Nández e o senso de comprometimento no futebol



A final da Libertadores entre River Plate e Boca Juniors já foi amplamente dissecada nas mesas redondas. No entanto, um órgão da grande partida ainda cabe observação: a entrega e a bola jogada por Nández, uruguaio de 22 anos, que atuou de forma brilhante no meio-campo dos xeneizes e da Seleção uruguaia.

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Muito além do jardim do placar e do imbróglio que pairou sobre a decisão, River e Boca demonstraram em campo o nível de competitividade e comprometimento dos jogadores com as camisas dos seus respectivos clubes. Em especial, Nández.

Assistir ao jovem meio-campista, correndo, marcando, dando carrinho, roubando a bola, proporcionando o passe na medida para Benedetto fazer o gol e sua entrega de corpo e alma na final, com o Boca jogando com um a menos, depois com dois a menos frente à saída de Gago por contusão, e por muitos minutos no limite da exaustão física, são marcos comparativos quanto à relação sobre o comportamento de muitos jogadores que assistimos nas disputas dos torneios brasileiros.

Se por um lado é fato histórico que argentinos e uruguaios, além de saberem jogar bola, também se diferenciam pela raça e pela garra em campo; em contrapartida, parece crescer no futebol brasileiro a indiferença em uma partida, onde muitas vezes, ganhar ou perder, não muda a expressão ao trilar do apito.

O Boca perdeu, mas lutou até o segundo final. Nández foi a representação de um jogador que, mesmo diante de um placar adverso, não se entregava, não aceitava a derrota, não estava disposto a aceitar a virada.

Não se trata de querer mudar o jeito de jogar bola no Brasil, mas a questão central é a entrega em campo, o comprometimento com a disputa que se trava durante os 90 minutos, em respeito à torcida e a si mesmo. Trata-se de vontade de vencer.

No Brasil, é cada vez mais comum, tanto em jovens jogadores quanto em veteranos, depararmo-nos com uma simbiose negativa de descomprometimento e soberba.

Vê-se promissores jovens jogadores perdendo-se em vaidades, com assessores e personais, sem ter construído uma história – ainda que de um título – vitoriosa no clube, colocando-se acima dos seus potenciais, depois se perdendo nos descaminhos da vida, tornando-se andarilhos da bola.

Nos veteranos, que passaram pela Europa e já ganharam um bom dinheiro, também não é raro vê-los retornarem ao nivelado por baixo futebol brasileiro e comportarem-se de forma displicente, colocando-se acima dos clubes, sem a menor preocupação com o resultado e com tudo o que está em jogo, em sentido amplo.

A técnica e a tática, evidente, sempre estarão no círculo central do futebol, porém, a gana pelo jogo, em muitos momentos relegada a segundo plano, ainda tem um peso considerável nas disputas.



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