Liberta16 | Mesmo em caso de queda na semifinal, Patón tem de permanecer



Patón tem papel decisivo na chegada do SPFC à semifinal da Libertadores

O São Paulo, depois de levar 2 a 0 em pleno Morumbi, enfrentará hoje à noite o Atlético Nacional, na Colômbia, pela semifinal da Libertadores. Por mais otimismo que se tenha implantado na torcida para a partida de volta, dificilmente o Tricolor, com tantas baixas, reverterá a ampla vantagem dos colombianos.

Se o coração fala que sim, é possível; a mente aponta que não, é quase impossível. O Atlético possui um elenco mais qualificado, está mais entrosado e não está remendado como o São Paulo, que não poderá contar com Hudson (?), Ganso, Kelvin e Maicon.

Mas, além dos 90 minutos no estádio Atanasio Girardot, mesmo em caso de derrota, a permanência de Patón à frente do Tricolor é essencial para o clube, que busca reencontrar seu caminho, sua história.

É fato inegável que o São Paulo chegou à semifinal de Libertadores pela superação dos jogadores, mas, sobretudo, pelas mãos de Bauza.

O argentino chegou no início do ano, em meio a um turbilhão político nos bastidores, atrasos de salários, atletas questionando publicamente a diretoria, falta de dinheiro para contratações e até a falta de comprometimento de alguns atletas. O ambiente beirava o caos.

Ao contrário de Osorio, que reclamou publicamente sobre a venda de jogadores e a interferência do ambiente político; Patón, sereno, calmo, convicto, focou-se na árdua missão para construir um time com aquilo que tinha em mãos.

Para isso, isolou o futebol da política, não questionou quando os reforços solicitados não chegaram, uniu os jogadores, passou confiança e, como consequência, transformou um São Paulo anêmico, apático, até mesmo limitado em determinadas posições, em um time cascudo, chato, briguento, difícil de ser batido.

Diante de tantos entraves, evidente que jogar bonito já seria pedir demais. Ser competitivo, aguerrido e raçudo já representa um grande avanço.

E não é exagero dizer que Patón foi além, pois recuperou o futebol de Ganso, reconduziu-o à Seleção, “ensinou-o” a chegar na área e fazer gols; resgatou Michel Bastos das trevas, quando estava em guerra com a torcida e descontente com a diretoria; fez de Hudson um líder, marcador ferrenho, fundamental para o meio-campo defensivo do São Paulo; bancou Denis, deu força ao jogador e ao grupo; não limou Kardec; fez Wesley reaparecer bem em algumas partidas.

Diante de um elenco reduzido para a disputa de duas competições, sofrendo com baixas médicas, sem contar com reforços, Bauza não se intimidou em promover os garotos da base. Nunca o São Paulo contou com tantos meninos de Cotia no profissional. Pela necessidade, e ousadia, Patón, quanto ao lançamento de garotos, fez o que nenhum outro técnico na história recente arriscou.

Ainda que o futebol não seja regido pela lógica matemática, como demonstram Leicester, Portugal e Islândia, é bem improvável que o São Paulo avance à final da Libertadores e os comentários passionais pedirão, burramente, a saída de Bauza. Mas isso seria um grande equívoco por parte da diretoria.

Patón fez e ainda faz das tripas coração para construir um São Paulo competitivo, digno, que chegou até onde ninguém imaginaria. Mesmo que seja desclassificado na partida de hoje, precisa do respaldo da diretoria, contar com reforços a partir de uma lista apresentada (ainda mais em tempos de saída de Ganso e Calleri) e ter tempo para desenvolver seu trabalho. A saída de Bauza seria um desastre para o São Paulo.

O mesmo vale para a partida de domingo, contra o arquirrival Corinthians, em Itaquera. Independente dos resultados, Patón tem de permanecer no São Paulo.



MaisRecentes

SPFC 1 x 1 Palmeiras: dois tempos, dois tentos



Continue Lendo

Futebol brasileiro deixou-se enganar pelo cientificismo exagerado



Continue Lendo

Estádios vazios na Copa América evidenciam o apartheid econômico e social no Brasil



Continue Lendo