Reencenação dos erros



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O mesmo cenário, os mesmos erros, o mesmo placar, o mesmo número de torcedores. O São Paulo, depois de perder no Morumbi para o Cruzeiro por 2 a 0, pela Copa do Brasil, a equipe repetiu a derrota, agora para o Corinthians, em outra partida em casa, diante de mais de 45 mil tricolores.

O São Paulo mudou um conceito do time que enfrentou o Cruzeiro. Ceni sacou o “volante” Cícero para dar lugar ao articulador Cueva, no sentido buscar criatividade no meio e conexões com Luis Araújo, Pratto e Nem.

Ainda que Cueva, em recuperação, dera maior movimentação ao setor, o São Paulo, como diante do Cruzeiro, rodava a bola, mas não conseguia se infiltrar na defesa corinthiana.

Como está se tornando padrão, o Tricolor possui o controle da bola, mas não necessariamente do jogo. Em sua proposta de fechar para contra-atacar, o Corinthians, logo aos 4/1T, quase abriu o placar: tabela entre Jadson e Fágner, na direita, e o lateral alvinegro saiu na cara de Renan, mas foi travado no momento da conclusão.

Aos 16/1T, outra grande chance do Corinthians. Em bola que sobrou da área, Jadson acertou um belo chute para uma bela defesa de Renan. As duas jogadas eram uma síntese da partida: o São Paulo correndo muito, trocando muitos passes, e o Corinthians fechado na defesa e velocidade para contra-atacar.

Parte do esquema de Ceni começou a ruir aos 18/1T, quando Nem sentiu lesão. Com isso, Ceni teve que tirar um “ponteiro” aberto na direita para colocar Cícero, retomando a escalação do setor contra o Cruzeiro. Com Cícero, Thiago Mendes, que vinha bem no meio, foi deslocado para a ponta direita.

Dois minutos depois, aos 20/1T, o primeiro golpe. Jô saiu da área para buscar uma jogada com Rodriguinho, que encontrou o atacante nas costas de Júnior Tavares, saiu na cara de Renan e bateu para estufar as redes.

Na imagem frisada da jogada, uma falha da defesa: Rodriguinho conduziu pelo meio, Jucilei não conseguir dar o bote, com isso Rodrigo Caio deixou a linha defensiva, avançou em direção ao meia do Timão e deixou um buraco. Jô projetou-se, Júnior Tavares na acompanhou e o atacante Corinthians recebeu nas costas do lateral tricolor, saindo na cara do gol.

Rompimento da linha defensiva do São Paulo e infiltração de Jô no espaço

Rompimento da linha defensiva do São Paulo e infiltração de Jô no espaço. Lance originou o primeiro gol do Corinthians. 

O Tricolor, que não estava mal na partida, sentiu o gol corinthiano. O time balançou, mesmo assim seguiu insistindo. Com o passar do tempo, a boa intensidade dos minutos iniciais foi perdendo força, então começaram a aparecer os “chuveirinhos” na área, em busca da cabeça de Pratto.

Aos 32/1T, o centroavante argentino teve uma chance de empatar, de cabeça, mas pegou mal e a bola foi para longe. Parceiro de ataque, Luiz Araújo praticamente não entrou em campo contra o Corinthians.

Quando o 1 a 0 se arrastava para o encerramento do primeiro tempo, Rodriguinho recebeu uma bola no meio, avançou, passou por Jucilei, tirou Maicon no jogo de corpo, bateu de longe e ficou observando a bola entrar no cantinho direito de Renan.

O que estava ruim, piorou: 2 a 0 no primeiro tempo.

Característico por um sistema defensivo compacto, o Corinthians, com dois tentos de vantagem, no segundo tempo, Carille concedeu ainda mais a posse de bola ao São Paulo. Não era preciso ficar com a bola, mas fazer o próprio adversários gastar o tempo, assim como fizera o Cruzeiro de Mano Menezes.

Rogério Ceni, acertadamente, para a segunda etapa, tirou Luiz Araújo e colocou Gilberto. O time apresentou sinais de melhora.

Aos 13/2T, o guerreiro Gilberto deu maior movimentação ao ataque. Correu, lutou e ainda teve chance de marcar, em jogada em começou com Pratto, que buscou a bola no meio-campo, abriu para Gilberto, na esquerda, invadir a área, bater cruzado para grande defesa de Cássio.

O time deu pequenos sinais que reagiria. Porém, logo o Corinthians retomou o controle da partida.

Ceni ainda tentou, tirando o lateral Araruna para dar lugar a Thomaz, mas, na metade do segundo tempo, a equipe já parecia em colapso tático. Sob um leve desespero, o time de posse e toque de bola passou a dar chutões e mais chutões, tentando uma ligação direta aos atacantes. Não foi raro ver o zagueiro Maicon, na lateral direita, fazendo lançamentos.

O time desorganizou-se. O que estava difícil ficou ainda mais. O Corinthians administrou a partida e agora leva uma ampla vantagem para o Itaquerão, onde disputará  a segunda e decisiva partida da semifinal do Paulista.

Para as partidas de volta do São Paulo, contra o Cruzeiro, em Minas; e o Corinthians, no Itaquerão; o Tricolor terá que se reinventar para não determinar o fim do semestre.



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