Morumbi, cemitério de Elefante



São Paulo retomou o conceito das partidas iniciais: jogou com intensidade, velocidade e, melhor, não tomou gol.

São Paulo retomou o conceito das partidas iniciais: jogou com intensidade, velocidade e, melhor, não tomou gol.

Há uma lenda em que os elefantes, ao pressentirem a morte, desgarram-se do seu grupo e retiram-se para lugares distantes à espera do fim do seu ciclo. Assim também fez o Linense, o Elefante, da cidade Lins, que optou por se distanciar de sua torcida, escolhendo o Morumbi para disputar as duas partidas das quartas-de-final do Paulistão. Como resultado: em dois jogos, morreu na competição tomando 7 gols (2 x 0 – 5 x0) e não marcou nenhum.

No segundo jogo, realizado sábado, com 22 passos no cronômetro do primeiro tempo, o São Paulo abriu o placar com Gilberto, num belo gol, em que o atacante pegou a bola no meio de campo, avançou verticalmente, invadiu a área e tocou na saída do goleiro. O Elefante sentiu o golpe do fim.

Outros gols vieram na segunda etapa do trajeto. Thiago Mendes com apenas 1 minuto e outro aos 14. Com o Elefante atordoado, entregue, ainda deu para Thomaz, aos 33, deixar o seu e, Gilberto, que começou, também terminou, aos 35, completando os 5 a 0. Aliás, Gibagol marcou seu 9º tento, tornando-se artilheiro do Paulista, fato que nem o mais otimista tricolor projetaria.

Mesmo com o placar, o São Paulo manteve o ritmo. A defesa estava mais bem postada. Lucão, que disputou uma partida quase perfeita na Argentina, voltou a jogar bem. Ceni, com tantos desfalques, parece ter ganho um novo-antigo zagueiro.

À frente da zaga, Rodrigo Caio, com dores, deu lugar à Jucilei, que novamente fez uma excelente partida, demonstrada a cada partida que era o jogador necessário para a conexão da saída de bola entre a defesa e o meio campo.

Os “volantes” Cícero e Thiago Mendes retomaram o futebol do início do ano, marcando, mas, sobretudo, articulando e chegando ao ataque, como bem fazem os volantes-modernos. Voltando a ser opções para ofensividade do time, vindo de trás.

O Linense, que já entrara perdendo por dois gols, resultado da primeira partida, não ofereceu a mesma resistência. Do outro lado, o São Paulo, mesmo com o time mesclado, mas atuando em suas terras, foi para cima do Elefante e voltou a apresentar a intensidade das partidas do início da temporada.

Contra o Linense, Rogério retomou a formação habitual da temporada 2017 formada por uma linha de 4 jogadores no sistema defensivo (Buffarini-Maicon-Lucão-Júnior Tavares), 1 à frente da defesa (Rodrigo Caio, depois Jucilei, que jogou muito), 2 “volantes” entre o meio e o ataque (Thiago Mendes e Cícero), 1 jogador “centralizado” na área (Gilberto) e 2 abertos na ponta (Luiz Araújo e Thomaz).

Buffarini merece um parágrafo: é fato que jogou muito mal e foi expulso contra o Defensa, mas há que se considerar que jogou improvisado na ala esquerda. Contra o Linense, jogou em sua posição, como lateral direito. E deu o sangue, e conteve-se nas chegadas duras, jogou bola, marcou e chegou ao ataque. Bom jogador do San Lorenzo, não é possível que vai enterrar também seu futebol no Morumbi.

Mais do que o rotundo placar, o São Paulo jogou bem, muito diferente na composição tática e na postura em relação à partida contra o argentino Defensa y Justicia, pela Copa Sul-Americana, onde foi um tanto caótica na organização.

Estão abertas as temporadas de finais.

O Elefante morreu no Morumbi. Diferente da lenda africana, longe dos seus antepassados. Perdeu as partidas, perdeu dinheiro e perdeu sua identidade ao entregar seu mando de campo para o adversário. Quem perdeu mais foi o torcedor de Lins, que sempre o apoiou. Que fique a lição não só para o Elefante, mas também para outros clubes do interior.

No presente, o São Paulo, que nada tem com a decisão equivocada do Linense, aguarda a definição de seu adversário na semifinal do Paulista. Bem provável ficará entre Palmeiras e Corinthians.

Quinta-feira, 13 de abril, no Morumbi, o São Paulo tem outro desafio: caçar a Raposa mineira, equipe com elenco fortíssimo e muito bem treinada por Mano Menezes.



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