Planejamento no São Paulo repete práticas confusas de 2017



Depois de um 2017 tumultuado no São Paulo, com jogadores sendo contratados e vendidos às baciadas, numa constante que quase levou o clube ao rebaixamento no Brasileirão, o clube segue a pronunciar a palavra planejamento como uma meta a ser alcançada, como um jogador que não existe, mas que se especula chegar no Morumbi.

Os pronunciamentos da diretoria e do trio Raí, Ricardo Rocha e Lugano sempre foram no sentido de que a sangria de contratações e vendas seriam estancadas em 2018. No entanto, na prática, não é o que os fatos revelam.

Na nova leva de jogadores, chegaram Nenê, Jean, Diego Souza, Régis, Carneiro, Tréllez, Everton e também o técnico Diego Aguirre. O investimento foi alto, configurando-se como o segundo maior dentre os clubes do Brasileirão. As perguntas inevitáveis são: – Investiu bem? O gasto se traduz em resultados positivos em campo? O time joga bem?

Compreendendo uma pequena amostragem, mas que sintetiza o planejamento, o São Paulo consumiu de seus cofres R$ 43 milhões nas contratações de Diego Souza (que nem bem chegou e quase foi descartado); Everton, por impressionantes R$ 17 milhões (que ainda não disse a que veio), o goleiro Jean, por mais R$ 10 milhões (mas que veio para a reserva de Sidão) e, por fim, o atacante Tréllez, por R$ 6 milhões e 70% do passe.

Não é preciso recorrer à metafísica para fazer levantar outros questionamentos frente às quatro contratações, ao tal planejamento:

– Trazer Diego Souza para atuar de 9 não seria um desperdício de grana, uma vez que se poderia promover o garoto Brenner?

– Tréllez vale quanto pesa?

– No gol, se era para deixar Jean na reserva, não seria melhor elevar o jovem Perri da base e investir esses R$ 10 milhões nas laterais?

– Os impressionantes R$ 17 milhões em Everton não seria melhor aproveitado se contratasse um jogador de padrão mais elevado, com maior poder de decisão?

– Para o ataque chegaram Diego Souza e Tréllez, gastaram R$ 16 milhões para depois, ainda, buscarem Carneiro. Isso não é sinal de falta de planejamento?

As contratações no início da temporada são compreensíveis para a formação de um novo elenco, ainda mais depois de o São Paulo conviver com o rebaixamento em 2017.

Uma reformulação era mais que necessária.

O problema é que o fluxo de contratações e vendas não cessaram. Já se passou praticamente um semestre de 2018 e o assunto de chegadas e partidas ainda ocupa o noticiário do São Paulo, vide os casos de Cipriano, Militão, Patric e outros sem número de especulações.

A grande questão que se verticaliza diante dessa situação é: – Quando o São Paulo vai parar de trazer jogadores e começar a formar um elenco base, a formar um time, a demonstrar um padrão mínimo para que se estabeleça um padrão de jogo?

Enquanto se instalam azulejos com imagens de torcedores e cria-se calçada da fama nas paredes e nos pisos do Morumbi, verdade é Lá se vão praticamente 10 anos com apenas um título. Fora isso, o São Paulo tornou-se uma grande especulação, uma nova versão, um novo ato de um porvir que nunca chega, que se protela, que se apequena.

Já se exauriram as ações de marketing para manter a chama viva nos corações do torcedores, de que o São Paulo é um time que entra nos torneios para brigar por títulos.

Esse conceito de time de chegada não é mais sustentado entre a realidade dos fatos e o imaginário indutivo do marketing. Por menos abstração que a maioria dos torcedores possuam, os fatos e o longo tempo são imperiosos. Nem os mais entusiastas, ingênuos, e apaixonados pelo clube conseguem mais subverter os resultados frente à realidade.

O último Campeonato Paulista já contabiliza 13 anos, o último Brasileirão 9 e a Copa do Brasil ainda é um troféu que não existe na galeria de troféus.

Um clube de futebol não vive de marketing, vive de títulos.



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