Qual o nível da blindagem de Rogério Ceni?



Rogério Ceni, blindado por torcedores, diretoria, conselheiros e parte da imprensa, entra numa nova fase de decisões.

Rogério Ceni, blindado por torcedores, diretoria, conselheiros e parte da imprensa, entra numa nova fase de decisões.

Ceni chegou como um ser imortal ao comando técnico do São Paulo. Mito nos gramados, respaldado pela diretoria e com uma tolerância só menor que a de Wenger, no Arsenal; agora tem pela frente um novo desafio: as fases decisivas do Paulista 2017, Copa do Brasil e Sul-Americana, que colocarão à prova o nível da blindagem de Rogério Ceni diante de um revés.

Em grupos tricolores redes sociais e nas conversas pelas ruas, questionar Rogério Ceni tornou-se quase um ato de blasfêmia diante de tamanha idolatria.

E a blindagem não se forma apenas na adoração pura e simples do torcedor. Nessa centrífuga de conceitos, opiniões, quimeras e devaneios trituradas nas arquibancadas, mistura-se tudo: as conquistas dos tempos de jogador, lances positivos do curto período de treinador e um sentimento de esperança por dias melhores em relação ao péssimo futebol praticado nos últimos anos.

Se o time joga mal, e alguém ousa questionar, logo rebate-se com o seguintes argumentos: o tempo é curto, o São Paulo tem elenco reduzido e, por fim, um argumento que considero inaceitável, o de que Rogério Ceni nunca antes fora técnico.

A preservação do ídolo é válida, no entanto, é preciso ponderar, no sentido de encontrar um equilíbrio entre a realidade e a idolatria; pois, em muitos momentos, os torcedores ainda não compreenderam que Ceni agora é o técnico, o que implica numa séria de responsabilidades e questionamentos quanto à forma do time jogar.

Mas será que os torcedores veem Ceni como técnico?

Um caso que ilustra bem a não dissociação de Ceni-jogador para Ceni-técnico, foi quando durante uma partida, em falta a favor do São Paulo próximo a linha da grande área, os torcedores gritaram o nome do Mito para executar a cobrança.

Comparando com o futebol apresentado em 2016, sem dúvida que Rogério Ceni, em pouco tempo, mostrou outros caminhos táticos para o Tricolor. Também constituem-se em verdades o fato que o elenco é reduzido e o calendário, com partidas de três em três dias, arrebentam com os jogadores, e dificulta o desenvolvimento para a formação da identidade do time.

Em contrapartida, Ceni, que está longe de ser um alienado, tinha plena consciência dos desafios que viriam pela frente no momento em que aceitasse comandar o São Paulo. Afinal, só no Tricolor, vivenciou essas situações por 25 longos anos.

Fato é que a partir de domingo, 2 de abril, o São Paulo entra em uma nova etapa na temporada 2017 com jogos decisivos contra o Linense, pelo Paulista; contra o argentino Defensa y Justicia, pela Sul-Americanae; e enfrentará o forte Cruzeiro, de Mano Menezes, pela Copa do Brasil.

Mais do que a busca óbvia pela vitória e o consequente avanço nos torneios, essa nova etapa de decisões servirá para estabelecer os primeiros parâmetros do trabalho de Ceni e o nível da espessura de sua blindagem, que envolve diretoria, conselheiros, torcida e imprensa.



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