uma virada regida pelo improvável, projetou-se em massa uma retomada, nem tanto pelo futebol, mas pela chegada de uma possível confiança. Não aconteceu. As derrocadas, em casa, frente ao Atlético Goianiense e o Coritiba fizeram distorceram as estruturas das projeções.

Quando se empatou, injustamente, contra o Corinthians, jogando muito bem, projetou-se uma segunda possível retomada, porém, na sequência, a equipe voltou a jogar mal, um time perdido em um conceito de evolução que não evolui, envolto em uma crise de identidade, como se olhando no espelho e tentando compreender-se no Brasileirão.

Alguém se arriscaria, em um exercício entre o particular e o universal, tentar amarrar os conceitos da partida realizada pelo São Paulo contra o Atlético Mineiro, comparando-a com as últimas cinco apresentações?

Ainda que tenha sido montado e desmontado ao longo da temporada, o argumento do tempo necessário para formação de uma equipe deve ser relativizado.

Fora de tudo, restando apenas o Brasileirão, o São Paulo desfruta de longos dias de treinamento para a formulação de um padrão mínimo-palpável que se justifique nas práticas das partidas.

Olhar para o São Paulo 2017 é como entrar em um labirinto de espelhos, onde as imagens se fragmentam e distorcem-se, em um exercício em que os sentidos tentam capturar imagens para enviá-las à razão, em busca de uma síntese conceitual do futebol praticado pelo time.

Imagino o filósofo Descartes, autor de “Discurso do Método”, debruçando-se sobre o São Paulo, com seu método de dividir ao máximo em unidades mais simples para estudá-las e depois buscar uma síntese, agrupando novamente as unidades em busca de uma Verdade.

Como dividir o São Paulo 2017 em unidades mais simples se a cada partida ele se apresenta de uma forma? Como sintetizar para se chegar a uma conclusão do São Paulo se a verdade do São Paulo está na sua inconclusão?

O Tricolor retornará a campo dia 14 de outubro, sábado, no Pacaembu, pela avançada 28ª de um torneio de 38 rodadas, e a pergunta que ainda paira é: – Qual São Paulo irá se apresentar contra o Atlético Paranaense?

De todas as reflexões, apenas uma verdade: nunca, em sua história, a imagem do rebaixamento esteve tão refletida no Morumbi.



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