Ricardo Gomes merece respeito



Ricardo Gomes não realiza um bom trabalho, mas não merece o achincalhe público

Ricardo Gomes não realiza um bom trabalho, mas não merece o achincalhe público

Contratado em agosto para substituir Bauza, que assumiu a seleção argentina, Ricardo Gomes, desde que foi anunciado pela diretoria do São Paulo, nunca foi unanimidade na torcida – nem por parte da diretoria – que sonhava com outros nomes.

Se a sua chegada ao Morumbi já fora controversa desde o início, com o desenrolar das rodadas, o acúmulo de resultados ruins, a equipe jogando mal e o time equilibrando-se para manter-se fora do rebaixamento, Ricardo Gomes foi transformado na personificação de tudo o que deu errado na temporada 2016.

É importante lembrar que Ricardo Gomes não foi bater às portas do Morumbi em busca de emprego. Então técnico do Botafogo, a diretoria procurou-o para assumir o Tricolor.

Se por um lado o fato de ter sido preterido não o exime dos erros na montagem da equipe, em contrapartida, Ricardo Gomes não merece o massacre a que vem sendo submetido.

É do futebol o técnico ser questionado. Também não resta dúvida que, sendo um clube a representação de milhões, a pressão é insuportável. Evidente que Ricardo Gomes, inteligente e há anos nesse meio, tem plena consciência da volatilidade da bola.

No entanto, os questionamentos a Ricardo Gomes no São Paulo ultrapassam os limites do bom senso, do respeito ao ser humano.

Nas redes sociais, diante da insatisfação com a equipe, tornou-se corriqueiro o absurdo dos torcedores tratarem Ricardo Gomes como “o sequelado”, referindo-se ao AVC que ele sofreu, misturando – maldosamente e burramente – um drama pessoal, que em nada afeta sua capacidade técnica, com o fato de não ter realizado um bom trabalho no Morumbi.

Como se não bastassem os questionamentos desumanos da torcida, Ricardo Gomes também vem sendo submetido a situações absurdas por parte da diretoria do clube. Sendo todo clube de futebol essencialmente político, o São Paulo a caminho das eleições para determinar um novo presidente em abril de 2017 e o time equilibrando-se para livrar da segundona, que seria o maior desastre administrativo da história, Ricardo Gomes parece justificativa para dissimular os erros.

Com poucas rodadas para terminar o Brasileirão, o time correndo riscos reais de queda, não querendo contratar um novo técnico, a diretoria começou a jogar para a torcida dizendo que Ricardo Gomes não estava assegurado para a próxima temporada. (Fato que todo mundo bem sabe que é quase impossível permanecer no Morumbi, mas que não precisaria desses requintes de crueldade enquanto está no comando da equipe.)

Mas a diretoria foi além. Para criar camadas nas mentes dos torcedores, de forma velada, nunca afirmando, lançou-se ao vento o nome de Rogério Ceni para técnico em 2017. Em uma torcida desesperada, carente, que grita Luis Fabiano e Aloísio Boi Bandido para voltar à equipe, imagine o impacto cogitar Ceni como treinador?

Com isso, chegou-se ao ponto de Ricardo Gomes, em entrevista coletiva pós-jogo, ter de responder “o que ele achava do nome de Ceni para assumir o São Paulo”.

Ninguém é louco em dizer que Ricardo Gomes realiza um bom trabalho no São Paulo, no entanto, lançar balão de ensaio com a possibilidade de um ídolo como novo técnico já é sacanagem, politicagem, desumano.

As declarações oficiais são desnecessárias e desumanas. Analisadas de perto, mais do que jogar Ricardo aos leões, expõe a falta de planejamento, uma vez que o então criticado foi escolhido por esses próprios diretores.

Como disse Nelson Rodrigues, a “perfeição é coisa de menininha tocadora de piano.” E o mundo da bola está longe da perfeição, mas a maneira como estão expondo Ricardo Gomes é, no mínimo, desleal.



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