São Paulo domina, mas cede empate em majestoso vacilo



Os três principais personagens do Majestoso: Júnior Tavares, Rodriguinho e Petros (foto Chiri)

O São Paulo entrou no Majestoso com a faca entre os dentes. Pressionado para sair da zona de rebaixamento, acuou boa parte da partida o Corinthians em seu quadrante. Abriu o placar com Petros aos 27 da primeira etapa. No segundo tempo, em ritmo mais lento, mas ainda organizado, cedeu o empate em falha individual de Júnior Tavares, aos 35. Ao Corinthians, um ponto importante na trajetória do hepta campeonato brasileiro; ao São Paulo, dois pontos perdidos dentro de sua casa, com 61.142 torcedores, estabelecendo novo recorde de público na temporada 2017 no Brasil.

Com menos de 2 minutos de partida, mais precisamente 1’40s, em jogada na direita, Cueva cruzou na área para Pratto, que ajeitou de cabeça, deixando livre para Hernanes, mas o Profeta pegou mal na bola, desperdiçando uma chance clara de gol.

Na partida contra o Vitória, Dorival viu-se obrigado a sacar Jucilei, suspenso por cartão, e, assim entrar em campo com um volante a menos, ainda que Jonatan Gomez jogara recuado na Bahia. No segundo tempo contra o Vitória, tirou o argentino e viu a equipe crescer em rendimento, com a entrada de Cueva.

Diante do bom rendimento com a formação apresentada na Bahia, Dorival repetiu a escalação, agora deixando Jucilei por opção, entrando apenas com Petros, deixando Lucas Fernandes e Cueva no Majestoso.

Assim, o São Paulo entrou em campo com: Sidão, Militão, Arboleda, Rodrigo Caio e Júnior Tavares. Petros à frente da zaga, Hernanes mais centralizado no meio (mas que se alinhava com Petros na hora de marcar), Marcos Guilherme e Lucas Fernandes abertos nas pontas, mas com a obrigação de fechar sem a posse de bola, Cueva com liberdade para cair pelas pontas e também atuar como armador, e, finalmente, Pratto, lutando no ataque.

O time melhorou, e muito. Se Dorival falou em evolução nas partidas anteriores, no Majestoso ficou nítida que a equipe cresceu muito. O time ficou mais dinâmico, mas rápido na passagem da bola entre os setores e o meio-campo e apresentou uma criatividade raramente vista na temporada 2017.

O sistema de recomposição foi quase perfeito. O Tricolor marcava pressão na saída do Corinthians, Petros pareceu ser três no meio, marcando e articulando, e o time inteiro fechava os espaços. O Corinthians, em grande parte da partida, não jogou.

Na defesa, Arboleda jogou uma enormidade. Perdeu apenas uma bola, no início do segundo tempo, que proporcionou o contra-ataque.

O jogo era todo do São Paulo, que atuava de cabeça erguida, com o time organizado, trocando passes, marcando, articulando jogadas e visivelmente sem aquele queimar de bola, aquela insegurança que transpareceu em várias partidas.

Nessa toada, aos 27/1T, jogada pela ponta-direita, Lucas Fernandes encontrou Cueva, que encontrou Petros, no bico da grande área, ajeitar e bater cruzado, no canto de Cássio.

Mesmo com o gol o São Paulo não diminuiu o ritmo. Seguiu se impondo. Aos 46/1T, Hernanes perdeu outra grande chance. Recebeu a bola no meio-campo, avançou até a meia-lua onde, livre, outra vez pegou mal e a bola passou à direita de Cássio.

Diante do futebol apresentado, não seria exagero dizer que o Tricolor poderia ter virado o primeiro tempo com uma vitória mais ampla.

Na segunda etapa, o ritmo caiu um pouco, mas não a ponto de o São Paulo deixar o Corinthians sobressair. Logo aos 12 minutos, Hernanes, mais uma vez, recebeu uma bola na entrada da grande área, bateu no canto e fez Cássio se esticar todo para lançar a bola a escanteio.

Na sequência, cobrança de escanteio, outra oportunidade. Bola na área, Militão subiu, meteu a cabeça na bola, que entra na rede, mas o árbitro apontou irregularidade, alegando falta de Pratto em Cássio. Lance polêmico, que depende das câmeras para afirmar interferência no arqueiro.

