Renan assegura empate do São Paulo contra o Ituano



Renan Ribeiro fechou o gol contra o Ituano e salvou o SPFC de uma derrota no Morumbi

Renan Ribeiro fechou o gol contra o Ituano e salvou o SPFC de uma derrota no Morumbi

De fato o futebol não é regido pela lógica. No dia em que Chuck Berry partiu, o Ituano jogou ao ritmo de rock and roll, enquanto o São Paulo ao de um “bolero”. O empate do São Paulo, em 1 a 1, contra o Ituano, no Morumbi, não refletiu a realidade dos 90 minutos, já que o time de Itu foi grande e só não saiu vitorioso graças às defesas do goleiro Renan Ribeiro. Não fosse o fato de o São Paulo ter marcado primeiro, a manchete correta seria: Tricolor arranca empate no Morumbi contra o Ituano.

Os números finais da partida apontam que o São Paulo teve 62% de posse de bola contra 38% do Ituano. Mas o índice de posse de bola Tricolor só foi alto porque o Tricolor, em muitos momentos da partida, sem conseguir sair do seu campo de defesa, trocava intermináveis passes na defesa, fazendo a bola girar na defesa, entre Douglas, Breno, Buffarini e Bruno, em busca de uma alternativa de transição para a linha adiante, o meio-campo.

O Ituano, com esquema muito bem montado por Roque Júnior, não deixou o São Paulo jogar. A transição ficou complicada, pois o time de Itu marcou pressão na saída de bola e via-se uma linha de até 5 jogadores, formando uma barreira na linha do meio-campo. Compactado, mas preparado para o bote, com dois jogadores muitos rápidos na frente, Morato e Igor, levaram grandes perigos para a meta Tricolor.

Com essa barreira de Roque Júnior, Ceni viu seu “triângulo” no meio-campo com Jucilei, à frente da zaga, Cícero e Thiago Mendes não articulavam. Sem conexão com o meio, e o meio com o ataque, assim como na partida contra o Palmeiras, Lucas Pratto e Luiz “Elétrico” Araújo ficaram isolados.

O Ituano teve, no mínimo, 3 oportunidades claras e reais de construir o placar no primeiro tempo. Mas, como sempre o futebol, que sempre dá uma finta desconcertante na razão, aos 42 minutos, Pratto, cansado do isolamento do ataque, voltou ao meio-campo, pegou a bola, conduziu-a bela direita, abriu para o lateral Bruno, que lançou à área e encontrou Cueva, entrando pelo meio, batendo de primeira e abrindo o placar.

O achado-gol Tricolor abria a possibilidade de uma mudança na dinâmica do São Paulo para os 45 minutos finais, mas não foi assim que os fatos se sucederam.

Ceni, no intervalo, sacou Douglas da zaga, que estava com amarelo e reclamou de contusão e colocou João Schmidt. Com essa alteração, Jucilei foi afastado para compor a zaga ao lado de Breno e Schmidt foi para a função de 1, à frente da zaga.

A impressão é que, diante da dificuldade da saída de bola da defesa no primeiro tempo, Ceni tentou melhorar o passe da defesa, formando um canal de irrigação entre Jucilei-Schmidt para que a bola chegasse a Thiago Mendes e Cícero, este último, que passou a partida praticamente toda sumido.

Rogério também tirou Buffarini, que jogou improvisado – e muito mal – na ala esquerda para dar lugar a Júnior Tavares. O lateral argentino sentiu muitas dificuldades na marcação e, pior, sem conseguir apoiar, deixava Luiz Araújo, na mesma linha lateral do campo, sem receber a bola.

Porém, nem bem a segunda etapa iniciou e Renan já foi acionado, defendendo chute de Simião, que entraria no ângulo direito.

Aliás, o meio-campo Simião do Ituano merece atenção especial: não só pelo lance claro de gol, que seria um golaço, mas pelo todo na partida. Impressionante como esse meio-campista compunha o setor e chegava, constantemente com perigo, ao gol do São Paulo. E, em vários momentos, viu-se colocar os companheiros na cara do gol.

O Ituano trocou passes, com facilidade, no círculo central, em meio a três jogadores do SPFC

O Ituano trocou passes, com facilidade, no círculo central, em meio a três jogadores do SPFC

O Ituano, de Roque Júnior, não se abateu com o gol sofrido. No segundo tempo, manteve a mesma postura tática e seguiu oferecendo perigo. O gol era questão de tempo e veio aos 16/2T, com o bom Simião.

Já apontei, em outro texto que, além das falhas individuais do sistema defensivo, o desequilíbrio do São Paulo está no meio-campo. O gol do Ituano ilustra bem que toda a jogada do gol começa numa falha de marcação do meio.

No círculo central, em meio a três jogadores do

Rompida a linha do meio, Simião abriu para Morato avançar

Rompida a linha do meio, Simião abriu para Morato avançar

São Paulo, Walfrido tocou para Simião, que de pronto tocou para o rápido Morato, que tocou para Igor, nas costas de Jucilei, sair na cara do gol. Com o rompimento da linha do meio, Breno sai da posição, avançada, mas chega atrasado, com isso, o sistema defensivo fica ainda mais desprotegido. Renan ainda fechou o ângulo e fez grande defesa, mas no rebote, Simião, que veio lá do meio-campo, chegou para colocar a bola no fundo das redes.

O Ituano seguia soberano na partida, mas, em outro momento que a anti-lógica da bola entra em campo, aos 29/2T, Pratto, o melhor e

Igor saiu na cara de Renan, com o sistema defensivo do SPFC todo desorganizado

Igor saiu na cara de Renan, com o sistema defensivo do SPFC todo desorganizado

mais guerreiro jogador de linha do São Paulo, aproveitando cruzamento de Bruno, subiu, com nariz máscara e tudo

no meio de dois zagueiros, cabeceou e a bola bateu na trave, evitando mais um gol injusto considerando a partida num todo.

Aos 35/2T, foi a vez de uma antiga e já repetida falha do São Paulo entrar em campo. Escanteio para o Ituano, Lima entrou na área, livre, nas costas de João Schmidt, cabeceou em cheio, mas Renan evitou o gol no susto, com a bola explodindo em seu rosto. Goleiro, além de ser bom, tem de ter sorte.

O SPFC só não levou mais um gol de cabeça dentro do pequena área, porque a bola bateu no rosto de Renan

O SPFC só não levou mais um gol de cabeça dentro do pequena área, porque a bola bateu no rosto de Renan

O Tricolor ainda teve uma grande chance com Cueva, mas o peruano, cara a cara, bateu em cima do goleiro. O placar foi injusto. O Ituano mereceu a vitória. Poderia ter feito dois, três até quatro gols. O empate acabou de bom tamanho para o São Paulo.

As equipes adversárias parecem terem compreendido o modo tático de o São Paulo jogar e, assim, estão encontrando mecanismos para anular com marcação alta, sufocando a defesa e desencadeando um problema que é o isolamento do meio e ataque Tricolor.

De positivo contra o Ituano, além do 1 ponto, a grande partida de Renan, que fechou o gol, e mais uma vez a constatação de que Pratto não é um simples centroavante grandão, que fica colado na área, esperando a bola chegar.

Extrapolando a partida contra o Ituano, Ceni, com elenco limitado e reduzido, terá de reinventar-se para forjar o São Paulo, que tem pela frente partidas frente ao arquirrival Corinthians e o bem estruturado Cruzeiro de Mano Menezes, pela Copa do Brasil.



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