O samba de Sampaoli



Para aqueles que insistem em dizer que Sampaoli era só marketing, a vitória por 2 a 0 contra o São Paulo, deixou claro que o argentino sabe fazer um time jogar. O Santos dominou praticamente toda a partida, sufocou o São Paulo com uma marcação na saída de bola, foi rápido nas transições, fechou o meio-campo e letal nos contra-ataques.

Foi uma demonstração prática de um modo de jogo em que se marca com precisão e, ao mesmo tempo, busca-se o gol. Do outro lado do ringue, acuado, sem articulação e criação, o São Paulo limitou-se a chutões para frente, numa linha-direta sem fim e sem direção. O placar final ficou em dois, mas ficou barato para o São Paulo, que se livrou de uma derrotar ainda mais acachapante, referindo-me à bola.

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Os 15 minutos iniciais transcorreram com as equipes se estudando. Depois disso, só deu Santos. Logo aos 17, Pituca avançou pelo meio, passou por Hudson, tocou em profundidade para Soteldo dentro da área, que só foi parado porque Volpi fechou para cima do atacante.

O São Paulo só chegou com perigo na meta do Santos aos 24/1T, depois de cruzamento de Nenê à área, em que Arboleda meteu a cabeça à direita de Vanderlei. Falando em Vanderlei, diante da inoperância do ataque Tricolor, o goleiro santista pode praticar a bola com os pés mais do que as mãos.

O Santos marcou pressão. O São Paulo, só no chutão. Nenê, sozinho, esforçava-se buscando espaços e tabelas, ora caindo pela direita, ora no meio e até pela ponta esquerda, como em jogada que fizera aos 25 do primeiro tempo.

O Peixe, senhor da partida, poderia ter aberto o placar aos 29/1T, quando Orinho cruzou na área, a bola raspou na cabeça de Reinaldo e sobrou para Jean Mota enfiar o pé, para mais uma boa defesa de Volpi.

Aos 42/1T, outra chance santista: lançamento para Gonzalez, mano a mano com o zagueiro, poderia adentrar a grande área, porém, firulou e deu tempo para o corte.

O Tricolor seguiu o primeiro tempo inteiro sem criação, sem transição, só no chutão. O justíssimo gol santista veio aos 44/1T: cruzamento oriundo de falta na ponta direita do Santos, bola na área, a defesa Tricolor deu bobeira e Luiz Felipe subiu sozinho para empurrar a bola para a rede.

Placar mais que merecido entre uma equipe que jogou e outra que apenas entrou em campo.

Na segunda etapa, Jardine tira Helinho, jovem que, assim como Everton, nem se ouvia dizer o nome, para a entrada de Diego Souza, que avançou como centroavante, recuando Pablo para ajudar na articulação e levando Nenê para a direita.

Em contrapartida, Sampaoli substitui. Saca o volante Jean Mota e o lateral Orinho, monta a equipe num 3-4-3, colocando Copete nas costas de Nenê, liberando os laterais.

Frente ao desespero desencontrado do São Paulo no segundo tempo, o Santos explorou os contra-ataques.

Aos 21/2T, o São Paulo todo no ataque, o Santos recupera a bola e num lançamento quilométrico, encontrou o ligeiro Gonzalez no mano a mano com Jucilei, que assistiu ao atacante santista invadir a área, tirar Volpi e tocar com tranquilidade para o fundo da rede.

O Santos poderia ter feito o terceiro sete minutos depois, aos 28/2T, depois de cobrança de falta na ponta esquerda, a bola vai com força na área Tricolor, mas Aguilar livre, chocou-se com a bola, que passou por cima.

Logo em seguida, aos 29/2T, Jardine saca Nenê para a entrada de Liziero (aliás, ninguém entendeu porque Liziero não entrou jogando ao lado de Hudson) e tirou Hudson para a entrada de Brenner, outro que praticamente não relou na bola.

Sem poder algum de reação do Tricolor, com a partida caminhando para o apito final, o Santos, numa tabela na frente da defesa, ainda poderia ter feito mais um, já aos 48/2T, depois de chute Volpi novamente salvou um vexame maior.

O placar de 2 a 0 não é vexame, mas o futebol apresentado(?), sim.

Em tempos de futebol modorrento no Brasil, Sampaoli mostrou, mesmo com um Santos sem tantos talentos, que é possível fazer uma equipe jogar bola, buscar o gol e também marcar com eficiência. Falando em futebol, foi bom de se ver.

Nessa dinâmica de marcação e criação, um jogador santista merece destaque: Carlos Sánchez, um leão dentro de campo.

Ao São Paulo, agora resta aproveitar o Paulista para arrumar a mesa, porque vem o Talleres pela Libertadores e, pelo futebol apresentado, correrá sérios riscos de ser jantado.



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