Aos 20/2T, Dorival tirou Lucas Fernandes, que fizera testes antes da partida para ver se poderia atuar, e deu lugar a Denílson. O time caiu de rendimento, mas não a ponto de comprometer.

Hernanes, aos 25/2T, teve outra boa chance, em cobrança de falta, que Cássio a fez em dois tempos.

A partir dos 27 minutos do segundo tempo, o São Paulo diminuiu ainda mais o ritmo, a proposta era deixar o Corinthians com a bola e gastar o tempo. Porém, diminuir o ritmo, naquele momento, não implicou em uma equipe menos organizada e perigosa nos contra-ataques.

A grande mudança no sistema de jogo do São Paulo aconteceu aos 30 minutos. Com 1 a 0 no placar, Dorival tirou Cueva, que fez uma extraordinária partida, para dar lugar a Jucilei e, assim, fechar a casinha. Aliás, o pedido de recuo em algumas partidas era como um mantra da torcida, assim como acontecera contra a Ponte, quando o Tricolor vencia por 2 a 0 e cedeu o empate.

O VACILO MAJESTOSO – Quando a ideia de Dorival fechar o time, eis que, dois minutos depois de tirar Cueva e colocar Jucilei, eis o vacilo que comprometeram os três pontos. A bola, na lateral esquerda do São Paulo, sob a proteção de Junior Tavares, caminhava lentamente para a linha de fundo, mas não teve força suficiente para sair. Rodrigo, ligeiro, partiu para cima de Tavares, recuperou a bola em cima da linha, deu um drible desconcertante no lateral e cruzou na área. Romero bateu, Sidão (com outra boa e segura atuação) fez uma grande defesa, mas a sobra ficou nos pés de Clayson, que pegou um balaço, sem chances para o arqueiro tricolor.

Ainda que seja questionável a substituição de Dorival, ao sacar Cueva, o São Paulo tomou o gol de empate de uma falha individual de Tavares. Questionável a substituição porque em futebol há que se relativizar: se Dorival fecha e o time ganha seria aclamado, mas como saiu um gol, tudo se polariza.

Em contrapartida, se as mudanças de Dorival não interferiram no gol de empate, alteraram, e muito, o rendimento da equipe, que passou a tomar pressão do Corinthians.

O empate estava bom para Carille, que navega Timão com muitos pontos à frente do segundo colocado. Assim, aos 36/2T, tirou Romero e fechou com Camacho. Dois minutos depois, aos 38/2T, Dorival tirou Marcos Guilherme para dar lugar a Maicosuel, que mal tocou na bola.

Há que se ressaltar a atuação do garoto Marcos Guilherme, que além de inverter as posições o tempo todo no ataque, dificultando a marcação adversária, correu uma enormidade, ajudando muito na recomposição, na pressão da saída de bola. Grande atuação.

O São Paulo abriu a partida. Aos 45 minutos e 50 segundos, Cássio garantiu o empate. Falta que Hernanes cobrou, Jucilei subiu, meteu a cabeça na bola, que quicou na área, subiu, quebrou o tempo para a defesa, mas o arqueiro corinthiano justificou a convocação para a seleção brasileira, esticando-se todo e assegurando o resultado.

O São Paulo, muito superior na partida, se por um lado saiu de campo com um amargo pela forma como sofreu o gol de empate e o fato de deixar escorrer dois pontos importantes, que o deixariam com 30 na tabela; por outro lado, a apresentação de um time bem postado, organizado e confiante mudou o cenário para a luta contra o rebaixamento.

Petros jogou uma barbaridade: marcou, articulou, colocou o time pra cima e ainda fez o gol. Arboleda praticamente não errou. O garoto Militão também mostrou personalidade e bola.

Com o empate, a equipe sobe a 28 pontos e está fora provisoriamente da degola, pois ainda dependendo dos resultados da rodada, que poderão empurrar novamente o time para a zona de rebaixamento.

Os próximos adversários do Tricolor são: Sport, no Morumbi, dia 1º/10; Atlético Mineiro, 11/11, em Minas, no complicado Independência; e, Atlético Paranaense, no Pacaembu, em 14/10.



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