São Paulo ainda parece preso ao ciclo de esperanças e quedas



foto Rubens Chiri

O torneio era diferente, o futebol foi o mesmo , mas, no placar, uma derrota em casa. O São Paulo, novamente, enfrentou o Bahia, pela Copa do Brasil e perdeu no Morumbi. Muito além da derrota para os baianos, a atuação da equipe preencheu os pensamentos com interrogações sobre onde o Tricolor poderá chegar na temporada 2019. O São Paulo dos últimos anos parece um episódio do desenho Caverna do Dragão, em que os personagens estão presos em um mundo paralelo, permanentemente lutando encontrar uma saída que os faça retornar à Terra, porém, depois inúmeras inventividades e tentativas, sempre se dá mal no final.

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Encheu-se de esperança com o retorno à Libertadores, mas logo voltou à realidade, caindo para o fraco Talleres, praticando um futebol lastimável. Depois teve uma sobrevida na reta final do Paulista com a entrada dos garotos da base, mas parou no feitiço de Itaquera, onde o São Paulo nunca venceu.

Com a incapacidade de criar e marcar gols, a história que oscila entre esperança e queda tem tudo para se repetir frente ao Bahia, que agora precisa somente de um empate para avançar à próxima fase da Copa do Brasil (nunca vencida pelo Tricolor Paulista) e, assim, manter o São Paulo somente no mundo do Brasileirão, que não conquista desde 2008.

É verdade que o São Paulo teve mais chances em relação a partida de domingo, no entanto, foi pouco, considerando que jogava em casa e já era sabido da retranca baiana.

Cuca mexeu na equipe. Colocou Igor Gomes no meio-campo, que jogou bem; Igor Vinícius na lateral direita, Leo na esquerda e Everton na ponta fechando pelo meio. Mas a equipe, novamente, não conseguiu furar o bloqueio.

Segundo o FootStats, o São Paulo teve 65,8% de posse de bola contra 34,2% do Bahia. Números que se justificam nos passes, com 561 frente 197 do reativo Bahia. O domínio relativo explica-se no placar final: o Bahia de Roger, à espreita de uma bola de contra-ataque, conseguiu abrir nesse conceito e teve chance de fazer mais.

Foi bem parecido com o que aconteceu na partida da manhã de domingo, pelo Brasileirão. Também é fato que o São Paulo teve mais chances, até com bola na trave de Pato, mas foi muito parecido.

Na coletiva, Cuca ressaltou que o São Paulo precisa de um centroavante. O efeito Caverna do Dragão não acontece só dentro de campo, mas também nas decisões da diretoria na formação do elenco e da comissão técnica.

Diante desse pedido por um 9, há que se relembrar que a diretoria do São Paulo investiu uma bala em Tréllez, hoje escanteado no Internacional e que poderia contribuir quando não se tem um jogador da posição; Diego Souza, que mesmo com todos questionamentos fez 16 gols na temporada passada e foi escanteado para o Botafogo; e Carneiro, que nem deveria ter vindo.

As laterais também continuam nesse círculo vicioso. Contrataram Igor Vinícius, Leo, mas, ao final, improvisa-se Hudson. E agora Cuca pede um lateral.

Se ampliarmos o debate sobre anda em círculos, que se tornou prática no São Paulo, pode-se também considerado dos técnicos: em curto espaço de tempo passaram Aguirre, Jardine e Mancini, até chegar em Cuca.

Muito mais que questionar o futebol apresentado nas últimas partidas, há que se analisar o todo, o ciclo construção e destruição, desde o final do ano passado, que influencia na temporada 2019.

O São Paulo parece seguir o caminho de esperança e quedas dos últimos anos. Sempre à procura de uma solução para praticar um bom futebol e em busca da formação de elenco.

Com isso, chegam novos jogadores, renovam-se as esperanças e, ao final, vem sempre a queda. Então reinicia-se o ciclo de construção de desconstrução, com novos técnicos, dispensa de jogadores, contratação de novos jogadores e queda.

O São Paulo da queda equivocada de Aguirre para cá parece preso em um episódio de Caverna do Dragão, onde os personagens inventam, inventam, inventam, mas, ao final, sempre se veem preso no mundo paralelo e tem de começar tudo de novo. Aos torcedores, o futebol em campo praticado, segue como um desenho desanimado.

Cuca pediu a contratação de novos jogadores. A diretoria está se movimentando. São as novas armas para fugir do universo paralelo que prende o São Paulo há 10 anos.

É preciso estancar o ciclo vicioso de invencionices, ajustar o elenco e formatar um modo de jogar bola. Fora isso, as únicas armas para sair do universo de seca de títulos serão novas muletas formadas por esperanças e quedas.



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