Blogs Lance!

Crônicas do Morumbi

Raio-X do 2º tempo de Brasil x Bélgica



As alterações táticas de Martinez na seleção da Bélgica, no primeiro tempo, realmente desmontaram o esquema defensivo do Brasil, que tomou dois, mas poderia ter levado mais nos 20 minutos em que não se encontrou em campo.

Mas a pergunta que fica é: O Brasil teve bola para empatar ou virar no segundo tempo?

Vejamos.

No intervalo Tite sacou Gabriel Jesus e colocou Firmino, que participou mais da partida. O técnico ajustou a defesa com a cobertura de Miranda cobrindo o espaço deixado por Marcelo. Aliás, Miranda jogou uma enormidade, Thiago Silva, também.

Revendo, não é demasiado dizer que Filipe Luis deveria ter começado a partida, com Lukaku.

Era tudo ou nada para o Brasil, que partiu para cima. Logo aos 5 minutos, Marcelo cruza e Firmino não conseguiu empurrar para o gol.

O Brasil partiu para cima. Aos 10, Gabriel Jesus, dentro da área, deu uma caneta em Verthonghen e foi parado por Kompany. Lance discutível se fora ou não pênalti. Mesmo com o VAR, o árbitro não deu. Outra chegada do Brasil.

Aos 12, Tite tirou Gabriel Jesus e colocou Douglas Costa. O poder ofensivo do Brasil mudou radicalmente com a entrada do ponteiro.

.Aos 16, Douglas Costa, que jogou uma barbaridade, partiu com tudo pela direita, bateu cruzado e Courtois fez a primeira grande defesa da segunda etapa.

No mesmo tempo, 16, a Bélgica, ainda mais encolhida à espera de um contra-ataque, Hazard invadiu pela esquerda, caiu pelo meio, bateu cruzado e a bola saiu à esquerda de Alisson. Se a bola fosse ao gol, seria o terceiro. Mas foi praticamente a única grande chance dos belgas na segunda etapa.

Uma justiça há que ser feita. Fágner, que não ser considerado por muitos jogador nível de seleção, fato é que o lateral jogou firme e foi muito consistente. Não avançava, mas com Hazard na cola, dava?

O Brasil seguiu martelando. Paulinho e Fernandinho, que não marcavam, nem construíam, faziam perder a força do meio. Aos 27, Tite sacou Paulinho e colocou Renato Augusto. O time melhorou.

Outro registro justo. Encolhida em uma linha de quatro na defesa, o bloqueio belga completou com uma atuação quase perfeita de Fellaini e Witsel, entre à frente da zaga ou fixando no círculo central.

Aos 29, Douglas Costa pega mais uma bola de contra-ataque, invadiu pela direita e novamente exigiu boa defesa de Courtois.

O gol, depois de muita pressão, veio no minuto seguinte, aos 30: Coutinho recebeu no meio, viu a infiltração de Renato Augusto, levantou na área, no meio dos gigantes belgas, que meteu a cabeça e rompeu o muro Courtois, com uma bola no canto esquerdo do arqueiro.

O Brasil seguiu pressionando. Dois minutos depois do gol, aos 32, Neymar recebeu a bola de Coutinho na esquerda, foi para cima e tocou em direção à área no meio de dois marcadores. Na área, Firmino fez o pivô, girou, bateu e a bola passou raspando o ângulo direito de Cortouis. Chance clara de gol.

35’ – A GRANDE BOLA DO EMPATE | Coutinho recebeu no meio e, desta vez rasteira, em outra falha de marcação dos belgas, lançou Renato Augusto, na meia-lua, que dominou, de frente para o gol e tragicamente bateu para fora, no canto direito de Courtois.

O Brasil amassava. Aos 38, três minutos depois da maior chance do empate, outra grande oportunidade. O time canarinho muito veloz. Coutinho recebeu no meio, abriu na ponta esquerda para Neymar, que fez boa jogada, invadiu a área e tocou para trás, no sentido de Coutinho, que também de frente para o gol pegou mal na bola, que se perdeu…

48’ A DERRADEIRA | Douglas Costa, que deveria ter iniciado a partida (não sabemos se ele tinha condições de jogar os 90 minutos) fez mais uma jogada espetacular pela direita. Cortou para o meio, fintou, tocou para Neymar, que estava na meia-lua. O camisa 10 bateu de primeira buscando o ângulo de Courtois, que se esticou todo e fez uma defesaça.

Fim de jogo. O Brasil caiu para a Bélgica, mas, pelo volume do segundo tempo, as inúmeras chances, as grandes defesas do Courtois, não é exagero afirmar que a Canarinho poderia empatar ou até mesmo ter virado.

Antes que os raivosos me mordam, o bom desempenho no segundo em nada altera os erros de Tite no primeiro tempo, o paternalismo com Neymar, algumas convocações muito questionáveis.



MaisRecentes

Eliminação do Brasil gera o debate: qual futebol se pratica nos torneios e na seleção?



Continue Lendo

O diabo deu um nó



Continue Lendo

Sobre Neymar: o problema está em confundir o autor com a obra



Continue Lendo

Autor

Ricardo Flaitt

Ricardo é jornalista e escritor. O futebol tabelou com sua vida quando chegaram as primeiras imagens do pai torcendo e sofrendo por um clube. O que era incompreensível nos primeiros anos, com o passar do tempo, compreendeu que o futebol era muito mais complexo que um simples correr atrás bola. Mas, quando assistiu ao primeiro vídeo de Garrincha, então, reavaliou todos os seus conceitos sobre o futebol, e a vida. Deparou-se com o imprevisível. Segue na busca de um ponto de partida, no sentido de compreender o futebol a partir do preceito de Nelson Rodrigues de que “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”.

flaitt.ricardo@gmail.com

@ricardo_flaitt