São Paulo, de virada, fisga o Peixe na Vila



Luiz Araújo entrou ligado e tornou letal o contra-ataque do SPFC

Luiz Araújo entrou ligado e tornou letal o contra-ataque do SPFC

Depois de perder na estreia por 4 gols para o Audax e ganhar de 5 da Ponte, o São Paulo desceu a serra para encarar o Santos, time consistente, talentoso, ofensivo, com padrão de jogo e estabilidade no comando. Era uma nova prova para a nova era Ceni. E o Tricolor voltou com uma bela vitória: 3 a 1, ampliando a pontuação na tabela e a tolerância para a formação de uma equipe para a temporada 2017.

Para os apaixonados, os 3 a 1 representaram um massacre, no entanto, a história não é bem essa. No primeiro tempo, logo aos 10 minutos, Cícero, que jogou à frente da linha de 4 defensiva não passou uma bola com precisão, o Santos tomou, abriu para Vitor Bueno, que entrou na ponta esquerda, chamou Buffarini para dançar, entortou o lateral e cruzou na pequena área. A bola passou por Sidão, encontrando a cabeça do santista Copete, ao lado de Júnior Tavares, que não saiu do chão.

Muito se falou que o Tricolor não alterou sua postura mesmo diante do gol sofrido. Mas fica a pergunta: qual era a dinâmica do São Paulo? Não era boa. Não encontrava seu jogo.

Rogério Ceni armou a equipe com trê volantes: Cícero, Thiago Mendes e João Schmidt. Porém, o time sofria muitas dificuldades para marcar e chegar ao ataque.

Havia posse de bola somente até o meio-campo, mas não conseguia articular boas jogadas no ataque. Insistia muito pelo meio e praticamente jogou a primeira etapa com um a menos, já que Neilton foi um fantasma que arrastou correntes durante 45 minutos.

O Tricolor esteve muito longe de jogar bem no primeiro tempo. Porém, como o futebol é a arte do imponderável, encontrou um gol de pênalti, em jogada que partiu de um cruzamento da esquerda de Júnior Tavares em direção à área, para Gilberto, que foi deslocado por Zeca. Cueva bateu e empatou.

Santos x São Paulo - Campeonato Paulista - O jogador Cueva, do São Paulo, comemora gol. Estádio Urbano Caldeira, Vila Belmiro. 15/02/2017 (Foto: GUILHERME DIONIZIO/Photo Press)

Os tecnocratas chegaram ao ponto de proibir as comemorações de gol, momento máximo de uma partida de futebol

COMEMORAÇÃO, CARTÃO, BABAQUICE | Cueva converteu a penalidade e  colocou a mão no ouvido. O ato foi encarado como provocação ao adversário e o árbitro penalizou o autor do gol – momento máximo de uma partida – com um cartão amarelo. Com isso, mais uma vez, a burocracia ganhou espaço, afastando as coisas legais que existem no futebol. Como disse em outro texto, o creme de avelã está matando o futebol brasileiro. Pode constar na regra, em ata, estar registrada em cartório, mas ainda é uma babaquice, que precisa ser revista pelos tecnocratas. É surreal,  mas vamos em frente…

Depois do gol de empate o São Paulo terminou o primeiro tempo de forma mais equilibrada, ampliando a posse de bola, trabalhando melhor.

Na segunda etapa, Rogério Ceni sacou o moribundo Neilton, que desperdiçou uma grande oportunidade para mostrar a que veio. Em seu lugar entrou Luiz Araújo, que tornou as coisas ainda mais complicadas para o jovem garoto.

Luiz entrou ligado no 220 volts, deu vida a um setor que foi morto no primeiro tempo e, logo aos 10/2T, o garoto do Tricolor, na linha de meio-campo, roubou a bola de Lucas Lima, tocou para Gilberto e disparou em direção ao gol. Recebeu perto da grande área, avanlou, tirou do goleiro e virou o placar. Golaço.

Com cartão e dores, Thiago Mendes saiu para dar lugar ao bom Araruna. O Santos partiu para cima do São Paulo. Abriu o time, Dorival colocou mais gente ao ataque, enquanto o Tricolor se encolheu estrategicamente para matar o Peixe no contra-ataque.

Depois de um escanteio em que Sidão fez, em jogador anterior, uma grande defesa em cabeçada de Rodrigão veio a fiscada final de Ceni/Luiz Araújo no Peixe, aos 27/2T. O arqueiro tricolor ligou rapidamente para Araruana, que deu em excelente passe para Cueva, já dentro da área. O peruano livrou de dois e rolou a bola para Luiz Araújo no melhor estilo “faz”. E o garoto bateu cruzado e decretou a vitória.

Pênalti não marcado para o Santos: no final da partida, houve um pênalti a favor do Santos, mas não marcado pelo árbitro. Buffarini, por trás, deu um rapa no pé de Thiago Ribeiro.

O placar de 3, que poderia ter sido 4, não fosse o Santos ter tirado uma bola quase na linha do gol, não necessariamente reflete ampla superioridade do São Paulo, que foi de mal para mediano no primeiro tempo, evoluindo para um segundo tempo muito consistente e letal.

Algumas coisas ficaram no pensamento: Cueva, baixinho-peruano-habilidoso, joga demais. A vitória não pode escamotear que a defesa do São Paulo ainda sofre com bolas alçadas na área. Gilberto, de lento e apagado, transformou-se em jogador veloz, voluntarioso, tático e que faz gol. O Tricolor está longe de ter um time formado, mas apresenta evoluções e, com a vitória, carrega-se de confiança para a sequência ao trabalho.



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